Intervalo
Exausto. Regresso amanhã.
Que vergonha: em 2000, na companhia de dois amigos, inventei um blogue. Chamava-se A Coluna Infame e foi, com toda a imodéstia, o princípio da loucura blogosférica. Hoje, nove anos depois, visito este planeta e sinto-me um marciano a aterrar na Brandoa. Não tenho conta no gmail; não sei "meter" fotografias (no meu tempo, "meter" fotografias só se fosse com cuspe e no próprio ecrã do computador); de modos que vou tentar publicar esta mensagem, só como teste. As minhas desculpas aos restantes camaradas: façam de conta que eu não estou aqui. Haverá parafusos a voar, algumas marteladas e o som do berbequim de vez em quando.

Eu não sou de intrigas mas há para aí quem garanta que essa coisa do MEC e do JPC são heterónimos do Manuel Fonseca...
Portugal é muito forte nos jogos particulares. Vejamos:
1º- A Selecção nacional hoje não precisava de ganhar à África do Sul. Ganhou.
2º- A cerâmica Bordalo Pinheiro faliu. A Visabeira comprou. Sócrates discursou.
Muito forte.
A distribuição comercial em Portugal faz-se com tão poucos que, mais do que players, se parecem com as pintas de um dado.
Já aqui tinha escrito sobre a campanha que vi ao Modelo/Continente sobre o preço do pão. Na penúltima edição do jornal Expresso era Alexandre Soares, dos supermercados Pingo Doce e Feira Nova que estava "em cima" justamente por manter o preço do pão.
Na penúltima edição do jornal Sol, noticiava-se que "(..) No ano em que a Sonae comemora meio século, vão ocorrer mudanças na organização, com enfoque na Distribuição. A partir de 1 de Abril, o retalho vai estar dividido em três:o alimentar ( Modelo e Continente), o não alimentar ( retalho especializado) e o imobiliário de retalho (...)."
Ou seja, vamos ter o comércio alimentar para um lado, o não alimentar ( vestuário, mobiliário, ménage, por exemplo)para outro e ainda o imobiliário como terciro ramo autónomo. Revolucionário, não?
Não. Isto é o que faz o grupo económico francês " Os Mosqueteiros" desde que se instalou em Portugal há muitos anos.
Em França é já a distribuição que detém uma quota de 30% da venda de combustíveis, com as bombas de gasolina junto aos supermercados. Conseguem praticar bons preços desde logo porque compram em grandes quantidades para abastecer simultaneamente 200 ou mais postos de venda (dependendo do número que possuam).
Aliás, tanto é assim que o grupo " Os Mosqueteiros" já tem há muito uma empresa no seu seio que tem por objecto social o comércio de produtos petrolíferos.
Será que vamos ver a Sonae no negócio dos combustíveis?
Penso que sim, é só uma questão de tempo.

Caro MEC: bem-vindo a uma Geração que é obviamente e tua! Stage fright? Come on. Nós é que devíamos ter fright de partilhar o stage contigo.
Na nossa Geração havia um programa de rádio, o "Quando o telefone toca". Lermbram-se? Era preciso dizer uma frase do sponsor do programa e depois podia-se pedir para ouvir uma música (muitas vezes passava-se por cenas gagas em que um participante dizia a música que queria e o seu nome mas esquecia-se de dizer a frase, e o apresentador tinha de a pedir).
Para pôr o MEC à vontade, gostava de dizer que há um texto dele que ficou famoso nos meus tempos de Faculdade (1986?), e era passado em fotocópias entre nós. Provocou-me os maiores ataques de riso, daquele riso meio nervoso porque sabemos que no fundo é verdade, de que me lembro. Ainda hoje me lembro perfeitamente do texto.
MEC: posso desafiar-te a que o teu primeiro post seja a edição na blogosfera de "O factor SPAC"? Não sei se seria uma maneira de definitivamente atraires o blog para o lado do Bem, mas estarias de certeza a contribuir para a iluminação das gerações actuais (e, quem sabe, das vindouras).
Imagem: o Capitão Cuecas a preparar-se para um Salto.
