segunda-feira, 30 de março de 2026

Os paradoxos do progressismo

 


Os ditos actuais progressistas não são muito dados à lógica e por isso vivem bem com contradicções evidentes.

 

Em primeiro lugar, dizem-se ao mesmo tempo progressistas e relativistas sem verem como tal é impossível. Adoptar um progresso é dizer que algo é objectivamente melhor que outra coisa. Se tudo tem um valor relativo não há melhor nem pior, logo não pode haver progresso.

 

O meu argumento não é só lógico - e já tal bastaria - . É empírico. Ser progressista significou historicamente dominar raças inferiores como a ciência teria provado, seria ser a favor do colonialismo como forma de civilização, ser contra o voto das mulheres porque a ciência teria provado que são intelectualmente inferiores e estão por isso dominadas pelos padres, ser a favor da perseguição dos homossexuais porque a ciência provou que é uma perversão.

 

Seja o que for que um progressista dê como progresso, por mais tonto que tenha sido, foi ao menos coerente no passado e hoje em dia deixou de o ser.

 

A segunda contradicção dos progressistas actuais é a de dizerem que são progressistas e por isso não lhes interessa o passado. Ora o problema é que o progressismo só existe caso se preencham duas condições: haja um juízo comparativo, e que esta comparação seja feita em relação ao passado. Se um progressista diz que não lhe interessa o passado quer um progresso em relação a quê?

 

O progressista não é bom em lógica e deixa escorregar a tamanca nos terrenos da ontologia. Quem o quiser por companheiro que se deixe levar como ele por um mundo sem lógica, sem essência, e em suma sem possibilidade de elevação.

 

Alexandre Brandão da Veiga

 

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