Quando For Grande X
Quero ser como o Clint Eastwood.
Esta blog ficou mais pobre, há que dizê-lo com frontalidade. Havemos de recuperar, mas ficou mais pobre. Querem um bom exemplo disso? Nunca tanto se falou dele.
O MSF escrevia posts cultos. Há outros posts cultos por aqui, claro, mas não são como os dele (todos são únicos, aliás). Uma das coisas de que eu gostava era que podia apenas perceber metade - por só conhecer metade das referências cultas dadas - mas percebia sempre o sentido todo. O PN tinha outro efeito. É que era a metade dos comandos essencialmente liberais deste blog. A ideia era sempre que o que tem de ser feito muita força tem e a mais se não é obrigado. Por outras meias-palavras, se aparecia feito era porque assim tinha de ser e se não aparecia era porque assim não tinha de ser. Enfim, aqui jaz a minha capacidade de explicar a falta que esses dois fazem. Para apenas falar dos mais assíduos e não falar dos jantares (mas aí a conversa será outra seguramente).
Sem quere fazer política (que não posso) não resisto, na sequência, da referência aos Monty Pyton do Carlos Jalali a colocar este video (autoria MEP mas inspirado num site inglês: http://www.whathaseuropedone.eu/)
Is it just me, ou a coluna de hoje de Vasco Pulido Valente no Público denota uma influência dos Monty Python?
'O PC recusa qualquer espécie de aliança com um PS que "virou completamente à direita" e acha como sempre que o PS se deve emendar. O Bloco, que António Costa descreveu como "um partido oportunista, que parasita a desgraça alheia", com certeza que não anda ansioso por se abraçar ao referido Costa. Ou, para não ir mais longe, a um PC que o despreza e combate. De resto, fora este ódio trilateral, há um ódio comum (e suponho que retribuído) aos "Cidadãos por Lisboa" de Helena Roseta e ao índio sem tribo Sá Fernandes, que não pára de arranjar sarilhos. Vale a pena perguntar qual é o objecto de tantas querelas? Vale a pena perguntar quais são, do PS a Roseta, as grandes diferenças políticas sobre Lisboa? Não vale. A esquerda gosta de se dividir e detestar; e a seguir de sofrer porque se dividiu e se detesta.' (VPV, Público, 18-4-2009)
PS: Sou fã de VPV - mesmo (ou até talvez especialmente quando) não concordo com o que ele diz. Ele já foi comparado neste blog aos ABBA - para mim, ele é o Morrissey dos comentadores portugueses.

A crise que, terrível, se abateu sobre todo o mundo, chegou também ao Geração de 60. Tentámos combatê-la: mantivemos a qualidade do nosso produto, animámos os trabalhadores, investimos em novas contratações (diversificámos, como agora se diz), enfim: fizemos tudo o que podíamos para continuar esta nossa missão de debatermos temas sérios, ainda que em tom divertido.
Mas não devemos ignorar os factos. Depois da Quimonda, e apesar dos inúmeros esforços do ministro Manuel Pinho, também o Geração de 60 foi vítima desta crise e, assim, obrigado a prescindir, temporária e/ou definitivamente, de alguns dos seus trabalhadores.
Dito isto, temos as contas sanadas. Os contratos foram rescindidos de comum acordo e a nossa missão poderá agora continuar. Os que saíram são nossos amigos e virão aqui regularmente visitar-nos. Os que ficam estão alegres, porque acreditam nesta sua empresa, pela qual trabalharão a dobrar por apenas metade do salário.
Estamos assim, com um espírito renovado, pois que, como diz um antigo provérbio chinês: «a escassez dos recursos aguça o engenho» (eles dizem sem os "éles").
A todos os nossos habituais leitores, comentadores e amigos, portanto, fica aqui feito o aviso: a nossa equipa está pronta a dar o seu melhor para continuar, assim o esperamos, a ser uma voz (in)conveniente, séria, culta e divertida, em prol de uma actividade social e política que tem urgentemente de ser credibilizada, também aqui, na blogosfera.
Continuaremos, por isso, como diz o nosso editorial, que se mantém inalterado, a ser «um espaço público onde, de modo livre e incondicionado, sem preconceitos e sem dogmas, se confrontam teorias e concepções distintas, ideias e visões opostas, das quais, em última análise, acabarão por brotar valores que nos implicam em tudo o que tem a ver com a nossa vida: da filosofia ao sexo, da arte à política, da história à moral, da liberdade a Deus.»