As actuais respostas europeias à crise têm sido até agora desenhadas para remediar o passado. A prioridade da próxima fase deve ser preparar o futuro. Isso significa investir na inovação e utilizar os recursos escassos para fazer crescer novas indústrias e serviços que serão decisivos para a recuperação, quando esta chegar. As politicas de retoma, que começaram com Keynes - estimulo à procura e estabilização da banca - têm de mudar rapidamente para Schumpeter – para acelerar a inovação e preparar o novo ciclo de crescimento. Esta mudança é importante não só por razões económicas, sociais e psicológicas, mas também porque induz confiança e optimismo.
Em 2009, os dirigentes europeus têm de enfrentar dois conjuntos de desafios sem precedentes. Um deles é o desafio de uma recessão profunda, com todas as frustrações, medos e dilemas que tal acarreta - nacionalizar ou não os bancos, o que fazer com os activos tóxicos, e como impedir que grandes empregadores desapareçam. O segundo conjunto, menos visível, mas não menos urgente, é dar resposta a desafios como as a regeneração das cidades, o combate à pobreza, a melhoria dos sistemas de saúde e educação, novos modelos de apoio para populações idosas, as doenças crónicas. Acreditamos que as soluções para o primeiro desafio terão também de incidir sobre o segundo. Impõem-se sintonizar as iniciativas de curto prazo com preocupações de médio e longo prazo.
Alguns governos europeus estão a começar a fazê-lo. Vários planos de estimulos estão a ser direcionados para empregos verdes, reabilitação urbana, novas formas de energia, investimento em banda larga de alta velocidade e outras medidas para uma economia de baixo carbono. No entanto, pouco tem sido feito para colocar a a inovação como tema central nas estratégias de recuperação.
As grandes recessões do passado foram seguidas por alterações radicais na estrutura industrial, com o surgimento de novas industrias, muitas vezes suportadas por novas infraestruturas. Schumpeter, comtemporâneo de Keynes, reconheceu que algum grau de destriuição criativa é simultaneamente inevitável e muitas vezes necessário para uma nova dinâmica de crescimento. Economistas desta escola mostram que a prioridades dos governos preocupados com o crescimento é incentivar as infraestruturas do futuro (como banda larga e as smart grids) e assegurar condições para o empreendedorismo. Esses são factores chave para assegurar que a retoma será sustentável e baseada em fortes aumentos de produtividade.
Isto não é apenas válido para as empresas. Houve um tempo que os temas económicos e sociais era vistos em separado. A economia produzia riqueza, a sociedade gastava. Na economia do Século XXI, isso já não é verdade. Sectores como a saúde, os serviços sociais e a educação, tem tendência a crescer, quer em percentagem do PIB, quer como empregadores, enquanto outras industrias têm tendência a decrescer. Em muitos paises europeus, o sector social já emprega mais gente que os serviços financeiros. No longo prazo, a inovação nos serviços sociais ou na educação será tão importante como a inovação na industria farmacêutica ou aeroespacial.
O que deve então ser feito? O que propomos é uma estratégia de retoma do tipo finlandês na crise do início da década de 90 - baseada na inovação e acompanhada por inovação radical nos serviços públicos, deu origem a um novo paradigma de crescimento. É nevrálgico que a Europa não só não corte, mas antes acelere, os investimentos em inovação. Não só nas empresas, mas também na inovação social. A ideia que a inovação na soluções sociais pode ser tão importante como a inovação nos produtos e nos processos é uma ideia relativamente nova, mas está a fazer o seu caminho e poderá tornar-se chave na próxima fase de politicas. No mês passado, o Presidente Barack Obama lançou um Office of Social Innovation na Casa Branca. Em Bruxelas, o Presidente da Comissão Europeia Durão Barroso organizou um seminário para impulsionar a inovação social na Europa. Por todo o mundo, governos, fundações e empresas começam a reconhecer que precisam de novos instrumentos para fomentar a inovação nalguns sectores de grande crescimento – como a saúde, os serviços para a terceira idade e as industrias criativas - muitos deles economias mistas.
Temos rapidamente de mudar de mentalidade: deixar de ver a inovação como uma area reservada apenas cientistas e a empresas tecnológicas, e passarmos a ver a inovação como indispensável em todos os sectores. A recessão exige novas respostas, ao nivel macro (paises) e micro (cidades). Importa mobilizar a criatividade colectiva para as encontrar.
