domingo, 12 de outubro de 2008

Queiroz, um outro Mamede


Deus queira que me engane.

Ninguém põe em causa a competência técnica ou a inteligência do discurso.

Não se questiona o papel de pai da Geração de Oiro do futebol português, nem o contributo efectivo ao Manchester de Mestre Ferguson.

O que se pode pôr em causa é se Carlos Queiroz tem o que é preciso para ser o número 1 de uma equipa. O seu líder e comandante supremo.

Sporting, Selecção Nacional (numa primeira encarnação), Real Madrid e os primeiros jogos ao comando da selecção de todos nós (num anunciado segundo mandato) são prenúncios de uma (falta de) vocação que, a mim, me parece evidente.

Deus queira que me engane.

Nunca simpatizei particularmente com Scolari mas dificilmente poderia ter posto em causa o élan que transmitia à selecção nacional. Com o brasileiro aos comandos habituámo-nos a esperar (sempre) o melhor. Passámos a acreditar nas vitórias fosse contra quem fosse e que o destino torcia por nós. Pusemos para trás das costas as (tristes) vitórias morais.

Com Queiroz volta o fado português. Voltam as contas para o apuramento. A famosa matemática. Os golos (contra) nos últimos minutos. Com Queiroz não vale a pena esperar por um rasgo de sorte, um vento favorável do destino, porque nada disso chegará.

Queiroz é uma espécie de Mamede. Não se duvida das qualidades mas não se acredita nos êxitos. Tem tudo a seu favor mas nos momentos chave falha. Traz consigo as competências mas na hora H estas não chegam. Desafia o destino mas nunca encontra a sorte.

Olho para esta selecção e vejo o Portugal de outros tempos.

Deus queira que me engane.

7 comentários:

Pedro Norton disse...

JP: Convenhamos que podia ser mais grave.Imagina que o homem era treinador do Benfica!

F. Penim Redondo disse...

Também estou com essa incómoda sensação...

Anónimo disse...

Pois!...

Sofia Rocha disse...

JP, gosto tanto do tema que vou escrever sobre o memso, espero que não leve a mal.

Luis Melo disse...

Tal como escrevi no meu blog, o problema é de coragem. De uma efectiva e real mudança de alguns jogadores, tácticas, estratégias, dirigentes até.

Redonda disse...

Apesar de concordar que a situação poderia ser mais confortável - aquele jogo com a Dinamarca foi um suplício - lembro que na era Scolari não foi preciso fazer contas para o Europeu pois estávamos em casa e para o mundial também passamos por alguns sustos.

Pedro Figueiredo disse...

Só essa grande figura que é Sr.Madaíl para convidar o Prof.Queiroz para uma tarefa destas. O homem (Queiroz) estava tão bem onde estava: Vivia em Inglaterra/ bom ordenado/ sem pressão por aí além. Deu um tiro no pé com uma arma de grande calibre. Só resta saber se o Sir Alex o aceita de volta, mais uma vez, perneta...