domingo, 20 de maio de 2007

As Noites do "La Chunga"

No hay tablao” no “La Chunga”, mesmo em frente ao Hotel Martinez, em Cannes, a cidade do festival de cinema, a cidade dos mercados de televisão.
Piano-bar depois da meia-noite (antes dessa redonda hora é restaurante para factícios príncipes e putativas cinderelas), com música variada e frequência unilateralmente suspeita, “no hay tablao” nem é preciso, porque nas cadeiras ou nas mesas – em todo o lado, menos no chão – jovens mulheres e homens de matura idade dançam enérgica e livremente, sempre bem acima do nível do mar.
Não me lembro de quem canta e do que se canta! Minto, minto: lembro-me da Katty Blue a cantar na materna língua francesa, e também em fluente inglês (naquelas nocturnas horas em que todo o inglês que se ouve parece saltar de Lady Macbeth para o Paraíso Perdido) e ainda (volare, volare!) num macarrónico mas doce italiano. Morena, quase um metro e setenta, olhos negros, nascida, julgo, em St.Tropez.
Não, não me lembro: invento! Ao ponto de me atrever a jurar que Katty Blue tinha a elegância ainda não anoréxica dos 60 quilos!
No “La Chunga”, até às 5 da manhã, dança-se. Em homenagem, creio, a Micaela Flores Amaya, cigana andaluza, bailarina, que os pais fizeram nascer em Marselha e, de Picasso a Ava Gardner, conquistou os grandes do mundo, conhecida e amada como La Chunga. Essa, ela, cujos “pies descalzos” – tendo abandonado aos 21 anos o flamenco por ter casado e sido mãe – mais tarde “volvieron a pisar anoche el tablao del Café de Chinitas”.
Gostaria de pensar que o “La Chunga” foi dela, ou foi criado por amor a ela. E gostaria ainda de acreditar que a homónima peça de Vargas Llosa, protagonizada pela proprietária de um bar no Perú, se inspirou na andaluza bailarina e nesta sexy espelunca do 24 da rue Latour que, perpendicular, desagua na Croisette.
A verdadeira bailarina e a fictícia peça de Llosa são porventura coincidências. Ou são apenas reflexo de um (meu) desiderato descabelado e optimista. Pouco importa. Das minhas noites no “La Chunga” guardo a inocência dum prazer em primeiro grau. Não precisam – aquelas cendradas noites – de caução. Basta-lhes essa intensa e infantil alegria de, cantando mal e dançando pior, terem firmado electivas afinidades.
No “La Chunga”, mesmo quando é de pinguins que se fala, nas cadeiras ou em cima das mesas, dança-se sempre, limpidamente, acima do nível do mar.

3 comentários:

Pedro Norton disse...

Ai se as paredes do La Chunga falassem...

Manuel S. Fonseca disse...

Pedro, mas que falta de memória: as paredes do La Chunga não falam, dançam!

Anónimo disse...

WARNING! WARNING!
The reputation of this bar turned true to me! Unfortunately, I could not believe it before I made my own experience!

The waiters put payments in their own pockets, and ask for payments for the second time! Good trick! It got very obvious to me, that they had developed a tricky system for this! At least I had no choise, but paying the bill for the second time! OK, I am in the happy position that it does not really hurt me. But, I must really say - this was a unique experience. Probably very good extra income for the team involved.

And, my wife did not really appreciate the number of prostitutes there, some of them even trying to make contact with me in front of her. Dont get fooled - if you see a pretty girl in this pub, the chances are very high, that she is a prostitute - another good trick! SO ... SORRY, THIS PLACE STINKS!

By the way, my experience was made on thursday 7.Jun.2007, and for anybody wanting to know more, just email to me under hnhns@web.de.