domingo, 7 de junho de 2009

Cinco questões para esta noite

Cinco aspectos a seguir esta noite:

1. Quem tem mais votos? As sondagens apontam para um resultado muito próximo entre PS e PSD, um cenário que há um mês atrás parecia improvável.

Uma vitória do PSD seria um feito assinalável, mas será que auguraria um resultado semelhante para as legislativas dentro de 3-4 meses? Pondo o meu ‘pescoço na linha’, diria que não: o PS perdeu todas as eleições políticas nacionais a que concorreu desde as legislativas de 2005 (primeiro as autárquicas, depois as presidenciais), e mesmo assim liderou sempre nas intenções de voto para as legislativas. Suspeito que mais uma derrota não alterará esse cenário.

2. A abstenção vai subir? A resposta é quase certamente sim – até agora, a tendência tem sido de aumento da abstenção em todas as eleições europeias, tanto na UE em geral como em Portugal. A nível europeu, todas as eleições europeias desde 1979 têm resultado numa abstenção superior à da eleição anterior. Em Portugal, isso é verdade para praticamente todas as eleições – a excepção, se tivermos em conta os níveis de participação oficiais, foram as europeias de 1999, em que a abstenção baixou de 64,5 por cento nas europeias de 1994 para 60,1 por cento em 1999. Contudo, mesma esta excepção é em larga medida ‘artificial’, resultando da limpeza dos cadernos eleitorais em 1998 – um processo que naturalmente reduz a abstenção. A questão mais interessante é saber quanto vai subir a abstenção. Suspeito que iremos quebrar a barreira dos 70 por cento pela primeira vez desde o 25 de Abril.

3. Quanto vale a esquerda? As sondagens para as legislativas ao longo dos últimos 1-2 anos têm apontado para uma votação conjunta do BE e da CDU de aproximadamente 20 por cento. Mesmo tendo em conta a elevada abstenção, as Europeias vão ser vistas como um teste do que vale a esquerda do PS. A confirmar-se uma subida da esquerda (que pode ser facilitada por um aumento da abstenção se estes partidos demonstrarem uma capacidade de mobilização superior à das demais formações, algo que parece ser plausível, pelo menos no caso da CDU – em 2004, a participação eleitoral nos distritos de Évora e Beja foi substancialmente superior à média nacional), suspeito que o debate em torno de cenários coligacionais à esquerda para 2009-2014 irá acentuar-se.

4. Quanto vale o CDS? As sondagens têm sido pouco generosas para com o CDS (um sentimento que o CDS tem reciprocado…) Um fraco resultado eleitoral nas Europeias poderá facilitar a mobilidade de potenciais eleitores CDS para outros partidos nas legislativas e, neste momento, abundam partidos para aproveitar essa mobilidade: o PSD, claro, mas também o MEP (que procura o eleitorado ‘democrata-cristão’ do CDS) ou o PNR à direita (e neste caso, o enfoque que o CDS deu na sua campanha aos temas da segurança e da imigração, ou a sua defesa explícita do não ao alargamento à Turquia, sugerem que está ciente do risco PNR). O CDS já esteve em situações pouco favoráveis antes: nas Europeias de 1999, p.ex., começou a campanha com níveis muito baixos na intenção de voto e – apesar do colapso da ‘nova AD’ e em pleno caso Moderna – conseguiu contrariar as sondagens, obtendo 8,2 por cento do voto. Mas estar sistematicamente no limite é um risco, e poderá não ser fácil ao CDS recuperar se as sondagens se confirmarem.

5. Quanto valem os novos partidos? Algumas sondagens têm apontado para uma subida dos outros partidos, e os novos partidos/‘movimentos' – MEP e MMS – esperam tirar proveito desta tendência. Um bom resultado nas europeias será um importante ‘sinal’ para potenciais eleitores destes partidos que, nas legislativas, um voto neles não será um voto desperdiçado. A outra questão é ver distribuição do voto entre MMS e MEP, e se um destes sobressai como o mais viável dos ‘novos partidos’ – creio que tal é bastante provável e, nesse caso, suspeito que a campanha de um dos novos partidos poderá ter inadvertidamente ajudado o outro.

Já agora, um aspecto bónus:

6. Quanto vale o Libertas na Europa? A resposta parece ser ‘muito pouco’, tendo em conta os resultados já disponíveis. Na Holanda, onde o Libertas esperava um bom resultado, obteve apenas 0,3 por cento do voto, e nenhum mandato; mesmo o seu líder Declan Ganley está longe de ter a sua eleição assegurada na Irlanda, embora os votos contados até agora sejam superiores ao esperado. O insucesso do ‘primeiro partido pan-europeu’ representa a irrelevância deste tipo de partidos? Creio que não – aliás, suspeito que o Libertas obteria menos votos se não se apresentasse como um partido pan-europeu.

E por fim: vou acompanhar e comentar os resultados das europeias em directo aqui, a partir das 19h.

3 comentários:

Luis Melo disse...

Excelente a vitória do PSD, com 5% de vantagem sobre o PS. Uma grande vitória de Manuela Ferreira Leite pela escolha do excelente cabeça de lista que foi Paulo Rangel. Uma vitória da forma de fazer política, de verdade, de seriedade, de honestidade. Uma vitória de um partido que apresentou propostas, ideias e estratégias.

Uma derrota inequívoca de José Sócrates e do PS. Passam de 12 para 7 eurodeputados, perdem nos Açores (onde recentemente ganharam as Regionais) e ganham apenas em 2 distritos (sendo que em Lisboa foi apenas por 0,5%).

Não pode haver a desculpa da crise internacional, que castigou os governos. Sarkozy, Merkl e Berlusconi venceram, enquanto que os governos socialistas de Brown, Zapatero e Sócrates perderam. Foi a derrota da politica socialista que é despesista, premeia a partidarite no lugar do mérito e do trabalho, apoia e legitima a corrupção.

No contexto europeu, o PPE (onde se inserem PSD e CDS) será o maior partido com cerca de 260 deputados, contra os cerca de 150 dos socialistas (onde está o PS). A Europa teve consciência e sabe que rumo quer tomar.

Pedro Lains disse...

Boa vitória e necessária. Espero que a saibam usar. MFL não soube ainda, no discurso de vitória, ao insistir nas suas teimas de líder de oposição. Tem de começar a parecer mais primeiro-ministriável e um pm não reverte 'grandes' políticas dos antecessores. Bem, embora tenha sido isso que Durão Barroso fez com o 'discurso da tanga' que vai ficar na história como o seu grande erro político. Espera-se que MFL ganhe mais sentido de Estado no discurso sobre política económica. É que o que é para fazer muita força tem, independentemente de ideologias.

Carlos disse...

Que leitura mais enviesada que faz o Luis Melo,já se percebeu que a partidarite turva o bom senso.
Concordo consigo; excelente vitória, uma derrota inequívoca, não pode haver desculpa com a crise internacional.Agora dizer que Paulo Rangel é um excelente cabeça de lista ? onde foi e como é vc viu isso ? politica de verdade ? onde ' umpartido que apresentou propostas e ideias ? quais? Erasmo para 1º emprego ? Valha-me Deus.
Então e a política socialista apoia e legitima a corrupção ? VC não é vesgo vc é maluco devia estar no hospital Julio de Matos a levar electrochoques.
Por acaso o Berlusconi é um bom exemplo, vc tem jeito para isto.