quarta-feira, 12 de março de 2008

O GRAU ZERO DO MACHO



Há dias atrás um post do Pedro Norton - “Terapia de Choque” - chamava a atenção para um site denominado weirdnews.

A curiosidade levou-me lá, imediatamente, e levou-me também, confesso, ao choque.

A primeira “noticia estranha” (numa tradução livre do nome do site) tinha o seguinte título: “Study Shows American Men Gradually Doing More Housework, With Sex As A Payoff”.

Pensei para mim: atingimos o grau zero do macho, o nível mais baixo da história do homem (homem definitivamente com h pequeno…).

Pensei na tristeza da vida daqueles homens que, cheios de lascívia, dedicam as tardes de fim-de-semana a engomar as camisolas dos “pequenos” na esperança (sempre incerta) de uns eventuais favores nocturnos (neste caso, verdadeiros favores).

Pensei quantos pratos teriam de lavar, quantas camas de fazer, quantos retretes de desentupir, para chegar aos mínimos que lhes permitem (?) conseguir umas beijocas larocas, umas carícias mais ousadas, uns abraços mais apertados.

Não pensei (não quis pensar…) no que teriam de fazer por uma cena um tudo nada mais kinky.

Deprimente.

Mas, depois, pensei mais, pensei “Mas que raio de mulheres são estas que trocam faxina por sexo?”. E se serão muito diferentes de umas outras que trocam dinheiro pelo mesmo fim. Ou, melhor, o mesmo fim por dinheiro. E no embuste que é entrar num casamento de peito aberto e coração cheio e acabar de avental para ter o que se esperaria ser normal receber. De graça e por amor.

Ainda mais deprimente.

Pensei também ”Isto é coisa de americanos”, homens sufocados pela pressão do politicamente correcto e com os cérebros lavados por anos (décadas!) de lixívia igualitária. Muita Oprah na cabeça (deles e delas). Demasiada Oprah.

Pensei finalmente que isto não será aplicável a todos os homens do mundo. Graças a Deus. Por exemplo, não se aplica, com toda a certeza, ao homo taganus, espécie conhecida pela baixa estatura, pilosidade exagerada e bafo a vinho e que habita, desde há milénios, nas margens do Tejo. Um exemplar destes, que se preze, jamais aceitaria uma coisa destas.
Não se rebaixaria – jamais! – a tamanha humilhação. O orgulho não lho permitiria.

Se a mulher lhe dissesse “Óh Zé António, vai-me esfregar o chão da cozinha ou ficas à fome a semana inteira”, o Zé António logo lhe diria “Sim, sim, lava-o tu que eu vou a Almeirim ver uns bezerros”, saindo de casa, no imediato, e voltando madrugada adentro, em bicos dos pés, com baton no colarinho e o fecho desapertado.

E seria bem feito. É que o homo taganus sabe, desde o tempo do Viriato, que aqueles que se rebaixam logo os outros lhes põem o pé em cima

5 comentários:

joana guimarães disse...

Bem vistas as coisas não me parece assim tão deprimente, mas antes uma solução, sem dúvida bizarra, para reunir mais estímulo e energia para o amor.
Fazer o jantar, lavar a loiça, engomar, esfregar o chão da cozinha, deitar as crianças, preparar o dia que se segue e, no fim de tudo isso, entregar-se a arder de desejo nos braços do marido, é, como todos sabemos, uma fantasia. Uma fantasia do homo taganus.

Sofia Galvão disse...

JP, tenho cá para mim que mesmo o mais genuíno exemplar da raça já sentirá uma pequena diferença no dia em que se recusar a pôr o lixo na rua... E quando digo pequena, é modo de falar.

Pedro Lains disse...

E agora algo completamente diferente: porque é que somos sempre nós a pôr o lixo na rua? Sempre me intrigou isso.

SV disse...

«Pensei também ”Isto é coisa de americanos”, homens sufocados pela pressão do politicamente correcto e com os cérebros lavados por anos (décadas!) de lixívia igualitária. Muita Oprah na cabeça (deles e delas). Demasiada Oprah.»

Menos, JP.
Vá lá, não é caso para tanto. Além do que não me parece inteiramente justo que cada um cace com as armas que tem...

SV disse...

perdão... era INjusto, obviamente.