segunda-feira, 30 de junho de 2008

Agora “odeio” eu (um bocadinho atrasado)





Disse alguém um dia que podemos deixar voar os pássaros do ódio sobre a nossa cabeça mas que não os devemos deixar fazer ninhos.

Concordo.

Ainda assim, e tardiamente face ao timing da “discussão” aqui na Geração de 60, junto uma singela lista de pequenos “ódios” de estimação.

São apenas 4 para não me alongar. Duas pessoas e dois fenómenos. Vamos a eles.

Começo pela literatura: o Saramago.

O Pedro Norton tem apenas uma embirração pelo homem. Eu não tenho qualquer embirração; pura e simplesmente não gosto.

Não gosto do que representou no passado, não gosto de quem ele gosta, não gosto do que diz e muito menos da forma como fala e escreve sobre Portugal e os portugueses. Plagiando o mesmo Norton trocava de bom grado este Nobel pelas cinzas do Jacques Brel.

Quanto ao resto, pena é que o país do Torga, do Virgílio ou da Sophia tenha um Nobel como este.

E da literatura prá bola: o Figo.

Apesar de Sportinguista ferrenho prefiro mil vezes o Rui Costa. Todo o profissionalismo do Figue (como lhe chamava um ex presidente), inteligência nos negócios e causas humanitárias não me fazem esquecer que não voltou a Portugal e ao Sporting para acabar a carreira. Terá grandes qualidades que dele podem fazer um óptimo amigo ou uma excelente companhia mas, como adepto, nada disso me importa. A verdade é que preferiu as liras e as luzes da ribalta ao clube que o viu nascer.

Espero não o ver um dia com a bandeira do Sporting junto ao coração – aplaudido - e a concorrer à presidência do clube. Seria uma triste sina.

Quanto ao resto, e como o próprio saberá, nunca foi nenhum Zidane.

E da bola prá moda: os chinelos (ou havaianas).

Primeiro ponto: os chinelos são coisa de senhora ou de criança.
Segundo ponto: senhora que usa chinelos arranja os pés.
Terceiro ponto: as havaianas são para levar para a praia (não para o shopping, para o cinema ou para os restaurantes).
Quarto ponto: a massificação dos chinelos representa a “brasileirização” do nosso país – o maior flagelo da era moderna de que será expoente máximo o malfadado acordo ortográfico.

Quanto ao resto, convém não esquecer que o país irmão é a Espanha com quem crescemos na mesma casa (a nossa península). O Brasil será, nesta analogia familiar, o país filho: um filho maior, mais rico, mais tudo, mas um filho ainda assim (e onde é que já se viu um pai ter de acordar com um filho sobre a forma como se fala?).

E da moda prós fenómenos sociais: a neve.

De entre um determinado tipo de fenómenos sociais onde todos “temos que ir” (o Rock in Rio é outro) – e de onde, por isso mesmo, se deve fugir a sete pés - tenho um particular horror pela neve.

“Este ano ainda não fui”, dizem em tom de sofrimento (uma espécie de cold turkey social) pessoas que há tempos atrás nunca tinham sequer subido a serra da Estrela. Não têm a noção de que não há “penado” nem óculos espelhados, nem bronzeado de última hora que lhes tire o ar desadequado que não podem deixar de ter a mais de mil metros de altitude. Quem, no registo inverso, não reparou ainda, por exemplo, nos cidadãos dos povos da Europa central e de leste que pululam as nossas praias? O tom da pele, a forma como chapinham à beira mar, as “sungas” - não encaixam… não há nada fazer.

Quanto ao resto, e para além do clube dos fumadores passivos (anunciado há meses atrás), declaro desde já ir constituir, também, o clube dos portugueses que nunca foram à neve (seremos poucos mas bons).

2 comentários:

Helena Forjaz disse...

Caro JP
Aqui tem desde já uma adepta para o seu clube dos que nunca foram à neve, ao odio visceral pelas havaianas, e ainda à antipatia pelo Saramago.Quanto ao mais, também sou Sportingista (por causa dos meus filhos) mas o futebol não me traz uma incitação ao odio ou amor...

joão maurício disse...

Embora, como o João Luís, não "odeie" (ainda), só posso concordar com os ascos de JP Guimarães : desde o Saramago (partilho inteiramente o que diz),
passando pelo Figo (gosto deles secos, com noz) e até
à Neve (tive a sorte de conviver com ela, uns anos na Suíça, outros na Noruega); não esquecendo os Chinelos, uma verdadeira praga social...
Fiquei nervoso, no entanto, com a referência demasiado amistosa a Espanha.
Melhores cumprimentos,
João Wemans