segunda-feira, 26 de novembro de 2007

A dimensão «colectiva» da arquitectura



Sigo o raciocino de João Pereira Coutinho, esta semana, no Expresso. Não estando acometido de uma súbita febre colectivizante (e sendo, enquanto liberal, um acérrimo defensor dos direitos de propriedade) não posso deixar de, também eu, considerar que a arquitectura é, por natureza, «inescapável» e tem uma dimensão «colectiva» que parece aconselhar a uma mais efectiva intervenção de todos os «stakeholders» nas decisões sobre as grandes obras públicas ou privadas (peço desculpa pelo jargão empresarial, mas não me ocorre expressão mais adequada). Reconheço que não é fácil conciliar estes dois direitos (o direito de propriedade e o direito dos cidadãos não serem agredidos, nas suas cidades, por intervenções de notório «mau gosto» ou com impactos visuais insuportáveis). Reconheço, por outro lado, que não é possível discutir o «bom» e o «mau gosto» a milhares de vozes sem correr o risco de projectar cidades insuportavelmente medianas e uniformes.

Reconheço, no fundo, que tenho mais dúvidas do que certezas nesta matéria. «Je dirai même plus»: (para citar Dupond, ou Dupount) só tenho mesmo uma certeza. A de que uma sociedade civil mais organizada e mais activa constituiria seguramente uma resposta muito mais eficaz às aberrações que nascem um pouco por todo o país, do que o deserto de cultura cívica que nos caracteriza. Mas como teoria, manifestamente, não basta. Talvez o João Luís tenha paciência de acrescentar alguma coisa a este debate...

1 comentários:

Vasco Marques disse...

"Governo negoceia com privados "preços razoáveis" para banda gástrica" *

Precária a organização da nossa sociedade civil, à mercê de quem nunca comeu um “Santini” e estivesse nas mãos de Lobo Antunes esta arquitectura de alto valor calórico, certamente recomendaria aos privados uma “banda gástrica” para tamanha obesidade na percepção do tudo o que é belo ou grotesco.

* http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=240117&visual=26"