sábado, 5 de julho de 2008

Mãos de fada

A Agência Portuguesa de Revistas publicava, naqueles tempos, esta revista, "As Mãos de Fada". Fosse crochet ou ponto cruz, as mãos eram assim qualificadas por serem orientadas, e cito, "por um forte querer activo que se dirige o mais possível para o bom e o belo".

7 comentários:

Sofia Rocha disse...

Ou seja, deixam-se estes predicados, a bondade e beleza, para as mulheres, sendo as mulheres avaliadas pela existência e grau destas qualidades. Aliás, no artigo da semana passada, Miguel Sousa Tavares repetia a ideia dizendo que, desde que as mulheres fossem mais competentes do que os homens, não se importava que elas os substituíssem na política, em cargos de direcção, etc. Mas só se fossem melhores, porque, se não, era melhor deixar tudo como estava. Já fomos inferiores, e por isso incapazes. Agora, para sermos capazes, temos de ser superiores.

Anónimo disse...

E naqueles tempos não podiam usar mini saia nem biquini.
Tudo porque o "Botas" metia-se em tudo. Até na moda. Pelo menos ouvi na televisão recentemente.

Manuel S. Fonseca disse...

Oh, não, Sofia, não me faça a desfeita de acreditar que esta minha incursão pelo crochet e pelo ponto cruz teria outro objectivo que não fosse um preito de homenagem à prodigiosa APR.
Não quis - nem quero - desencadear batalha sexista, nem sequer a batalha ideológica do anónimo acima. Acontece é que as revistas da APR eram mesmo fulgurantes e, retrospectivamente, a estratégia era original.

Pedro Norton disse...

Manuel: a única forma de provar a pureza das suas intenções é passar a tarde a fazer ponto cruz e levar um naperon para oferecer à Sofia no nosso jantar de mais logo.

Sofia Rocha disse...

Um não, três. Um para cada sofá...

Manuel S. Fonseca disse...

Bem me palpitava que o Pedro que era mestre de crochet...

Inez Dentinho disse...

Estas práticas são excelentes para um controlo produtivo dos nervos. Combatem-se agruras do passado, com um presente descansativo num produto útil e no futuro. Com estética e habilidade. O gosto que tive em receber lençóis, toalhas e guardanapos bem bordados pelas pacientes antepassadas, não darei às minhas filhas. Requintes (também afectivos)de sempre que assim se perdem num ápice, de uma geração para a outra.