quinta-feira, 15 de maio de 2008

Da Visão: Cenários

1 – Pedro Passos Coelho é o vencedor anunciado das próximas directas do PSD. Não me refiro a uma vitória no sentido literal, bem entendido. Mas o objectivo de Passos Coelho não é, nem poderia ser, esse. O candidato, que beneficia grandemente de um enorme deficit de expectativas, dificilmente não sairá reforçado do acto eleitoral. Basta-lhe não ser estrondosamente «esmagado». A partir daí tudo jogará a seu favor: a idade, a novidade, a experiência do «padrinho» e sobretudo a enorme probabilidade de a próxima liderança do PSD só vir a gerir o partido até à «débacle» de 2009. Já o disse e repito: dos três candidatos (omito deliberadamente as restantes «non-entities») é o único que pode representar e (consequentemente) vir a ter um futuro a longo prazo. Se tivesse de apostar diria que Pedro Passos Coelho vai ter um. Assim tenha a arte e o engenho para não se colar demasiado aos apoios menezistas.
2 – Santana também não está exactamente morto. Politicamente, diria que é mesmo uma espécie de morto vivo. Nas próximas directas ninguém lhe pede que ganhe (embora esse não seja um cenário absolutamente implausível, até porque o extraordinário submundo do PSD já deu provas suficientes da sua imprevisibilidade). Uma derrota marginal teria todas as vantagens práticas de uma vitória sem nenhum dos inconvenientes que aquela acarretaria. Com um «poleiro» no Parlamento, com um lugar cativo nos media e com um «killer instinct» que nunca perdeu, passaria os próximos meses a conspirar e a fazer a vida negra a um próximo líder do PSD fragilizado por uma vitória inexpressiva. Com os olhos postos num desaire em 2009 que tudo faria para alimentar. E que lhe permitiria voltar ao mundo dos vivos na própria noite das eleições legislativas. Nem George Romero inventava um guião assim.
3 – Paradoxalmente, Manuela Ferreira Leite é portanto a candidata com a vida mais difícil. É obviamente a única que não pode perder. Mas é também a única a que não basta ganhar. Pede-se-lhe que ganhe «por muitos». Qualquer outro cenário coloca-a na situação fragilíssima de não poder controlar a sua própria sucessão depois de 2009 (já o escrevi: Manuela Ferreira Leite será, quando muito, uma líder para atravessar o período de nojo de que o PSD precisa para esquecer as suas insanas derivas dos últimos tempos). Acontece que, para ter sucesso, Manuela Ferreira Leite não pode mostrar tão obviamente ao que vai. Uma coisa é que toda a gente saiba que está numa transitória missão de sacrifício, outra coisa é que toda a gente pressinta o enorme enfado com que se presta a tão ingrata tarefa. Não se mobiliza ninguém com o ar maçado de um Hércules com o mundo às costas.

4 comentários:

Pedro Lains disse...

Gostei do pouco que vi de duas entrevistas que ela deu na televisão. Até me surpreendeu, pois tinha a opinião que ela era alguém menos relevante. Afinal, se calhar andava escondida por trás dos protagonistas (Cavaco, Santana), por não ter paciência - como a podemos compreender! Se não são políticos destes que nós queremos, então não sei. Se calhar estamos a ser demasiadamente exigentes, à espera de um milagre que nos salve (de quê?)

MT disse...

Manuel Ferreira Leite desilude-me, sempre esperei vê-la mais combativa, com mais vida e vontade de vencer mas não, parece que está a fazer um frete.
A opinião em relação a Santana Lopes parece-me um pouco exagerada não julgo fazer parte do seu estilo fazer a vida negra a ninguém, curiosamente tem-me surpreendido o número de apoios que tem conseguido.
Se Pedro Passos Coelho seria o meu candidato de eleição,começa a ser acompanhado e apoiado por pessoas que representam o pior do PSD, a questão é se o candidato se revê nesses apoios, espero sinceramente que não, senão vem aí mais do pior.

Sofia Rocha disse...

O Pedro Norton está certo quando fala do futuro político de P.P. Coelho. Sabemos que no PSD a regra dita que primeiro se vá a jogo, nem que seja para perder, para depois, voltar a tentar e ganhar em candidatura posterior.

andrea disse...

Excelente analise, infelizmente e porque as coisas são assim mesmo vamos ter que aturar o Socrates mais quatro anos.Abraços.