quarta-feira, 5 de março de 2008

Organizar o silêncio

Aceitei o desafio de um padre de Lisboa para atender a uma reunião sobre um tema tão comum como transcendente como a Adoração ao Santíssimo. Confesso que fui às escuras: entre a curiosidade, a correspondência a tamanha confiança e a obrigação estrita de não esperar da Igreja, sem retribuir.
Pensei que se tratava de programar detalhes liturgicos, envolvendo temas, orações, cânticos e ritos distribuídos por duas ou três horas diárias, durante a Quaresma que termina dentro de duas semanas.
O assunto era mais sério.
Há três anos consecutivos que, de dia e de noite, se pratica a adoração na Igreja de São Nicolau, no meio da Baixa Pombalina. Quer isto dizer que, há mais de mil noites, alguém está em permanente adoração na presença do Santíssimo - aquilo que, para os crentes, representa o Corpo de Cristo.
Isto acontece a meio da noite, entre as 4 e as 6 da manhã, tal como a meio da tarde, nas mesmas horas. Sem temas marcados, orações, cânticos ou ritos adoratórios para cadenciar a atenção dos fiéis. Apenas o silêncio, a presença, a fé.
Procuro razões para a minha estranheza: entre a voragem dos dias, a ignorância, a falta de fé ou, ainda, um pragmatismo entranhado que me estraga a capacidade de entender o simples facto de louvar a Deus.
Posso dizer que invejo os que conseguem parar para crer; os que conhecem o valor do silêncio e da oração sem hora marcada; os que vão ao deserto no meio da semana, no meio da noite, no Centro escuro de Lisboa. E vêm de lá mais acompanhados.

2 comentários:

João Maurício disse...

Obrigado por nos lembrar que nem todos perdemos o tino e que alguns ainda fazem por nós o que Deus pede - que O amemos com todas as forças e acima de todas as coisas.
Assim, o mundo é menos mau.
João Wemans

Anónimo disse...

Na Baixa há ainda outra Igreja, a do Santíssimo Sacramento, que também organiza algumas noites e vígilias por ano em desagravo a Deus presente no Santíssimo Sacramento. Já lá fui algumas vezes, e de facto o ambiente é de grande oração, onde se mistura gente simples e culta, afinal todos irmãos e simples "pó da terra adiado".
Em Fátima, nos Valinhos, no príncipio do Século passado, um anjo que se identificou como sendo sendo o Anjo de Portugal ( e eu, como muitos, acredito ser São Miguel Arcanjo), ensinou aos humildes pastorinhos a seguinte oração de desagravo:

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em todos os Sacrários do mundo, em reparação dos ultrages,, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do seu Sacratíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores.


Com os melhores cumprimentos,
CCInez