segunda-feira, 31 de agosto de 2026

A Begoña é uma Begoña


Eu não digo que Begoña é uma corrupta. Isso só os tribunais podem dizer. Os tribunais existem para dizer coisas feias sobre as Begoñas.

E não sendo eu tribunal não faço isso com a Begoña. Com a Begoña apenas faço ontologia. E mais nada. Olho para a Begoña e nada mais me apraz fazer. Nem olhar.

A Begoña tem a elegância no andar de um halterofilista. Vê-se que vem de uma família onde carregar pesos é o estado natural.

Eu não sei se ela levanta pesos ou faz musculação. O marido da Begoña deve saber. Mas eu nunca quis estar dentro do marido da Begoña. E para ser sincero também nunca quis estar dentro da Begoña.

Viver com uma Begoña parece ser um prazer para o seu marido tanto quanto é uma inevitabilidade para a Begoña. Da minha parte posso atestar que, se é pecado cobiçar a mulher do outro, nunca pequei por causa da Begoña. A Begoña deixa-me imaculado.

Entendamo-nos: a Begoña é só para ela e para o marido dela. Mais ninguém tem de ter Begoña. São ambos ateus e quando os vejo também eu tenho a vontade de descrer em Deus. O mundo em que eles vivem não foi criado por Deus mas por Begoña.

Não há maior Begoña que a Begoña. Se uma pessoa quiser saber o que evitar pode apontar: ali está uma Begoña. O próprio marido da Begoña se casou com a Begoña sabendo que era uma Begoña. Não foi enganado. O contrário do que dizem que Begoña faz. Mas o que se diz sobre a Begoña esquece o essencial: ela é uma Begoña e o próprio registo civil o atesta. De onde ela veio a família era Begoña e ela seguiu sendo Begoña.

A Begoña vai a tribunal querendo demonstrar que é impoluta. E se ela quiser que a chame de impoluta assim a chamo a ela e à mãe dela se ela quiser. Mas vai ser o próprio tribunal a notificá-la como Begoña e vai dizer que, mesmo impoluta, será sempre uma Begoña. A Begoña tem uma ontologia própria, feita à sua medida e concitando o consenso. Mesmo os amigos acham que ela é uma Begoña e o tribunal, o mais alto que a pode chamar, é de impoluta.

Eu tinha Begoña se a tivesse. Mas o marido, que a tem, não tem Begoña. De onde se prova que não tem Begoña quem quer, mas quem pode. E outras nascem Begoña. E quanto a essas nada há a fazer. Begoña ficam. Aviso para o mundo, que quando se nasce Begoña, o melhor que teremos a ensinar ao seu marido é de manter as fronteiras. Mas é natural que os maridos das Begoñas acabem incontinentes. Ele está sempre próximo da Begoña e ficamos nós felizes por não sermos nós.

O rapaz tem mais Begoña que algum dia eu merecerei ter. Ninguém merece tanta Begoña quanto ele. Quando vê o seu circunflexo perfil pensa que deveria ter Begoña e o mundo fica feliz por ele ter esgotado essa quota de Begoña e não sobre mais para os outros. Ter a beleza de Tirésias e o destino de Sísifo só para quem podia não ter Begoña mas ficou com toda. É um grande defensor dos direitos humanos, que lhe dão votos e também os da sua Begoña. E as coisas que a Begoña lhe dá não temos nós de o fazer. A Bogoña é um alívio para o resto da humanidade, portanto.

Não posso dizer que o rapaz se coloca acima de qualquer Begoña, porque desconheço as suas posições na matéria, e não sei se o seu afã pela Begoña é plural. Mas tanto um como outro são corajosos. A Begoña por estar com ele e ele por se deitar com Begoña. Ninguém se aproxima tanto da Begoña quanto ele e até ao momento parece mesmo ver nisso um modo de vida. Que fique com a Begoña quem não arranjou melhor na vida. Menos lares estragados. Não desejo a ninguém viver com a Begoña. Mas acho que a Begoña merece o rapaz.

Agora em Ceuta a população diz que a mãe dele não tinha Begoña. Que ele é filho de uma sem Begoña. Parece-me natural, a mãe dele não tem o dever de ser lésbica e talvez ele precise de uma Begoña porque vem de quem não a teria. Mas que importa isso? Desde que ele fique com toda a Begoña do mundo e fiquemos nós sem ela.

Vamos nós sem Begoña, e contentes por isso. Mais leves. Ele qui-la, paga-a. E ela que se dê por contente que alguém lhe dê um preço. É questão que a gente de Ceuta omitiu sobre a mãe do seu marido, mas que esperamos que este acolha no preçário da sua alma. Se a sua Begoña não tem preço é questão de a colocar no mercado.

 

 

Alexandre Brandão da Veiga

 

 

 

 

 

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