sexta-feira, 4 de abril de 2008

It's only rock'n roll




Primeiro a confissão de uma pequena heresia. Scorsese nunca me encheu as medidas. Explico melhor: Scorsese nunca me encheu as medidas como realizador de ficção. Taxi Driver, Raging Bull, Departed, bem sei, bem sei. Mas estas coisas não se discutem.
Dito isto, confesso que tenho um fraquinho pelo Scorsese documentarista e divulgador do cinema. O seu Last Waltz é de antologia (vi-o uma única vez há muitos anos num ciclo da Gulbenkian) e os seus tributos ao cinema americano e italiano são absolutamente imperdíveis (e estão disponíveis na FNAC).
Esta semana estreou em Londres o seu último documentário: Shine a Light. O tema, «ça va de soi», são os eternos, os míticos, «les» Rolling Stones (como são apresentados no extraordinário Love you Live). Ainda não vi mas declaro já que vou gostar. Juntar Scorsese (versão documentarista) e os Stones é para mim garantia que baste.

6 comentários:

Pedro Lains disse...

Mais um herege: a mim também não. Tem coisas boas mas também coisas muito chatas. Mas como pessoa parece simpático e o que aí vem promete, promete.

sofia rocha disse...

Para os Pedros: excomungados, os dois!
Para o Pedro Norton: se por acaso vir o doc. antes dos outros, está desde já obrigado a contar tudo!
Para o Pedro Lains: dizer de uma pessoa que parece simpática, não é muito abonatório, pois não? Se alguma vez me disser que eu pareço simpática, fico ofendida.
Good Fellas não tem nada de chato.
Quanto aos Stones, viciada me confesso.

Pedro Lains disse...

Aceito. Desde que isso me dê a liberdade de não ver os gangs de NY e o do Cristo. Agora o Last Waltz (que nunca mais vi) e o do Táxi, isso sim. E ele parece mesmo simpático e boa pessoa: vi isso no documentário dele sobre filmes que passou há uns tempos na rtp2.

DOBRA disse...

"Essas coisas não se discutem". Porquê? Sentido estético e busca da forma podem discutir-se, da mesma maneira que se discutem ideais políticos ou religiosos. Não será? Parabéns pelo blog.

Manuel S. Fonseca disse...

Acho temerário que alguém se atreva, a hesitar sequer, quanto mais a pôr em causa, que Martin Scorses is “the best”. Fica o aviso ao Pedro Norton (e ao Lains que se deixou ir na conversa) de que para este tipo de desvarios há suplícios piores do que os de Tântalo.
Para além das obras-primas “Taxi Driver”, “Raging Bull” e “Goodfellas”, se quisermos fazer derivas mais clássicas, lembrem-se de “New York, New York”, onde escandalosamente MS reviveu toda a glória e todo o esplendor dos musicais dos anos 40 e 50, ou lembrem-se da “Age of Inocence” onde a câmara ama Michelle Pfeifer tão intensamente quanto nós amamos a nossa mão direita. Em todos esses filmes Scorsese “is the best”, como Spielberg, Coppola e, uma ou outra vez, Bogdanovich foram ou são “the best”.
Entretanto, fui espreitar a “Dobra”, que comentou antes de mim, e descobri que tem, em “A Dobra do Grito” um belo blog de pintura. Lá estava o Rothko que é, claro, “the best”.

Pedro Lains disse...

Belo site, sim senhor e parabéns.