«Alea jacta est.» Contem connosco. Apareçam. Nós cá estaremos.
Este é o meu último post no meu primeiro blog, o “Geração de 60”. Sinto-me muito infeliz por ir embora. E um bocadinho feliz por saber que estou livre e posso, agora, fazer tudo o que me apetecer, a começar por não escrever nem mais uma linha nos próximos 7 anos.


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Inez Teixeira, exposição sob o título: “De dentro para fora”, inaugurou ao público no passado dia 26 de Março, na galeria VPF Cream Art, Rua da Boavista, n.º84 (até 9 de Maio)
Sobrevivendo a todas as mortes anunciadas da pintura e aos seus proclamados renascimentos, Inez Teixeira (Lx.1965), apresenta um conjunto heterogéneo de pinturas (acrílico s/ tela) e desenhos (de pequenos formatos), que dão continuidade a um percurso singular na pintura portuguesa do final do século XX e princípio do século XXI.
A singularidade surge deste facto: 25 anos de produção podem (e devem) ser lidos como uma narrativa que se vai desvelando e revelando a partir de um tema central— a paisagem— e a sua transformação pelo ponto de vista do seu observador ou autor.
Se compararmos com a literatura, a personagem principal, o herói, é aqui a paisagem, e o autor que faz da personagem o seu alter ego, e vai através desse outro descobrindo-se a si mesmo e ao mundo, enquanto realidade que não está imediatamente dada, ou está apenas para quem fica na rama da ilusão, é aqui a visão pendular entre um interior e um exterior, um de dentro e um de fora, duma paisagem que Inez Teixeira mostra como aparições, e que são as imagens formadas pela subjectividade do olhar, imagens de visita a mundos encobertos pela opacidade do ser, imagens de desocultação lenta do que, ainda assim, permanece misterioso.
Glosando o título desta exposição, poderíamos chamar a uma primeira fase— De fora para fora— uma fase expectante, de contemplação do que se dava, filtrado por um olhar depurador que nos mostrava a solidão dos seres naturais e dos seres primitivos: pássaros sobre bancos de areia, cabanas no meio da noite em campos indistintos, abrigos, ninhos...
Numa segunda fase– De dentro para fora– surgiram, sobretudo, texturas e intrincadas tecituras que permitiam perceber um lado de fora que surgia filtrado e adiado– tempo de espera– como uma grelha que não sabíamos se era uma prisão ou uma protecção.
Numa terceira fase de novo— De fora para fora— em que as paisagens cósmicas (meteoritos) ou as topografias (metálicas), revelavam um mundo agressivo e sem intimidade, como se o mineral inorgânico, à deriva pelo espaço sideral, dominasse toda a realidade impiedosamente e sem destino.
Finalmente, e a culminar na actual exposição, de novo— De dentro para fora— mostrando a ruptura com o niilismo cósmico anterior e regressando ao enfoque na intimidade das construções orgânicas, mas transcendendo-as para um imaginário onírico, rico de impossibilidades materiais, fuga da normalidade e anulação do tempo.
Nesta fase, surgiram, primeiro, as paisagens construídas a partir de uma simbólica em que os abrigos ou as cabanas são agora casulos que evoluem em formas larvares até às borboletas, são mutantes que perdem a pele e as suas pregas formam caminhos e jardins, florestas densas, num ambiente quase gótico, como se as formas da paisagem ainda sem distinção entre corpos e extensão fossem animadas por um só e o mesmo movimento.
Depois, surgem as paisagens oníricas, o imaginário fantástico, casas que nascem nas árvores e florestas com árvores invertidas num efeito visual que tornam a paisagem numa impossibilidade material próprias de uma quinta dimensão (para lá do tempo e do espaço Kantianos).
Nesta fase, IT concebe uma viagem a lugares imemoriais e fascinantes. Lembra, todavia, num pequeno desenho, filho único no conjunto exposto, onde aparece uma caveira em fundo monocromático, que é preciso experimentar o perigo e o despojamento, para passar de dentro para fora e ver uma nova realidade que nos liberta do espaço e do tempo concebidos como distância e sucessão irremediáveis.
IT, poderia dizer ao fim destes anos: “Do meu esconderijo eu tenho observado tudo, e agora, mesmo de fora, continuo escondida”.
