segunda-feira, 12 de abril de 2010

A Leste nada de novo



«What diference does it make?! A piece of Poland changes hands, a new prince is established in Austria. Oh it's so boring to worry about things like that!», desabava a Condessa Bezukhov, no «Guerra e Paz», o filme em que King Vidor adapta Leo Tolstoi.
A longa planície de aristocratas, mineiros e camponeses, que é a Polónia, sempre assim foi tratada por qualquer tendência hegemónica. Tártaros, franceses, austríacos, suecos, alemães, turcos ou russos olharam para ali como a loira russa Bezukhov: «a piece of land to change hands» (vale a pena ler «Poland», de James Michener, Random House 1983).
Mas o pior invasor foi sempre a Rússia. Hoje, acidentalmente, como ontem indiferentemente, o gigante a Leste testemunhou a morte da elite polaca no exacto momento em que se evocaria o massacre de Katyn, em 1940, uma barbárie que, durante décadas, a URSS emprestaria à reputação nazi.
Dentro de cinco anos poderemos lembrar igualmente os 70 anos do horror vivido no «Levantamento de Varsóvia», mesmo no final da II Guerra Mundial, (apesar do lobby judeu ocupar eficazmente o pleno da memória histórica das perseguições nazis, na capital polaca, com o guetto de Varsóvia). Nessa altura, a resistência polaca morreu nas mãos dos alemães em fúria, perante a passividade do exército russo «aliado», que esperou no outro lado do rio Vistula pelo fim do massacre, para depois ocupar a cidade sem problemas. Há três anos que o museu do «Uprising» em Varsóvia corrige o apagamento dessa tragédia, com verdade e sobriedade.
O que importa reter é que a planície sem defesa, os vizinhos sem escrúpulos ou o País sem elites nada podem contra a verdadeira força da Polónia: o Espírito.

4 comentários:

joão wemans disse...

É bem verdade; assim como é irónico que a 2.ª Grande Guerra tenha sido desencadeada para livrar a Polónia das garras nazis ... para abandoná-la noutro par de mãos de ferro.

miguel vaz serra....... disse...

Algo que faz pensar que não somos ninguém..realmente...Lembro que um dos Polacos mais amados no Mundo inteiro e que não me envergonho de dizer que tenho uma fotografia Sua no quarto, é o saudoso Papa João Paulo II que TANTA falta nos têm feito.....tanta..................Já me fez ir duas vezes ao Vaticano depois de morto. Fico sempre paralisado em frente á tumba. Não sei que fazer nem pensar. Mas estou.

Inez Dentinho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Inez Dentinho disse...

A vida da Pólónia no Século XX pode ser personificada em João Paulo II. A miséria, a orfandade, a cultura e a Fé eram denominadores comuns a muitos polacos. Tal como a resistência ao nazismo, à URSS, ao ateísmo oficial. Ou o apoio aos trabalhadores dos estaleiros de Gdansk. Só aquele espírito para derrubar a superpotência soviética.