segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Crise de Vocações


Em crise de vocação pessoal, dei comigo à procura de soluções na internet. Descobri, com estarrecida surpresa, uma preciosidade. O mundo onde vão entrar ultrapassa todos os requintes da vossa imaginação. Preparem-se para a viagem existencial das vossas vidas.
Gostas de homens, de discotecas e de umas massas? Apaixonas-te com facilidade?
A pergunta não é minha, nem é uma daquelas vigorosas provocações lançadas pelo primeiro iconoclasta de serviço. E não surgiu de nenhum blog de “dating” ou engates. É um dos desafios do sítio “Mi vocación”, dinamizado por umas ousadas Hermanas de la Caridad Dominicas de la Presentación de la Santísima Virgen, cuja página oficial podem consultar aqui.
As inocentes irmãzinhas, em luta contra a crise de vocações, não olharam a meios e ainda menos a argumentos. Criaram uma página online para conquistar mentes e corações, com desafios quentes e arrojados, como os dos exemplos que se seguem: “Gostas de sonhar? És uma romântica? Clica aqui.” Ou, e limito-me a citar com propriedade o original espanhol, “Te va la marcha frenética? Es una vividora? Pincha aqui”.
O argumentário para estes convites desabridos é desarmante. As irmãzinhas, recorrendo a uma dialéctica imbatível, esclarecem assim as mais improváveis aderentes à causa: “De entre todas as opções que existem na vida, toda a jovem deveria colocar-se seriamente estas duas: ser gigola ou ser freira?
A retórica prossegue, entre o rubicundo do ser heideggeriano e o nada lógico-positivista, mas eu poupo-vos, até por ter a certeza de que se me leram até aqui, vão agora querer ler o original, no doce castelhano que as monjas usam com habilidade e malícia. Vão lá ver para verem que não minto.
Seja como for, não resisto a citar o mais controverso, e porventura blasfemo, dos argumentos de Sor Ana Isabel, Sor Gemma e Sor Conchi, as três freirinhas artífices do “Mi Vocación”. A uma jovem que se julgue “Borrachina? Marchosa? Enamoradiza?”, que é como quem diz, às que gostam de beber, são mais atrevidas e namoradeiras, as freiras recomendam, mais do que às outras, recolherem ao convento. O facto de já conhecerem melhor o mundo (gentil eufemismo), é uma vantagem, dizem as monjas. Confere a essas mulheres (perdidas, julgava eu), experiência para ajudar os outros. Ah, e não se envergonhem, nem pensem que são as primeiras. Para não ir mais longe, e as palavras, juro-vos, são delas, Santa Maria Madalena “también fue una cachonda como tú”, o que no meu torpe português quer dizer, também foi uma entesoada como tu.
Quem é que, depois disto, não sentirá o arrebatamento de uma vocação? Se não for o amor, o que é que, afinal, pode salvar o mundo?
Texto roubado descaradamente ao Pnet Homem, sítio que, correm rumores, vai sofrer grandes modificações, apoiadas por estas gentis monjas.

5 comentários:

Sofia Rocha disse...

A todas as perguntas só me apetecia responder, Nereida, sim, Nereida! Que " Negros Hábitos" Manel!

Gabriel Silva disse...

Excelente iniciativa (a das ditas «irmazinhas»).

Para além do que diz o cronista, vale a pena ler os textos de resposta ás perguntas (muitíssimo bem feitas, por verdadeiramente interpeladoras).

Táxi Pluvioso disse...

Ah! ele é isso. Então toma o blog da irmã Julie.

andrea disse...

Depois disto nunca mais serei o mesmo...

Redonda disse...

Depois disto quem é que diz que a Igreja não está "muito à frente"!!!