sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Vida Nova

Hoje, no Público, Vasco Pulido Valente desfere um ataque ao artigo publicado há dias pelo Pedro Magalhães. Eu gostei deste último texto, sobre os “liberais de pacotilha”, e por isso apetece-me dizer algo mais. Um ponto prévio: Pulido Valente está numa liga à parte, um pouco como os ABBA. Isso significa que podemos dizer mal da música ligeira mas tal não inclui, nunca em tempo algum, aquele grupo. Os mesmo se passa com Pulido Valente: ele nunca está incluindo em nenhum grupo e por maioria de razão não cai nos “liberais de pacotilha” de que Magalhães fala.

Dito isto, mais importante é notar que os analistas são interessantes de ler quando transmitem conhecimentos. Não basta ser inteligente para ser interessante, é preciso saber coisas. Pulido Valente sabe e sempre soube quem faz o quê e geralmente porquê. A grande vantagem dos analistas mais velhos está aliás aí. Eles conhecem bem os principais protagonistas, sabem quem contactar para saber mais e por aí fora. Mas Pulido Valente (como outros, mas isso aqui não interesse pois a liga é só dele) está a perder o pulso ao que se está a passar com as pessoas mais novas. Eu sei isso, porque ouço frequentemente esse comentário, a que presto atenção sobretudo quando vem de pessoas que gostam imensamente do que ele representa. Este fenómeno não é novo e na Grã-Bretanha até tem um nome, que escrevo aqui porque sei que pode ser lido com sentido de humor: “grumpy old men”.

É preciso ter em atenção que muitas das pessoas que hoje escrevem nos jornais nunca estiveram em cafés a olhar para o lado a ver se estava algum “bufo” da PIDE. Essa preocupação é genuína e a herança não pode ser esquecida. Mas já lá vão alguns anos. Pode voltar? Claro que pode voltar. Mas a nossa vida – e o nosso pensamento – não pode viver com esse estigma. Por uma simples razão: tal estigma não serve para nada.

2 comentários:

Helena Mendia disse...

Penso que está completamente enganado.

Leia Pacheco Pereira hoje no Público.

Pedro Lains disse...

Confesso que aprecio a inteligência de Pacheco Pereira mas não costumo ser seu leitor. Mas fui ler. Só posso dizer que a luta de que ele fala não é minha.