quarta-feira, 2 de maio de 2007

Uma Deliciosa Simetria

É irrelevante se fazia chuva ou sol, dado ter sido por e-mail que, estávamos quase a arrancar a aventura da Geração de 60, prometi ao Pedro Norton escrever um post com o sugestivo título “Eu Gosto de Padres”. O post do Alexandre, por ínvios caminhos embora, acelerou o processo. Comentando o traseiro que os turistas negligentemente oferecem a Cristo ao virarem as costas ao Altar, escreve ele que, nesse gesto, à insensibilidade ao sagrado somam a exposição de uma das “imperfeições possíveis da Criação, o exemplo do seu posterior”.
Concordo e discordo. Correndo o risco de ser injusto para alguns, aos turistas de hoje pouco ou nada dizem os arroubos místicos de S. João da Cruz e nenhuma turbação lhes advém de um mistério tão intenso como o da transubstanciação, para dar só dois exemplos. É verdade: há neles, por vezes, menos espiritualidade do que a existente num recontro de estação de serviço entre os Super Dragões e a Juventude Leonina.
Condenem-se os turistas, salve-se a Criação. E a Criação, se atentarmos no exemplo do posterior humano, é inabalavelmente inatacável. Na sua deliciosa simetria, na infinita soberba das suas linhas circulares, na sua insondável geografia, o posterior humano é uma das mais sumptuárias afirmações da Criação. Para seu Poder e Glória, a Criação não precisava desse ponto de apoio, mas ao esculpi-lo a Criação mostrou marmórea delicadeza e redonda ironia. Bem haja.
O que é que isto tem a ver com os “meus Padres”. Quase nada, quase tudo. Quando fui encantadamente cristão e católico (mas algum dia deixarei de o ser?) a eles fiquei a dever o aprendizado de uma religião de tolerância e de amor em que o sexo (e, por isso, a beleza do corpo humano, derrière incluído) não era proscrito. Ao meu padre basco que a FNLA assassinou em Luanda, ao capelão dos comandos, ao meu padre da igrejinha da restinga do Lobito, ao padre do Morro da Luz, se deles já não sou irmão em Cristo, a eles devo o o irmão que deles por vezes ainda consigo ser na humana ânsia de beleza, verdade e justiça.

7 comentários:

Pedro Norton disse...

Manel: confesso que estava longe de imaginar que o seu prometido post dedicado ao tema «eu gosto de padres» ia versar sobre traseiros...

Manuel S. Fonseca disse...

Ó Pedro, que os caminhos do Senhor sejam o que são, vá lá, vá. Mas os seus! Honny soit...

andrea disse...

Apreciei sobretudo a parte marmórea e as referências a Angola, e ainda ... o humor subtíl de que já suspeitava mas que agora confirmo.
Abraços.

mph disse...

Ora deixa cá ver, posso estar enganado, então não é o Sr. que tem uma editora que edita doentes e tarados sexuais, como obras do marquês de Sade?

E então sabe das possibilidades de um miúdo de 15 ou 16 anos sem a estrutura e personalidade formada tem, se ler um livro desses, em vir a ser um tarado ou serial killer?

Zé Ninguém disse...

Sim, sim é melhor não ler Sade que ainda se fica tarado sexual ou serial killer, aliás a maioria dos chavalinhos de 16 anos dão azo às suas macabras fantasias a ler Sade que está na prateleira de todas as casas. Aproveito também para pedir o fim da Internet que apesar de existir em menos casas que as obras completas de Sade tem lá umas porcarias que me deixam completamente tarado e com vontade de matar alguem. Bom, agora vou enterrar mais uma vítima...

mph disse...

Zé ninguém, podes ter jeito para palhaço, mas neste caso não tens piada nenhuma. Não estamos a falar de adultos e maiores de 18 que sabem o que estão a ler, estamos a falar de miúdos impressionáveis que podem degenerar em assassinos ou serial kilers...Vários estudos e relatórios da Associação Americana de Psiquiatria mencionam-no claramente. E neste caso é obvio, se se provar num caso concreto que houve causa-efeito, e num estado de Direito, o editor tem que ser co-responsabilizado.

Quanto à Internet sim há muito lixo e muita merda como muitos manuais bombistas e terroristas a circular ( e pagamos nós impostos para supostamente as polícias impedirem e castigarem estes f. da p.)além de coisas e sites que só devia ser de acesso restrito e mediante subscrição.

PASSAR BEM

Zé Ninguém disse...

Caro MPH

O meu jeito para palhaço está longe da sua capacidade de ser deselegante. Uma vez que há estudos americanos de tudo e para tudo aconselho a leitura de um de boas maneira e educação não vá a sua atitude influenciar, para pervertidos e facínoras, uma violenta quantidade de crianças cuja probabilidade de lerem os seus textos é superior à de terem em casa as obras de Sade. As melhoras.