Já que estou nesta de me presumir capaz de substituir o insubstituível Manuel Fonseca, permito-me dizer ao João Pereira Coutinho que ele também faz muita falta. O João desculpar-me-á a franqueza saída desta minha presunção de uma certa intimidade internética, mas tenho que lhe dizer que a sua irrupção aqui no blog foi assim como o programa nuclear fancês: muitos testes; muita polémica à volta desses testes; e depois, absolutamente, desaparece no silêncio próprio das profundezas do Pacífico. Vá lá. Venham daí esses mísseis. Tanto faz nucleares como não obrigado: os seus posts fazem falta.
Pois é. De boas intenções está o incherno feio - quer dizer: o inferno cheio. Lá jantámos, procedemos às maldades do costume, e comprometemo-nos todos a escrever mais posts. Ora a obrigação, em primeiro, lugar, é dos chefes, que, ainda por cima, quando escrevem, escrevem sempre muitíssimo bem! Por isso, Pedro, agora é contigo. Venha de lá esse exemplo - e venham de lá esses posts.
Passou há algumas semanas na tv um episódio da série "Irmãos e irmãs". Série que vi mais no início e que agora, como todas as coisas, parece que vai perdendo a graça à medida que o tempo passa.
Um casal, constituído por um homem pai de filhos de um casamento anterior e por uma mulher sem filhos, tentam ambos ser pais de uma criança. Por peripécias várias parece que iriam recorrer a uma espécie de adopção(?). A mulher visita no hospital aquela que seria a mãe da criança que iriam adoptar. Visita essa que não corre bem e que acaba com a possibilidade da dita adopção.
Quando relata a visita ao marido e ele discorda dessa atitude, a mulher justifica-se dizendo que achava que aquela solução não iria resultar, que o bebé não lhes seria entregue, afirma enfim que preferiu agir assim porque não queria que lhes partissem o coração.
Nesse momento, o marido fita-a, calma e secamente diz-lhe: " - Se não estás preparada para que te partam o coração, não estás preparada para ser mãe."
Fim da cena.
Partem-nos o corpo ao meio para nascer, partem-nos o coração todos os dias. É o único amor que não parte nunca, que não perde graça, que nunca passa, esse amor que une pais a filhos.
Não consigo entender a notícia que ouvi há pouco: há crianças adoptadas que são devolvidas às Instituições, geralmente as maiorzinhas, com 5,6,7 anos.
O amor de um pai a um filho,biológico ou adoptado, nunca passa.
Se esse amor passa é porque nunca existiu.
Um só post e o nosso blog tornou-se francamente mais divertido. Um só post e batemos o record dos comentários. Um só post e juntaram-se à mesma mesa os patrões e os funcionários do Geração de 60 para debater a estética do blog. Um só post gerou entusiasmada animação nesse plenário, no qual difíceis decisões foram tomadas e enérgicas medidas implementadas. Ora, se tudo isto aconteceu com um só post, quem pode imaginar o que irá acontecer com dois e com três e com quatro... e com cinco e com seis e com sete? Por isso, humildemente, aqui pedimos: MEC, venha o segundo, se faz favor.
Este post do Pedro Norton sobre os Velvet Underground & Nico fez-me lembrar um velho ‘jogo’ que tinha com amigos na universidade*. Se pudessem voltar atrás no tempo e ver uma banda ao vivo por década, quais escolheriam? O jogo começava nos anos 60 - parafraseando Larkin, achávamos que a música só tinha realmente começado nessa década. As minhas escolhas eram (e são, ainda hoje) os Velvet Underground nos anos 60; os Pistols na década de 70; e os Smiths nos 80. Não tinha dúvidas sobre isto na altura, e ainda hoje não as tenho.
Como “jogávamos” durante os anos 90, não tínhamos que escolher bandas dessa década (até porque essas, em geral, podíamos ver). Mas agora que o jogo incluiria também essa década, sinto uma enorme dificuldade em escolher a banda dos noventa que gostaria de ver. Das que não vi, talvez os Nirvana, embora mais pelo simbolismo – raramente oiço Nirvana hoje em dia; talvez os Stone Roses, embora o álbum epónimo seja de 89; talvez os My Bloody Valentine, ou os Tortoise, ou os Smoking Popes, ou os Happy Mondays, ou os Public Enemy (embora algumas sejam parcialmente dos anos oitenta)... Mas são demasiados talvez. E fico na dúvida se isto se deve a uma genuína ausência de grandes bandas nos anos 90; ou se é porque esta uma década que efectivamente “vivi” musicalmente, e fico sem a distância necessária para a avaliar.
