Os paradoxos do progressismo
Os ditos actuais
progressistas não são muito dados à lógica e por isso vivem bem com
contradicções evidentes.
Em primeiro lugar,
dizem-se ao mesmo tempo progressistas e relativistas sem verem como tal é
impossível. Adoptar um progresso é dizer que algo é objectivamente melhor que
outra coisa. Se tudo tem um valor relativo não há melhor nem pior, logo não
pode haver progresso.
O meu argumento não é só
lógico - e já tal bastaria - . É empírico. Ser progressista significou
historicamente dominar raças inferiores como a ciência teria provado, seria ser
a favor do colonialismo como forma de civilização, ser contra o voto das
mulheres porque a ciência teria provado que são intelectualmente inferiores e
estão por isso dominadas pelos padres, ser a favor da perseguição dos
homossexuais porque a ciência provou que é uma perversão.
Seja o que for que um
progressista dê como progresso, por mais tonto que tenha sido, foi ao menos
coerente no passado e hoje em dia deixou de o ser.
A segunda contradicção
dos progressistas actuais é a de dizerem que são progressistas e por isso não
lhes interessa o passado. Ora o problema é que o progressismo só existe caso se
preencham duas condições: haja um juízo comparativo, e que esta comparação seja
feita em relação ao passado. Se um progressista diz que não lhe interessa o
passado quer um progresso em relação a quê?
O progressista não é bom
em lógica e deixa escorregar a tamanca nos terrenos da ontologia. Quem o quiser
por companheiro que se deixe levar como ele por um mundo sem lógica, sem
essência, e em suma sem possibilidade de elevação.
Alexandre Brandão da
Veiga

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