quarta-feira, 11 de abril de 2007

A IMPORTÂNCIA DA DECISÃO


À boa maneira portuguesa, a tomada da decisão anunciada desde há anos e que, seguindo a tradição da lentidão de implementação habitual, já ninguém levava a sério, gerou na sociedade portuguesa e particularmente na sua elite económica, empresarial e política um coro de críticas que entre outras ciosas propunha um novo processo de análise e estudos subsequentes no sentido de voltar a verificar se a decisão tomada está ou não sustentada técnica e politicamente.

Estou, como já se devem ter apercebido a falar do famigerado novo aeroporto de Lisboa (na OTA), o qual tem ocupado páginas e páginas dos nossos jornais, nomeadamente após o anúncio do governo que afinal é a sério e que o aeroporto vai mesmo em frente.

Qual país pródigo em “treinadores de bancada”, tal a importância do futebol na auto estima dos nossos cidadãos, eis que aparecem os especialistas que calados andaram até agora, a propor soluções alternativas, a “poluir” os critérios técnicos da escolha, a sugerir localizações concretas na margem sul e a por entraves ao impacto ambiental da OTA, supostamente prevista para uma zona de leito de cheias.

Mas, caros amigos, será este um País sério onde se gastam dezenas de milhões de euros em estudos que nos propõem, perante um quadro de várias alternativas, uma solução final na OTA, por ser aquela que, no conjunto, melhor ultrapassa os critérios ambientais, técnicos e logísticos e vimos sistematicamente criticar e por em causa a seriedade com que instituições acima de qualquer suspeita nos vêm apontar caminhos?!

Sejamos sérios, eu próprio, na base de uma análise pessoal e intuitiva acho a solução OTA uma má solução logística para o País e já o disse publicamente apesar de não ser “politicamente correcto”.

Sabemos todos os que viajam por esse mundo fora e que têm a noção que Portugal disputa um lugar de competitividade global todos os dias, a enorme importância de ter uma infra-estrutura aeroportuária de qualidade superior se quiser disputar o “Campeonato da 1ª divisão”. É prioritário para um País que tanto aposta em turismo de qualidade e em turismo residencial para o mercado internacional garantir que os degradantes níveis de serviço do aeroporto de Lisboa possam melhorar e não é possível infelizmente fazê-lo com base na Portela, a não ser que a decisão do governo fosse expropriar uma grande zona à volta do actual aeroporto com o correspondente realojamento das famílias (dizem alguns que seria a melhor solução??).

Assim, se o financiamento do Novo Aeroporto de Lisboa se fará através duma empresa privada, - dado que a ANA irá sair da esfera do Estado – e se para esse privado o aeroporto é um negócio atractivo e financiável sem recurso a fundos públicos, seguramente quer dizer que, apesar da localização não ser aparentemente a melhor, é possível construir a infra-estrutura, não envolver dinheiros públicos e rentabilizá-la enquanto negócio.

Não venham pois os profetas da desgraça anunciar os inconvenientes para o Turismo português dum novo aeroporto na OTA ou falarem do desbaratar de recursos públicos que irão ser necessários e de um novo “elefante branco??” que por acaso irá ser totalmente financiado com base na qualidade intrínseca do próprio projecto.

O País precisa de decisões! É seguramente melhor uma decisão menos boa mas minimamente fundamentada do que a indecisão permanentemente fonte de iluminação dos pobres de espírito.

1 comentários:

Pedro Norton disse...

Compreendo e subscrevo o elogio que o Diogo tece à capacidade decisória. Mas infelizmente Portugal está cheio de maus exemplos de obras públicas com derrapagens orçamentais obscenas e de utilidade duvidosa. Para não ir mais longe cito o famigerado exemplo dos estádios de Aveiro, Leiria ou do Algarve que, tal como muitos então previram, estão hoje transformados em verdadeiros elefantes brancos. Ora num país assim, em que a culpa tradicionalmente morre solteira e em que os decisores das grandes obras públicas são inimputáveis, é absolutamente compreensível o clima de suspeição instalado. É caso para se dizer que, sendo tantos os disparates do passado, o ónus da prova está invertido: na dúvida aconselha a história a que não se avance. E no caso em apreço, o mínimo que se pode dizer, é que não estão esclarecidas todas as dúvidas.
ps: o argumento do investimento privado não colhe sem que se conheçam exactamente as garantias que o estado prestará aos investidores. No fim do dia importa perceber de que lado está o risco. Eu, talvez por mera ignorância, não tenho isso claro.