quinta-feira, 29 de maio de 2008

Lágrimas Negras

Tenho imenso medo de que não gostem desta canção. Há quase 5 anos que é uma das minhas favoritas. Faz-me pensar, sofrer e amar. Chama-se “Lágrimas Negras” e escreveu-a o "criador de boleros" Miguel Matamoros. Interpretam-na o lendário pianista cubano Bebo Valdés e o cantor de flamenco Diego El Cigala.



Agora que já ouviram, posso só dizer mais uma coisa? Além de Bebo e Cigala, merecem ovação, o Paquito D’Rivera no sax alto, o Javier Colina no contrabaixo e o Piraña “en el cajón”.
E posso ainda contar-vos um segredo? Há uma interpretação da Sarita Montiel. É realmente outra coisa. Uma diferente, violentamente diferente, Weltanschauung. Mas ao ver o videoclip descobri que a ouvi num filme qualquer, no cinema da 7ª Esquadra, em Luanda, do balcão dos chefes e sub-chefes da polícia local. Reavivou-se uma ferida antiga – uma ferida feliz, não se iludam. De repente, do escuro alçapão da minha infância (mentira, mas está bem assim) sai-me a visão dos dentes brancos de Sarita, os lábios cor de rosa, a língua enrolada a desdobrar-se com vida própria para dizer “tu me has echado en el abandono”, os longos brincos faíscantes a anunciar os ombros nús. Língua e ombros que foram o berço inocente de um erotismo de pacotilha que adoro.
Vá lá, vou ser sério, aqui vai a letra:

Aunque tú me has echado en el abandono / aunque ya has muerto todas mis ilusiones, / en vez de maldecirte con justo encono / en mis sueños te colmo / en mis sueños te colmo /de bendiciones.

Sufro la inmensa pena de tu extravío / siento el dolor profundo de tu partida / y lloro sin que tú sepas que el llanto mío / tiene lágrimas negras / tiene lágrimas negras /como mi vida.

Viendo el Guadalquivir / Las gitanas lavan /Los ninõs en la orilla /Viendo los barcos pasar / Agua del limonero / Agua del limonero / Si te acaricio la cara / Tienes que darme un beso

En el Guadalquivir / Mi gitana lavaba / Pañuelo de blanco y oro / Que yo te daba, que yo te daba

Tu me quieres dejar, / Yo no quiero sufrir, / Contigo me voy, gitana / Aunque me cueste morir
.

2 comentários:

Teresa disse...

Lindíssimo, claro.
Mas qual é o ritmo /toada cubana que não comove?!
Já conhecia esta canção há uns anos (CD do Compayo Segundo ou então qlq. coisa do Buena Vista Social Club).
A voz, neste, não me toca. Prefiro a que conheço já, que nem é nada do outro mundo.
AGORA, o que vicia mesmo é o instrumental!
Demais...
E esse, sim, bem melhor que o da versão que eu conhecia.

Sofia Rocha disse...

O tema é "caliente",mas dentro deste compromisso de darmos o nosso contributo, aqui vai:gosto também, e muito, dessa estética de pacotilha. Gosto do salero das espanholas, leque e xaile incluído. Dum erotismo de mulheres de cabelo comprido e de ombros nús. Com brincos compridos também. Todas as divas italianas incluídas. Das mulheres "manaras", segundo o autor de BD. Do erotismo de África e da América Latina, onde a sensualidade se mede pelo movimento e graça. Prefiro tudo isso, ao arrepio dos intelectuais de esquerda, à ditadura de estilistas que obrigam as mulheres ao look andrógino. Louvados sejam os trópicos pelo bem que fazem ao ego de uma mulher.