segunda-feira, 23 de março de 2009

Com tranquilidade...



Só quero dizer ao Manuel Fonseca e ao Pedro Norton que, apesar de tudo, nós cá andamos... sempre em frente, com muita tranquilidade.

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domingo, 22 de março de 2009

Amarrados

Hoje, a Geração de 60 foi particularmente bem tratada. Experimentem ir ler. Também é verdade que o retrato nos foi tirado quando exibíamos dois imparáveis sorrisos de vitória. Posto o que, e também por nos parecer irresistível um blog que tanto exalta a fotografia de Nobuyoshi Araki, ficamos a partir de agora umbilicalmente amarrados à Mátria Minha. Basta um clic.

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Perfect Day





Uma das minhas músicas preferidas de Lou Reed rezava assim:

Just a perfect day,
Drink sangria in the park,
And then later, when it gets dark,
We go home.
Just a perfect day,
Feed animals in the zoo
Then later, a movie, too,
And then home.

Oh its such a perfect day,
Im glad I spent it with you.
Oh such a perfect day,
You just keep me hanging on,
You just keep me hanging on

Just a perfect day,
Problems all left alone,
Weekenders on our own.
Its such fun.
Just a perfect day,
You made me forget myself.
I thought I was someone else,
Someone good.


Ontem foi um desses perfect days: Expresso pela manhã e ainda tempo para acabar de ler o último Paul Auster («Um homem na escuridão», indiscutivelmente um dos seus melhores romances); uma sessão na Cinemateca Júnior com o meu filho para ver o mais alucinogénico dos filmes da Disney; um fim de tarde memorável em que juro ter visto um braço inteiro a sair do peito de Pedro Silva; um jantar com amigos; «and then home». É possível pedir mais?

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A leonina jeremíada

Mais astuto e ágil do que o veloz Ulisses, Quim mereceu mesmo ganhar a Taça. E o Benfica também, a começar pela primeira oportunidade perdida logo no começo do jogo - ai NG, ai NG!. É verdade que o senhor de amarelo deu uma enorme casa ao marcar um penalty inventado pelos braços de Di Maria (na melhor tradição teatral de Buenos Aires). Mas o futebol sempre foi assim - lembram-se, já que estamos com a mão em memórias argentinas, do golo mítico e inolvidável que Maradona marcou com a mão de Deus, numa das mais indesmentíveis provas da Sua existência?
É por isso que não há paciência para a chiadeira que soa para os lados de Alvalade. A jeremíada leonina atingiu o ridículo e é um desmentido da história do futebol. Chega de baba e ranho. Componham-se. Ou, como, no "The Godfather", o Marlon Brando, digo Don Corleone, dizia ao aflautado e meloso cantor de Hollywood que lhe vinha pedir ajuda: "Act like a man!"

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O herói

Uma das minhas regulares e mais reaccionárias leituras é a revista inglesa "The Spectator". É intelectualmente superior e escrita num inglês tão irrepreensível que não sentimos o mínimo embaraço quando, e acontece, não compreendemos uma frase ou uma expressão nos obriga a consultar três dicionários e nem assim desfazemos a dúvida. É o preço a pagar pelo convívio com um jornalismo ensaístico de excepção.
Por vezes, os artigos são mesmo comoventes. Lembro-me que, em Janeiro, Richard Orange escreveu sobre a difícil recuperação económica do grupo Tata, os donos do hotel de Mumbai que foi alvo do ataque protagonizado por terroristas paquistaneses. Os Tata são um prestigiada família indiana que construiu um autêntico império económico, de que o hotel Taj Mahal Palace é emblema histórico. Luxo, conforto e cosmopolitismo eram os traços que os hóspedes reconheciam. Depois do ataque de 26 de Novembro de 2008, o mundo descobriu um outro valor mais profundo do grupo empresarial Tata, o heroísmo.
Quando os terroristas invadiram o hotel, com granadas e metralhadoras AK, no meio do caos os empregados do hotel não fugiram, mantendo-se nos seus lugares e funções, e foram decisivos para salvar os clientes que estavam obrigados a servir. O sentido do dever, a lealdade, a coragem e disponibilidade para o sacrifício dos funcionários do Taj deixam-nos, se pensarmos um bocadinho, sem fala. Ao todo, 12 empregados morreram a tentar salvar os hóspedes.
A história que me faz ter mais vontade de ser indiano é a do manager do hotel, Karambir Kang. Foi ele que dirigiu toda a evacuação dos hóspedes, apesar de saber que a mulher e os dois filhos podiam ser vítimas do fogo com que os terroristas queimaram o 6º andar, onde a família vivia, numa suite. Karambir Kang é filho de um general indiano reformado. O pai, quando ele, angustiado, telefonou a pedir conselho, disse-lhe, e cito a "Spectator": “Faz tudo o que puderes para salvar a tua família, mas nunca abandones o teu posto.
Kang perdeu a família, mas salvou inúmeras vidas. Os que foram salvos não pouparam palavras de apreço e admiração a este herói. Será que nós, que não vivemos a situação, somos mesmo, para além da retórica, capazes de o admirar?

