domingo, 9 de novembro de 2008

A Geração de 60 – uma opinião no momento

“Elogio em boca própria é vitupério” dizia o Senhor Professor durante as aulas, imediatamente antes de se gabar…

No entanto, neste momento, sinto-me apenas um observador e, nessa qualidade, não vou resistir e faço questão de afirmar, em alto e bom som, que este blog é mesmo interessante.

Não é nada que não soubesse já, bem entendido. Mas por vezes, como todos sabemos, a realidade tem momentos em que se expõe de forma mais clara. Faz-nos ver o que já conhecíamos mas com outra definição – com melhor definição. Dá aos desenhos linhas mais marcadas, por assim dizer. Empresta cores ao que antes passava (apenas) a preto e branco.

Acabei há pouco de fazer uma viagem pelos últimos posts e mal dei pelo tempo passar. Li e reli, deixei-me passear, entretive-me e, verdadeiramente, aprendi. Mas não só. Sorri. Desconfiei. Confirmei. Recostei-me para trás e apreciei o estilo - e o pensar - daqueles que aqui escrevem. Reconheci o perfil de uns e recortei o de outros (há sempre uma primeira vez).

E não me refiro (apenas) aos bloguistas residentes. Os nossos visitantes são do melhor que há. Que comentários interessantes! Que cultura! Que graça! Que diferenças! Que magnífica companhia!

Obrigado.

Só lastimo os anónimos. Gente que não se expõe. Que, ao vivo e a cores, diz baixinho (e para o lado) ou não diz de todo. Que num grupo em discussão guarda em silêncio opiniões e grita, mas só para dentro, “eu faço e aconteço”, “comigo seria assim e assado” mas que, em tempo real e no espaço dos homens, se mantém apenas na sombra de si própria. Gente sempre escondida atrás de um biombo com medo que este caia e a luz do dia lhes exponha as partes sabujas.

Credo.

Mas ao que interessa, que dos fracos não reza a história. Alguns exemplos do que mais me entreteve:

Começo pelo post do Pedro Norton que – e ainda bem! – teve direito a contraditório imediato do próprio visado pelo texto (no caso, Pedro Santana Lopes). A liberdade do Pedro, o nosso, ajuizar da forma que melhor entende uma entrevista do Pedro, o outro (sem desrespeito), é fundamental e inerente a qualquer meio de comunicação. Mas o facto deste meio, em particular, permitir que se responda com igual liberdade e nos mesmos termos, mantendo toda a actualidade, torna-o, sem dúvida, especial. Se isto não é a essência de um blog, então não sei qual é.

“Recebi” o tentador convite da Inês Dentinho para uma visita ao Palácio da Independência e li-a a escrever sobre o que Carlos Reis falou a propósito d’ El Rei D. Carlos. Mas que conjugação de nomes! É como ter uma especialista sobre a Rainha Isabel chamada Isabel Rainha (ou Elizabeth Queen, for that matter).

Fiquei extasiado (e não é caso para menos) com o nível técnico e o conhecimento expresso nos comentários ao excelente post do Pedro Lains sobre o porto de Lisboa, com vários Comandantes a opinar, com todo o a propósito e sem qualquer cerimónia. Foi de tal maneira que agora navego à bolina por cima desse mar batido que é a questão dos contentores e estou pronto para fundear a âncora em torno de qualquer debate sobre tão intrincado assunto.

Fiquei com vontade de gastar umas lecas (talvez umas 101…) com os “101 Heróis”, da Guerra & Paz, editora do nosso Manuel Fonseca, ele próprio certamente um herói – quem é que duvida da coragem necessária para se ser editor numa altura destas?

Ler sobre a grandeza dos outros faz bem a qualquer alma e alimenta o espírito que sofre pela sua pequenez. Recomendo o livro, em particular, aos “nossos” anónimos, como fonte de inspiração e instrumento catalisador de uma eventual mudança, mesmo que não desejada. É que a grandeza é contagiosa. Pega-se por proximidade.

E é por tudo isto (mas não só) que vale a pena entrar aqui

8 comentários:

Sofia Rocha disse...

