sábado, 27 de setembro de 2008

Era uma vez uma canção


Aviso: vai ser uma experiência dolorosa. Vão aturar-me durante 3 posts. Contrapartida: vão ver e ouvir 3 clips exaltantes.
Tudo para, e só para, contar a história de uma canção, de que deve haver 1001 interpretações. Hoje, cantam-na Michael Bublé, a francesa Arielle Dombasle, a mediática Jennifer Lopez, o excelente Peter Cincotti. Cantaram-na Dean Martin, Eydie Gormé, Julie London e Los Panchos.
Comece-se, então e como deve ser, pelo príncipio.
Era uma vez uma canção chamada “Quién Será”, tão cheia de ritmo e de balanço que um dia teria de se chamar “Sway”.
Pablo Béltran Ruiz, estudou um ano de leis e três de química. Acabou músico. Mexicano e maestro, escreveu um belo mambo em 1953, ano em Estaline morreu e milhões de russos felizardos nasceram (e também eu, ao lado do Côa, o rio da minha aldeia).
Quién Será” era um cha-cha-cha (ou mambo?) com ritmo doce e lírico que, um ano depois, o cinema mexicano adoptou, numa interpretação a que Pedro Infante emprestou uma ironia benigna, sublinhada sem acinte pela realização, como se verá no vídeo abaixo.
É uma canção simples, à volta de uma mitologia masculina simples. Não repeti o qualificativo por acaso: a canção, de tão simples, duas vezes simples, é mesmo maravilhosa.
A Pedro Béltran Ruiz – ainda hoje vivo, e ainda hoje à frente da sua banda – é de agradecer, com recuada e humilde vénia, a cortesia dos milhões de passos de dança que o seu “Quién Será” ofereceu a salões de bailes, y por supuesto a casais apaixonados, a cônjuges e adúlteros, num tempo em que o amor era de maior idade, com todas as barreiras e sem a mariquice fácil da lei do divórcio em coro e contrabaixo.
Por mais danzóns, merengues, cumbias e boleros que se tenham dançado, “Quién será la que me quiera a mi / Quién será la que me de su amor / Quién será, quién será” foram, em 1953, as estrofes do México. Todo. Inteiro. Dançaram-nas porteiros e telefonistas, chefes de repartição e enfermeiras, bacharéis e costureiras. Foi tal o balanço, o doce enlevo, a paixão e o calor que, do México, as estrofes passariam a fronteira. Com marimbas e o mesmo ritmo. Mas agora, em inglês.

4 comentários:

ludovico disse...

Muito bem! Mas, então e as outras? Quando é que ouvimos "the sound of violins / long before it begins" ? Olha que se faz tarde...

andrea disse...

Meu caro Manuel.
53 foi de facto um bom ano.
Abraços.

Camarada Choco disse...

Divulgação

Onde estavam os adolescentes no 25 de Abril?

“ Na Terra do Comandante Guélas”
António Miguel Brochado de Miranda
Papiro Editora

Filmes de Apresentação no “Youtube” em “Comandante Guélas”


Papelaria “Bulhosa” Oeiras Parque, Papelarias “Bulhosa”, FNAC ou www.livrosnet.com

Manuel S. Fonseca disse...

Saúda-se a entrada de Rolls-Royce (tão mansinho) do Ludovico.
Andrea já me palpitava que também tu tinhas o link geracional...