Artigo publicado no Expresso/Economia de 28 de Março, assinado por Diogo Vasconcelos e Geoff Mulgan ( Presidente da Young Foundation e ex-director de Policy Unit do Primeiro-Ministro Tony Blair)
Os países atrasados sé têm uma solução, desatrasarem-se. Isso faz-se aos poucos e em várias frentes, económica, social, etc., e cultural. Na cultura, os agentes do desatraso têm maior visibilidade, talvez porque são uma coisa individual: cada um de nós tem os seus, uns mais próximos, outros mais distantes. Eu tenho alguns desses agentes, são poucos, porque não sou muito de culturas, mas alguns. Entre os nacionais, posso elencar, de forma imperfeita, o Sr. Garrett, o Sr. Queirós, o Sr. Sequeira (à Estrela), a Sra. Silva (às Amoreiras), o Sr. Ferreira (o das Gaivotas), o Sr. Gonçalves (o dos Painéis), alguns familiares e amigos e o Sr. Reis (que é meio-bife e portanto não conta bem), estes entre os mais próximos e, voltando atrás, aos mais distantes, … o Sr. Cardoso. Agora, o Sr. Cardoso está aqui ao lado e eu não posso falar mais bem dele, pois isso não se faz. Daí o meu protesto. Claro que haveria uma solução para não protestar. Mas quem disse que protestar é mau?
Assente a poeira do PREC e até 2005, existiam em Portugal dois mitos, no que ao Primeiro-Ministro dizia respeito.
Um, ideológico: o Primeiro-Ministro ou seria de direita ou seria de esquerda.
O outro, de natureza pessoal: o Primeiro-Ministro seria uma pessoa com uma formação académica e profissional digna de nota e reconhecida (curso superior clássico em Universidade de prestígio), carreira, formação sólida e diversificada, fluente em línguas, versado em matérias e conhecimentos vários.
A par da sua formação académica de excelência, também era aconselhável que do ponto de vista do carácter, cumprisse os "requisitos mínimos" commumente aceites.
Tanto assim foi que tivemos um Primeiro-Ministro que, embora nele se verificassem os dois pressupostos enunciados (de direita e com formação académica de relevo, completada em Inglaterra, e sem que houvesse quaisquer objecções do ponto de vista do carácter), ainda assim sempre foi olhado de lado por muitos por causa da sua modesta origem social.
Esses dois mitos cairam por terra em 2005.
Passámos a ter um Primeiro-Ministro que adoptou medidas típicas de direita e de esquerda, adoptando-as de acordo com as circunstâncias, sucessiva e indistintamente, de tal forma que se acabou com o primeiro mito.
Quanto ao segundo mito, o da excelência da formação académica e de um percurso profissional, o domínio de vários saberes, línguas, etc, a situação é pública e todos a conhecemos.
Aquilo a que estamos a assistir de uma forma genérica,é a chegada ao poder de pessoas para quem a política, e a posse do poder, é a única profissão que tiveram, têm ou terão.
Aliás, também o PSD teve um candidato a disputar a liderança de quem podemos dizer sensivelmente o mesmo no que se refere à ausência de verificação desses dois mitos.
Não me parece que seja por acaso que isto sucede. Ou que sejam episódios. Ou que seja uma moda passageira. E muito menos que tudo voltará ao "normal".
Os tempos mudaram definitivamente e vão aparecer mais casos semelhantes, isto já é "normal", isto passou a ser a "normalidade".
O que significa que temos de encarar a política e os políticos à luz de outras perspectivas, já não à luz desses dois mitos.
Fingir que ainda se verificam, e juntos na mesma pessoa, é um erro fatal para quem está no combate político e tem o mesmo interesse de dar murros em ponta de faca.
Palavra que não quero causar uma síncope a ninguém na bloga, mas temos mais uma novidade na Geração de 60. Depois do MEC, vai não vai, na lista de autores aparecerá o nome de João Pereira Coutinho. Já conversámos, já demos um aperto de mão, virtual e dos rijos, e o João até me anunciou ter uma estratégia fina e graciosa que estou proibido de antecipar. Agora é só ele receber e activar o e-mail de convite e inundar o blog com a irreverência, a provocação e os fulgurantes argumentos que, legitimamente, esperamos dele. João, estão abertos os jogos.