JP, esssa sua opinião é tudo menos isenta.
Eu tenho algumas reservas, de que deixo aqui alguns exemplos.
1- Não se se percebe uma linha editorial: é um blog de centro-direita ou de centro-esquerda?
É um blog a favor de PSL ou contra PSL?
É um blog monárquico ou republicano?
É um blog pró Obama?
É um blog religioso ou um blog agnóstico?
Não se percebe. A falta dessa linha editorial pode tornar mais difícil a leitura e a empatia com o blog.
2 - A grande diferença, de posição, de nível mesmo, entre os autores.
Alguns só escrevem vulgaridades e semprem que podem resvalam para coisas sentimentais, como falar dos gostos pessoais, e contar histórias, como se isso interessasse deveras.
3 - Um certo tom blasé, como se tudo fosse passível de crítica.
Em suma, brincam com coisas sérias.
4 - A fraca representatividade das minorias.
Percebe-se claramente que há grupos que não estão devidamente representados.

Atentamente, leitora devidamente identificada.

JP Guimarães disse...

Sofia,

Quanto às suas reservas deixe-me dar-lhe a minha opinião:

1. De acordo com o editorial que "assinei" quando entrei neste blog, este é um espaço plural de debate e não tem linha editorial no sentido que refere. Graças a Deus;

2. A grande diferença de estilo e de abordagem entre os autores , penso eu, é desejada. Como espaço democrático (e não aristocrático) era difícil que tivessem todos o mesmo nível. Para além disso, os mesmos autores tendem a alterar o registo em que escrevem (umas vezes mais a sério, outras mais a brincar e sobre assuntos mais leves). E ainda bem;

3. Não vejo neste blog o tal tom blasé que refere mas acredito, em qualquer dos casos, que tudo é passível de crítica e que se pode brincar com coisas sérias (sem ofender);

4. Quanto à alegada fraca representatividade das minorias não sei se estará a pensar (ou a sugerir?) num sistema de quotas. Mas, admito que há muitos grupos que não estão devidamente representados (mais, há grupos que não estão sequer representados). Ainda assim, acredito que os actuais autores não representam (nem têm) uma visão uniforme da vida.

Sofia Rocha disse...

JP,
Quer dizer que este é um blog em que a liberdade e a diversidade são valores fundamentais?
Que cada um dos autores assume o que escreve, no tom que lhe é próprio?
Que neste blog se cultiva o bom-humor, apesar da lucidez?
Que a mesquinhez e a tacanhez não estão aqui representadas?
Valha-me Deus, no que eu me vim meter...não estava nada à espera.

JP, o meu comentário, era uma paródia.

Porque a sério teria muita dificuldade em dizer que gosto muito de aqui estar, e que me tivessem convidado para aqui escrever, sem que algum de vós me conhecesse.
Foi democrático e generoso.

Ao Geração de 60, um beijo muito grande.

Pedro Norton disse...

Se não viesse a despropósito, apeteceria dizer que entre marido e mulher não se deve meter a colher.
Seja como for, registo com agrado que já se entenderam.
Quanto à generosidade, Sofia, não se iluda. Foi puro interesse. O Geração ficou muito melhor desde que a contratámos!

Sofia Rocha disse...

Pedro,
Entre marido e mulher pode e deve por-se, a colher, a faca e a polícia.
Depois, nunca o JP eu nos desentendemos, houve apenas um breve equívoco, de que apenas eu sou culpada.
Seria impossível eu zangar-me com o JP. o JP é um cavalheiro.
Rigorosamente, a propósito do contrato, foi um negócio jurídico bilateral gratuito.
Por último, se começarmos aqui a fazer elogios uns aos outros arriscamo-nos a pulverizar o seu record de comentários a um post.
Ainda está na sua posse -aquele dos 14 comentários- não?

Anónimo disse...

Se o JP Guimarães não quiser a indesejável companhia de anónimos, faça como eu: evite-os! É por essas e por outras que não tenho um blog. Já me basta a gente com que sou obrigado a cruzar-me nas ruas. O JP Guimarães põe-se a jeito e apanha com os lastimáveis anónimos

JP Guimarães disse...

Sofia, confesso envergonhado o meu disparate. Ainda me estou a rir (de mim próprio, bem entendido). É o preço a pagar por uma vida a correr. Li, estranhei (de facto) mas nem pensei. No momento (como no titulo do post), respondi. Não leve a mal.

Sofia Rocha disse...

JP, não posso levar-lhe a mal. Eu no Verão consegui fazer pior: confundi posts do Gonçalo e do Alexandre. A transformação era de tal monta, que até achei que tinha tido lugar um fenómeno parecido com "A Cidade e as serras". Tenho para mim que o Alexandre nunca me perdoará.