quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Whose side are you on?

O mais extraordinário no tratamento mediático do caso Madeleine é perceber como a necessidade narrativa que hoje domina os jornais no contar (e não apenas já no informar) de uma história os obriga tomar o partido de uma única versão da mesma. Um crime é sempre um mistério e na investigação criminal um mistério é a fonte de várias hipóteses. Mas narrar um crime exige a solução do mistério. Cada jornal construiu uma narrativa sobre o crime mas encontra-se agora prisioneiro da mesma. Isto leva a que, com poucas excepções, a maioria da imprensa pareça estar mais preocupada em demonstrar que não se enganou do que em informar-nos dos mistérios, dúvidas e várias hipóteses que ainda rodeiam o caso. É um jornalismo que parece sobretudo preocupado em provar ao leitor que tinha razão… No meio deste tipo de cobertura é confortante encontrar um artigo notável como este no The Guardian: Madeleine: a grimly compelling story that will end badly for us all. A ler obrigatoriamente.

3 comentários:

Pedro Norton disse...

Miguel,
É de facto inacreditável a cobertura que a maioria dos jornais e televisões tem feito do assunto. Numa altura em que a única coisa sensata (e séria) a fazer é assumir-se que pouco se sabe e que portanto dificilmente se pode ter opinião, os media não têm coragem para assumir a sua ignorância e apostam claramente no terreno da especulação. De todo o lado surgem especialistas, criminalistas, ex-polícias e demais charlatães cheios de certezas. Pelo meio ficam atropelados os mais elementares direitos de cidadãos que, até prova em contrário, são tão inocentes com qualquer um de nós.
Seria interessante que, quando a poeira pousar, cada um de nós ousasse fazer uma análise critíca da cobertura mediática nos vários orgãos de informação. Sendo certo que, se o mercado premiar as abordagens mais sensacionlistas, só poderemos queixar-nos de nós próprios.

paulocosta disse...

O ínicio deste folhetim começou com a típica atitude inglesa: os maus são sempre os outros! ...mas eu, que procuro não me impressionar com a xenofobia inglesa, penso que Portugal empatou o jogo! ...ou seja, virámos um imenso e merdeloso "the sun"!

rev. Olution Willcum disse...

Como no Guardian, os medos nesta história são profundos e inconsoláveis. Mas em quase todas as "narrativas" o que nos oferecem agora é o PortugalxInglaterra. A mais velha desconfiança...