quinta-feira, 26 de março de 2009

Social Networking Terrorists

Estou convencido que o Facebook, o Linkedin, o Blogger e outras aplicações afins foram criados por uma organização terrorista com o objectivo de apagar do mundo quaisquer vestígios de produtividade e de pôr de joelhos o que resta da civilização e inteligência humanas. Alias, o declínio económico a que assistimos é, segundo a minha opinião, uma consequencia directa e exclusiva destas perniciosas aplicações (ver gráfico).



Senão vejamos.

Tomemos como exemplo um qualquer meu dia de trabalho.

Ás primeiras horas da manha antes de abrir o Outlook e mergulhar nas centenas de incómodos e irrelevantes e-mails que me esperam, faço uma visita relâmpago ao Hotmail para ver se recebi e-mail na minha conta pessoal.

Aí, encontro os importantes updates do Linkedin, do Facebook, do Plaxo, da Apple, do Star Tracker, do portal do cidadão, dos Supermercados Esselunga, e do ubíquo IKEA.

Após a reunião das nove verifico no Linkedin quem foi promovido, quem foi despedido (mais os últimos que os primeiros), quem se “linkou” a quem e quem se transferiu para outro país.

Imediatamente a seguir à intromissão de um telefonema por volta das dez, aproveito para ver se nos dois ou três blogues que sigo se publicou algo de interessante. Hoje mesmo li um post bastante profundo sobre a religião das abelhas, um outro bastante venenoso sobre a textura das almofadas do parlamento Europeu e ainda um outro particularmente pungente sobre as pragas de mosquitos que se reproduzem nas aguas estagnadas de piscinas que, nas casas abandonadas devido ao credit crunch no Arizona lhes servem de viveiros.

Antes de almoço tenho ainda tempo de visitar o Facebook, no qual respondo ao incisivo inquérito “What type of beer are you?”. Sou uma “Duvel” belga. Exprimo ainda o meu estado de espírito numa curta mas relevante frase do tipo “Tired of working, I’m ready to go on a vacation to the Maldives” e acabo a espreitar o mundo real lendo na diagonal e online os títulos principais da BBC, do Publico, do FT e do Corriere della Sera.

Durante a tarde, entre uma aborrecida reunião com um “Finance Controler” americano e uma outra com uma escorbútica directora de HR Croata sobre mais um inútil “Talent assessment review”, decido dedicar-me ao detalhado estudo de uma serie de interessantíssimas fotografias, que uma amiga que não vejo desde os tempos do liceu partilha com o resto do planeta e onde ela própria (está igual, mas mais gorda), sorri com turistica alegria para a câmara endossando luminosos e coloridos fatos de ski na companhia do marido e dos filhos numa qualquer estância de neve Espanhola (constato angustiado que casou com o surfista da turma B).

Ao fim do dia, tendo decidido ir para casa ás sete da tarde de forma a ainda poder dar um contributo à educação dos meus filhos, decido escrever mais um post, que duas pessoas se darão ao trabalho de ler e um iluminado anónimo proveniente do Rio Grande do Sul de comentar.

Chego a casa ás dez da noite. Os meus filhos dormem já à horas. Estou cansado mas satisfeito e com a convicção de dever cumprido. Estou “conectado” com o mundo e altamente produtivo no manter das minhas relações pessoais e profissionais. A minha contribuição para a economia mundial, essa, foi de exactamente menos 23 “basis points”.

É pois evidente que quem ganha sao os terroristas do “social networking”.

4 comentários:

Jorge Buescu disse...

Vasco, li há pouco um livro interessantíssimo sobre gestão de tempo. O título é "Never check email in the morning". Na minha opinião deve substituir-se "email" por "ligação à rede"...

Sofia Rocha disse...

Primeira leitora/terrorista identifica-se.

Pedro Norton disse...

Sempre achei que podias ser muitas coisas estranhas. Mas uma Duvel Belga! Tanto anos para saíres do frigorífico...

Vasco M. Grilo disse...

Fiquei mortificado como podes imaginar. Tantos anos a beber Sagres em grandes e viris canecas de barro cinzento para vir a descobrir isto da Duvel tao tarde na minha vida.....