*: Sim, reconheço que é um jogo muito ‘Nick Hornbyano’ – mas, em nossa defesa, inventámos isto algum tempo antes do High Fidelity.
Estamos finalmente em tempo de eleições. No céu, que já há muito se mostrava carregado, surgiu finalmente a tormenta – e a pobre terra encheu-se de outdoors. Felizmente que o justiceiro Sá Fernandes – herói ainda indefinido, que não sabe bem se é o Lone Ranger ou o Tonto –, logo mandou retirar uns quantos que desfeavam a praça Marquês de Pombal.
A razão, obviamente, assiste-o, pois que, apesar dele próprio ali ter colocado uns outdoors na última campanha eleitoral para a Câmara de Lisboa, descobriu agora que existe um regulamento que proíbe terminantemente implantá-los naquele local. Vai daí, mandou tirá-los, brandindo o dito regulamento em frente à câmara – de televisão – e alto jurando tudo fazer para defender a lei: a mesma que ainda há pouco tempo, compreensivelmente, incumpriu, justamente pelo facto de que não a conhecia.
Ora, este episódio, trágico-cómico, com que se inicia este tempo festivo que são para nós as eleições, não faz mais do que confirmar aquilo que as pessoas pensam dos políticos e que pode bem resumir-se nestas três muito breves ideias: 1. São uns incompetentes, que nem sequer conhecem as leis e os regulamentos. 2. São uns intrujões, que usam as leis e os regulamentos conforme lhes convém. 3. São uns intrujões e uns incompetentes, que nem sequer conhecem as leis e os regulamentos que querem usar como lhes convém.
Talvez as pessoas estejam enganadas, mas, então, é bom começarmos a convencê-las do contrário, porque, nestes tempos pouco democráticos que vivemos, é cada vez mais o povo que faz falta.
O Público (e o site do CDS) noticiam que "os 11.562 militantes do CDS com telemóvel" receberam um sms de Paulo Portas ontem à tarde, em que o líder do CDS os informava dos candidatos do partido para as Europeias.
Creio que podemos eventualmente tirar uma de duas conclusões disto:
1. Os militantes do CDS usam o telemóvel bastante menos que os portugueses em geral (proporção de portugueses que afirmam ter pelo menos um telemóvel em inquéritos: 4 em cada 5; número de telemóveis por cada 100 residentes em Portugal: aproximadamente 130).
Ou:
2. O número de militantes do CDS é de pouco mais de 11.652 militantes.
Pessoalmente, espero que a primeira esteja mais perto da realidade. A ideia dos militantes do CDS serem mais conservadores até na adopção de novas tecnologias agrada-me...
Estou assim meio de férias que isto de trabalhar todos os dias cansa e meio de férias em Lisboa. Not bad. Ora isso serve para ler jornais velhos, também, e descobri que há mais um "plano" para o Terreiro do Paço. Fui ler porque queria ver se era desta que começavam a plantar árvores nesta maldita (para elas) cidade e, claro, o arquitecto acha que não. Aquilo deve ter uns pisos a marcar "percursos" e uns tons para aqui outros para ali, perspectivas, etc. Árvores? Se for preciso sombra (?) montam-se uns toldos, diz o profissional de urbanismo. Ora aí está. Tal como na Avenida dos Aliados, na Invicta. Será que um dia vamos ter alguém que ame árvores lá para a CML. A vereadora Helena Roseta achou o dito plano "muito interessante".
Será que as árvores são simbolo do passado, que há demasiada ligação ao mundo rural onde elas quase sempre, neste país, ainda são para abater?
Assunto sério: A Av. da República perdeu as árvores graças aos túneis e às obras do metro. A Fontes Pereira de Melo idem, ibidem. Mais recentemente foi a Joaquim António de Aguiar e também a António Augsusto de Aguiar (deve ter sido castigo pelos nomes). As árvores da Av. da Liberdade também foram arrasadas nos anos 1950 por causa do Metro mas alguém se lembrou de as replantar. Parece que resultou.
A excepção em Lisboa agora é a Expo. Ora bem, aí está, afinal não é preciso ir a Paris para ver como as árvores crescem mesmo, dão sombra e tornam a cidade mais rica. E são mais baratas do que os toldos.