segunda-feira, 7 de maio de 2007

A CRISE DE LISBOA

A Câmara de Lisboa vive desesperadamente à procura dum novo rumo desde há uns anos a esta parte e, ao contrário do desejado, apenas tem encontrado mais e mais complicações, num desnorte total em que os seus responsáveis têm perdido mais tempo a defender a sua imagem pública do que a definir objectivos estratégicos para a cidade, prossegui-los com afinco, estabelecer relações de confiança com o sector privado e lançar definitivamente Lisboa como uma capital de referência a nível europeu à escala arquitectónica, cultural, histórica e gastronómica.

Lisboa representa hoje um exemplo paradigmático da degradação política dos últimos anos, quando deveria ser o nosso principal porta-estandarte a nível da promoção internacional do País.

É urgente compreendermos e lutarmos todos para uma solução de estabilidade governativa para Lisboa em que os vários partidos assumam responsabilidades na credibilização das políticas de renovação da cidade, não se limitando, como por vezes tem acontecido, a serem meros espectadores com voz crítica para qualquer iniciativa, seja ela boa ou má, mas incapazes de apresentar alternativas sérias para o desenvolvimento da cidade.

A crise de Lisboa, representando hoje mais uma machadada para o futuro da cidade e bem assim indirectamente para o nosso País, apresenta igualmente sinais de “condenação precoce” de uma equipa que tem vindo a ser inundada de dificuldades jurídicas, políticas e criminais, embora sem qualquer concretização em acusações.

Ficamos todos com a sensação que um conjunto de profissionais competentes e honestos (embora sem um verdadeiro programa para Lisboa) foram mais uma vez deitados para a “fogueira” dos políticos com consequências nefastas para a gestão da Câmara Municipal de Lisboa à qual se exige alma, criatividade, dedicação, mas também estabilidade.

Que todas as forças políticas sejam capazes de entender que, enquanto estes problemas nos vão aparecendo, mais cidades nos vão ultrapassando em interesse, em promoção, em modernização e em desenvolvimento sustentável remetendo-nos cada vez mais para um papel de País periférico de que tanto nos queixamos mas que pouco fazemos para combater.

Exige-se pois, que se aproveite esta oportunidade de mudança em Lisboa para corrigir o rumo já e elevar Lisboa a um estatuto de capital Europeia de primeiro nível, onde sempre deveria ter estado, mobilizando a sociedade civil para soluções que imponham maior responsabilização política no governo da cidade.

2 comentários:

Conde da Vila disse...

Lanço um desafio à Inspecção Geral das Finanças, que parece agora estar a funcionar de forma competente, porque não inspecionar todas os rendimentos dos autarcas e vereadores das nossas linda Câmaras, mas sem esquecer os vereadores da Oposição, pois estes andam sempre muito caladinhos!

Anónimo disse...

É curioso ter vindo parar a este post pelo qual o congratulo. Há dois dias ouviu-o na pele de empreendedor apostado em apaixonar a plateia com o seu afirmado fanatismo pela educação. Gostei do que ouvi. Senti que o compromisso com a mudança e com o país passa pela fé de alguns e pela mobilização de muitos. Senti-lhe fé. Li num semanário que se envolveu na luta política de Lisboa. Ainda bem. Espero que essa força toda se faça sentir, faz muita falta a Portugal pessoas «inteiras» e destemidas. Bem-haja.