quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Interesse Público e interesse do público: rugby e Aquilino II

É evidente que não comparo Aquilino com a selecção de Rugby. Refiro-me aos desencontros do nosso tempo mediático e político.
1) Aquilino escritor devia estar nos programas escolares;
2) Aquilino atentador contra a vida de um Chefe de Estado português não deveria estar no Panteão Nacional;
3) O Governo que o promove nestas cerimónias não o acha recomendável na exacta condição da honra concedida.
4)Quanto ao Rugby, estamos perante uma proeza nunca dantes conseguida do ponto de vista da internacionalização do nosso desporto. Se as audiências são argumento - único - para não a transmitir questiono porque razão esse argumento não presidiu, dias depois, à transmissão da cerimónia de Aquilino. A resposta, sabêmo-la: a televisão é mais pública para o Governo do para o País.
Finalmente, não compreendo o primeiro comentário que me atribui uma leitura histórica fora do contexto. Aquilino conspirou na violência terrorista da Carbonária que levaria ao assassinato do Rei e do Príncipe Real. São factos assumidos pelo próprio. Dir-me-á que a luta dos republicanos por um novo Regime era legítima e que, nessa época, houve uma dúzia de assassinatos, a este nível, na Europa, provocados pela onda revolucionária. Todos sabemos isso. Também defendemos valores da Revolução Francesa sem promover o Terror. Muitos portugueses se indignaram com a entrada de Aquilino no Panteão. Nem por isso são delirantes.

2 comentários:

Pedro Norton disse...

Inês,
Devo confessar, antes de mais, que não sei o suficiente para defender se Aqulino participou ou não no atentado. De resto quer parecer-me que, dum lado e doutro da barricada, há muita gente tão habilitada como eu. Só que não se coíbem de ser absolutamente categóricos.
Quanto ao essencial da questão, tenho uma opinião muito pouco «politicamente correcta»: o Panteão é amontoado de restos mortais escolhidos sem grande critério ou nexo ao sabor da espuma dos dias. Vale o que vale. E já que estamos numa de confissões: não sou particularmente apreciador de Aquilino...

Inez Dentinho disse...

Pedro, talvez finalmente em delírio, penso que não podemos passar ao lado dos critérios que escolhemos para construir os símbolos do nosso País. O Panteão Nacional serve apenas para apurar essa identidade simbólica. E, concordo, serve mal. Não se trata por isso, apenas de pó, no qual todos tornaremos um dia.
Quanto às teses históricas sobre Aquilino, como referi, há textos autobiográficos eloquentes. Mendo Castro Henriques atribui a Aquilino uma relação directa com o Regicídio. Pulido Valente e Rui Ramos são mais prudentes ao atribuirem-lhe este epíteto de «operacional». VPV até o recusa. Mas dizem-no envolvido nas conjuras da Carbonária. Aliás sem grande vocação como atesta o epísódio da bomba que lhe rebentou em plena construção...