quinta-feira, 11 de setembro de 2008

As Ideias Perigosas

...Regressando do terreno das amarguras nórdicas, onde a glória pessoal (três golos, um de improvável trivela) se perde na errância patriótica, aos pés torpes desses misséis altos, de cabelo loiro - perdoem-lhes, porque eles só têm a sorte e Hans Christian Andersen.

Regressando às ideias que ameaçam: "Grandes Ideias Perigosas" (Tinta da China, Maio de 2008) é a tradução do original norte-americano de 2007, uma resenha da pergunta lançada pelo psicólogo de Harvard, Steven Pinker, no âmbito de um "think tank" progressista - mesmo para os padrões do ocidente europeu - chamado "Edge" (edge-org, vale a pena uma consulta periódica na Net), que há uns anos vem defendendo, de forma despretensiosa, a chamada Terceira Cultura, a saber: os intelectuais do mundo pós-moderno, moldados na ressaca dos anos 70, cristalizaram-se na desconstrução da linguagem e na reavaliação do quadro de pensamento antes conhecido por Artes e Letras, esquecendo a importância crítica da reflexão científica.
No fundo, trata-se de um regresso ao passado: de Da Vinci a Richard Feynman, os homens que pensam verdadeiramente o seu tempo - e as consequências desse tempo no futuro - são os que integram a cultura "artística" na cultura "científica".
Na minha modesta opinião (a madrugada permite-me escrever isto com sinceridade), os notáveis subscritores desta célula altamente desestabilizadora ( Pinker, Richard Dawkins, John Brockman, Rupert Sheldrake, Matt Ridley, Daniel Dennett, Craig J. Venter - esse mesmo, o geneticista herético) só pecam por defeito: O FUTURO DO PENSAMENTO QUE IMPORTA É EXCLUSIVAMENTE CIENTÍFICO - desde que praticado por homens e mulheres que compreendam emocionalmente Vermeer e Martin Luther King...
Ainda as Ideias Perigosas: estas agoras publicadas em Portugal resultam da pergunta colocada ao grupo em 2006 por Steven Pinker: "A história da ciência está cheia de descobertas que, na sua época, foram consideradas social, moral ou emocionalmente perigosas: as revoluções concretizadas por Copérnico ou por Darwin são as mais óbvias. Qual é a sua ideia perigosa? Uma ideia em que tem meditado (não necessariamente uma ideia sua, original) e que acha que é perigosa, não porque se presume que é falsa, mas porque pode ser verdadeira?

Dois exemplos retirados do livro:
- "O nosso planeta não está em perigo". Oliver Morton, redactor principal da "Nature", defende que as - grandes - crises ambientais sempre foram uma parte crucial da história da Terra. Depois de tremendas flutuações da temperatura, glaciações severas, fortes impactos de asteróides e cometas, a Terra, continua aqui, incólume. E continuará, tomando conta de si própria, alheia a flutuações alarmistas. (O que não significa que deixemos de cuidar dela o melhor possível).
- "A gramática moral universal é imune à religião". Para Marc Hauser, existe uma larguíssima diversidade de juízos morais imunes a variações demográficas ou culturais, entre os quais o enquadramento religioso (concordo).

Acho que os nossos estimados cúmplices (do 1 ao 100 000) gostariam de saber qual é a Ideia perigosa de muitos de vocês. Que Ideia Perigosa têm para 2008?

Deixo a minha: "A plena compreensão do fenómeno da consciência é impossível".

3 comentários:

Pedro Marta Santos disse...

Escolho uma nova ideia (a anterior não é perigosa, é medrosa): "A única fórmula política de organização social é a que prescinde definitivamente da esperança de igualdade e aposta tudo numa compreensão da diversidade".

Manuel S. Fonseca disse...

Pedro, aceito o desafio. Aí vai a minha ideia perigosa:
"EM 2008, O SILÊNCIO É DE OURO".

Manuel S. Fonseca disse...

Pedro,
aceitas ideias perigosas retrospectivas? Lá vai:
"PORQUE É QUE NO GOVERNO DE GUTERRES E SENDO MINISTRO DA CULTURA O FILÓSOFO CARRILHO, O SEU MAIOR ADVERSÁRIO ERA SÓCRATES". Mistérios da maiêutica?