terça-feira, 8 de julho de 2008

Velhos são os trapos




















Há duas semanas atrás estive a jogar rugby com veteranos de toda a Europa num evento denominado EGORF – European Golden Oldies Rugby Festival.

É um festival e não um torneio, com jogos bem disputados mas sem que haja um vencedor final. Tem lugar de dois em dois anos num país diferente. Este ano foi em Portugal – mais concretamente na Madeira – numa excelente organização dos veteranos do Porto Old Greens (a quem presto homenagem na fotografia acima).

Reúne gente que não quer pendurar as botas e que acredita no poder redentor do jogo e da amizade. Aliás, a ênfase está, como se pode ler no respectivo site, em “Fun, Friendship, Fraternity and Family”.

Os veteranos são ex jogadores com mais de 35 anos que jogam em dois níveis: competitivo (em principio, até aos 50 anos) e “fun” (com a maioria dos jogadores acima dos 50).

Nesta modalidade (fun) - e devido à idade mais avançada - alguns dos jogadores ostentam orgulhosamente calções encarnados indicando que não podem (nem querem!) ser placados enquanto outros, ainda mais “experientes”, vestem galhardamente calções amarelos (golden, para ser exacto) não podendo, praticamente, ser importunados pelos jogadores adversários.
E ainda bem. Homens com mais de 70 anos corriam - e divertiam-se! - e mostravam como a idade não é (ou não tem que ser) um obstáculo.
Vem isto (também) a propósito de uma notícia de imprensa deste fim-de-semana intitulada “Os Novos Velhos” fazendo, em particular, referência a Luís Aragonês, o treinador espanhol campeão da Europa.

E em boa hora. Numa altura em que tanto se parece subestimar a experiência dos (mais) velhos e a importância que esta tem, estes exemplos (como o de Aragonês) nunca são de mais.
Recordo (numa adaptação livre) um provérbio (julgo que) árabe que recomenda a quem precisar de conselhos que escolha a experiência sobre a escolaridade.

Numa altura em que a esperança de vida não pára de aumentar este é, sem dúvida, um tema para pensar.


3 comentários:

Sofia Rocha disse...

JP, agora percebo porque é que quando o questionei sobre a Casa das Mudas, ou sobre o Barroco das igrejas do Funchal, ou sobre a livraria mais estranha, o silêncio do Paúl da Serra, me disse que não senhor.Está perdoado, com a condição de lá voltar e ver o que tem de ser visto.

JP Guimarães disse...

Sofia, pois é... está aqui a explicação. Quanto ao resto, está prometido que na próxima visita não deixarei de ver o que tem de ser visto. Aliás, ainda antes de ir, vou pedir-lhe o favor de me fazer um roteiro como deve ser.

Pedro Norton disse...

JP: mas para aproveitares o roteiro tens de jurar que consegues estar sóbrio durante duas horitas.