sexta-feira, 15 de maio de 2009

Bem visto

"(...) Sem ensino pré-primário, uma escola sem moral, uma ideologia de facilitismo e de irresponsabilidade, bairros sociais que são guetos, integração social e moral impossível e uma sociedade avessa a impor valores, conduziram a esta situação socialmente explosiva. E para percebermos o que se passa, nem falei da Crise. Neste caso não há crise, há uma catástrofe social cozinhada em lume brando nos últimos anos da nossa política."

O que de melhor vi escrito sobre a Bela vista. Luís Campos e Cunha no Público de hoje.

2 comentários:

Pedro Lains disse...

Sim, mas quem são os agentes dessa história? E não estou a falar dos polícias. Quem é essa sociedade? Que valores? Falta algo de concreto. Temos duas visões em confronto, a do PL e a do LCC. Como discuti-las? Não sei.
Mas é engraçado que aqui no meu bairro aquelas coisas não acontecem. Será dos valores, da sociedade? Ou é tudo uma questão de meios, meios para se fazerem coisas, meios para nos sentirmos realizados? Ter emprego e dinhero para ir à praia ao fim-de-semana ajuda. Não que explique tudo, mas ajuda a explicar.

Sofia Rocha disse...

Pedro,
Não há respostas simplistas para estes problemas e a complexidade é tanta que até pessoas ideologicamente próximas divergem entre si.
Falou em praia e eu deixo o meu testemunho.
Não resolve coisa nenhuma mas determinou a forma como eu penso.


Quando estudava em Peniche, vi ser construído o primeiro bairro social deste tipo. Não os bairros simples de pescadores que há em Peniche ( ao pé da Papoa ou ao pé do Forte) mas 4 ( penso que são 4)blocos brancos que ficam ao pé da praça e em frente aos correios e para onde se mandaram os excluídos (etnia cigana, africanos vindos das colónias e outros).
Logo no imediato se tornou conhecido como o " Cambodja". É um mercado de droga, toxicodependência e prostituição para desespero das poucas famílias trabalhadoras que lá ainda havia.
Vivem da prática de crimes.
A situação piorou com o Rendimento de inserção social. A partir desse momento é todo um modo de vida.
Tomam o pequeno-almoço nas pastelarias ( Peniche deve ser a localidade portuguesa com mais pastelarias por metro quadrado).
Divertem-se a assaltar os miúdos que vão para a escola.
Pagamos para que não trabalhem, para os manter drogados, calmos e para não aborrecer os burgueses.

É quase como no circo, entopem-se os tigres de carne para que o domador entre na jaula sem grande perigo.
Ainda assim é um modo de vida perigoso, às vezes os tigres chateiam-se e abocanham a cabeça do domador.

É assim há 15 anos, não tem nada a ver com a crise.
Todavia, tem a ver com a crise o facto de os estabelecimentos comerciais estarem todos a fechar em Peniche, lançando para os desemprego os seus proprietários e colaboradores.
Estes morrem de vergonha da sua situação, tanta que não vão para as pastelarias tomar o pequeno-almoço.

Valores: trabalho, vergonha e já agora o mais reaccionário de todos - tomar o pequeno-almoço em casa.