sexta-feira, 14 de setembro de 2007

V. Hodiernos cristãos: consequências civilizacionais

Quais as consequências dessa situação? Vejo-as em dois planos. No plano civilizational geral e no plano do cristianismo, ou melhor, dos cristãos.

No plano geral podemos voltar às nossas premissas iniciais. As consequências são fáceis de adivinhar.

Em primeiro lugar a mediocridade. Não havendo confronto com os dados fundamentais da civilização a criatividade apenas se opera na rotina, mesmo e sobretudo quando tem a capa da revolução. A poesia concreta retoma a composição numérica de origem medieval, a música vai buscar a caos primevo aparente padrões já mais que vistos. Para quem me acuse de exagero apenas pergunto que Gauss, Bach ou Rafael estamos a criar neste momento.

Em segundo lugar a cegueira. Não apenas o espaço circundante se torna mudo, as pedras, as igrejas, os monumentos, as pinturas, as músicas, mas igualmente a nossa linguagem, de origem indo-europeia mas montada sobre assento cristão, se torna absolutamente muda para o próprio locutor.

Em terceiro lugar a manipulação. A identidade europeia não tem lugar de existir, porque só se compreende com o cristianismo e este não pode ser invocado. Por isso o egípcio tem direito de se rir do alemão que diga que é árabe, mas o europeu perdeu o direito de dizer do turco e azeri que digam que não são europeus.

1 comentários:

Carreira disse...

Concordo com a excelente exposição que fez.
parabéns pela análise concisa e objectiva.
Cumprimentos,
José Carreira