segunda-feira, 10 de março de 2008

De regresso: a educação.

Muito se tem escrito e mais se tem dito sobre a educação, a manifestação dos professores, a ministra e o seu rasto. Mas nada que se assemelhe ao texto lapidar, que encerra todo um programa, de Henrique Monteiro (no Expresso de Sábado). Eis um modelo alternativo a mais de trinta longos anos de um pernicioso consenso sobre o "eduquês", a escola inclusiva, a felicidade individual e existencial nas salas de aula. Um programa que exigiria muito mais de todos, aí incluídos os agora diabolizados professores. Um programa que, nos primeiros anos, obrigaria a um grande aumento do insucesso escolar. Um programa simples, selectivo, não preconceituoso.
É raro dizer-se tanto em tão pouco espaço.

PS- Estou de regresso ao geração de 60, depois de uma ausência resultante da minha própria inércia. Fico muito satisfeito por regressar e por o poder fazer com uma nota sobre a educação. Agradeço a todos os "gerados/geradores de 60" a boa-vontade e as fáceis condições de retorno. Um agradecimento especial é devido, sem menoscabo para todos os outros, à Sofia Galvão e ao Pedro Norton.

4 comentários:

Pedro Lains disse...

É preciso talvez não esquecer que a educação está hoje melhor do que há 30 anos. Em todos os níveis e olhando para todos os indicadores. Por outras palavras: a sociedade conseguiu ultrapassar o “eduquês” e todas as reformas. Há alguma ignorância do que se passa dentro de muros, que a recente classificação das escolas ajudou de alguma forma a ultrapassar, assim como ajudará a futura e inevitável classificação dos professores. Acho que o que vimos na rua são dores de crescimento e não problemas insanáveis.

Pedro Norton disse...

Caro Pedro,
Eis uma boa notícia que gostava de ver melhor explicada. Aceitas o repto?

Sofia Galvão disse...

Duas notas complementares ao post do Paulo (cujo regresso saúdo, com amizade e alegria).
A primeira para evidenciar um aspecto que está longe de ser negligenciável, a saber, a circunstância de Henrique Monteiro não ser um perito, mas apenas um homem de bom senso – informado, sério, preocupado, mas aqui habilitado (e qualificado) pelo bom senso. No fundo, talvez tenha sido sobretudo isso que faltou nestes anos de eduquês e experimentalismo: bom senso.
A segunda para sublinhar o sábio enfoque assumido, a saber, a convicção de que “a guerra dos professores contra a ministra” pode ser aproveitada para “reorganizar as próprias escolas, a sua autonomia e a sua gestão”. Porque em tudo na vida, e nos conflitos em particular, há sempre uma opção decisiva quanto ao sentido positivo ou negativo da solução. A partir da crise, constrói-se ou destrói-se. Ora, é muito importante que, estando em causa a Educação, não hesitemos na escolha e ganhemos a oportunidade que se nos oferece para refundar paradigmas e redefinir compromissos.
Depois ainda, um comentário final. Conclui Henrique Monteiro, e o Paulo parece assumi-lo igualmente, que “nem sindicatos, nem ministério, nem editores” aceitarão a revolução. Concordo. Mas importa dizer que em obediência a uma estrita lógica de interesses. Longe dela, e mais promissoramente, poderão estar milhões de pais, alunos e professores bem mais sensíveis às vantagens (e à urgência) das mudanças.
Uma última palavra, esta de alerta. Porque não será fácil. Ou não é verdade que o eduquês pegajoso contaminou o próprio Henrique Monteiro, quando propôs novas consequências para as “retenções”? O futuro será, numa primeira fase, de inevitável desconstrução. De arejamento e de refutação de complexos. Haverá horizonte quando deixarmos de falar em retenções para, rompendo com o pedagogicamente correcto, assumir que falamos mesmo de reprovações.

Pedro Norton disse...

Sofia:
Estou mais pessimista e, como digo no meu post abaixo, acho que grande parte dos pais não está minimamente interessada nas referidas mudanças. Mas, em rigor, é so uma suposição minha.