sexta-feira, 28 de março de 2008

Mais terapia à borla



Já vos falei aqui das vantagens terapêuticas do weirdnews. Junto-vos (copiando indecentemente a ideia do magnífico Guia Terapêutico de Cinema do «nosso» Pedro Marta Santos) mais um compósito com resultados garantidos. Voltei a tomá-lo ontem à noite, chama-se Korkalen (no original de 1921), pode comprar-se aqui, e a patente está registada em nome de um tal Sjöström (autor maior da farmacologia sueca muda) que adaptou um principio activo de Selma Lagerlöf . Garanto-vos que nunca mais deixarão de acreditar na capacidade de redenção dos hominídeos.
Eu deixei-me embalar de tal forma pelos efeitos do fármaco que acordei cheio de esperança no Dr. Menezes e no Sr. Ribau.

6 comentários:

sofia rocha disse...

Pedro: por favor, não misture obras-primas com política nacional, é um sacrilégio. Não traga o sagrado para a terra. Até porque no caso em apreço, não há redenção possível.

Pedro Norton disse...

Sofia, peço desculpa pelo sacrilégio. Ainda estava sob o efeito hipnótico do Sjöström...

sofia rocha disse...

Bom, se é assim está desculpado. Apesar de tudo, tenho de confessar que prefiro o onirismo de Buñuel. Nos nativos do norte parece nunca haver contaminação, e ainda que os temas sejam o mal ou a loucura, o tema não contamina o método.

Manuel S. Fonseca disse...

À redenção do Sjöstrom gostaria, se o Pedro deixar (e se, por um fugaz instante, a Sofia suspender a erótica buñueliana), de juntar o milagre despojado de Dreyer. Ordet (A palavra) é como se chama o fármaco. Transporta-nos à mesma recôndita e secreta velocidade da carroça fantasma sueca.

sofia rocha disse...

manuel s.fonseca:o despojamento de Dreyer, em Joana D.- a castidade, o sofrimento, o jejum, a punição - não têm então nada a ver com erotismo, olhe que eu jurava que tem...

Manuel S. Fonseca disse...

Sofia,
Se há - e estou certo de que há - uma erótica dreyeriana, não a consigo aproximar da ironia e perversão do Buñuel. O meu exemplo buñueliano favorito - por ser o mais vitalista - é o que se pode ver num filme já só meio-mexicano, "La Joven/ The Young One". Um delírio dos sentidos em primeiro grau.