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De pé, ó vítimas da fome

Gosto das crónicas de Patrick Besson na revista “Le Point”. Besson é um escritor nómada, com livros publicados em muitos editores e colaborações que vão do “Le Point” ao “L’Humanité”. Filho de pai russo e mãe croata, de simpatias comunistas, Besson é um daqueles espíritos livres que pensa pela sua cabeça e nunca nega os seus prazeres.
Há dias escreveu uma verrinosa crónica sobre a amável figura do “académico francês”. Começava assim: “Il arive au déjeuner ou au dinner avec la petite mine gourmande de celui qui a de bonnes histoires à raconter sur ses récentes rééditions en France et à l’étranger.
E prosseguia com este toque florentino: “Il s’assoit avec la souplesse aguerrie des hommes de lettres dont la vie consiste avant tout à s’asseoir.
Aceitam-se ajudas para definir o “académico português”.

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sábado, 21 de março de 2009

A pureza


A propósito da atribuição dos prémios aos gestores da AIG nos EUA, o Presidente Obama e os responsáveis americanos consideram-na imoral, declararam-lhe uma guerra sem quartel e vão atrás desse dinheiro, nem que seja até ao inferno.

Por estes dias Sócrates, à saída de uma reunião europeia,fazia algumas afirmações e referia-se a um "dever moral". Disse-o Sócrates, como o poderiam ter dito alemães,franceses, espanhóis ou italianos.

Nos Estados Unidos, fala-se em criar um imposto ou taxa para fazer voltar aos cofres do Estado aquelas verbas "imorais". Nesse caso o imposto é o instrumento da moralidade.

Na Europa continental os Princípios da Legalidade e da Tipicidade não permitiriam a criação de nenhum imposto, muito menos reaver as verbas.

No velho continente gostamos das leis puras, expurgadas de qualquer moralidade. Se os prémios tivessem sido atribuídos em Portugal, ficavam na esfera jurídica de quem os tivesse recebido, graças à nossa sacrossanta figura dos "direitos adquiridos".

Pureza nas leis, temos muita.
Direitos adquiridos, também temos muitos.
Moral, nenhuma.

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sexta-feira, 20 de março de 2009

Bosch, Cristo, o Papa e os preservativos



É já a terceira vez que aqui coloco a imagem deste quadro de Jerónimo Bosch (Cristo carregando a cruz, 1490, Museu de Belas Artes, Ghent, Bélgica), que ainda há pouco tempo, porém, desconhecia. Tenho-o agora como pano de fundo no ecrã do meu computador. É um quadro extraordinário: quanto mais o olho mais se me mostra – e mais se me esconde.
Como qualquer quadro, porém, reflecte as ideias da sua época, uma das quais – que é que agora aqui me interessa – é a da relação que deve existir entre o poder espiritual e o temporal. Nesse sentido, lá está Jesus Cristo, no meio do quadro, serenamente iluminado, serenamente iluminando, passando por todos os sofrimentos e dores deste mundo, que voluntariamente carrega sobre as costas.
Ora, é justamente este o ponto. É ali, no meio das pessoas, que Jesus Cristo está, que Jesus Cristo se encontra. De olhos fechados, sereno, é pessoalmente que nos fala, é interiormente que nos move e nos transporta, a partir deste mundo, para o reino de Deus, ou do espírito, o qual não é deste mundo.
Assim deveriam fazer também os sucessores de Pedro. Mas não. Há temas, aliás, como este do uso dos preservativos, em que a Igreja teima em não aprender. Não discuto sequer a razão ou não razão da sua posição sobre o uso dos preservativos. Não contesto o abuso mediático que é negativamente feito a partir das suas posições. Julgo, no entanto, que o Papa não deve falar sobre isso em conferências de imprensa dadas à entrada para um avião no início de uma visita de Estado.
Olhemos aqui para o Papa, na dita visita ontem mesmo iniciada, e olhemos de novo para Cristo, tal como o mostra o quadro de Bosch. A diferença é clara.
Quanto a mim, o Papa deve falar inspiradamente à Igreja e na Igreja, a qual deve falar pessoalmente a cada um dos que, livremente, aceitem a graça que, segundo crêem, lhes foi dada por Deus. Na verdade, o reino de Deus, que neste mundo anunciam, não é deste mundo, pelo que esse anúncio deve ser feito a partir dessa outra autoridade – a do espírito – que só interiormente nos fala... e não em conferências de imprensa onde por meio de um conjunto imenso de fios se dirigem para os olhos e os ouvidos indiferenciados de uma massa. Nós não ganhamos nada com isso. E a Igreja, visivelmente, perde.

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"Portugal Maior"



O mundo ocidental confronta-se com o envelhecimento da população. A terceira idade é uma realidade tão presente que, com a melhoria do nível de vida das populações e o aumento da esperança média de vida, já se fala de uma "Quarta idade".

A terceira e quarta idades trazem novas questões, ao mesmo tempo que fazem nascer novas profissões, serviços e indústrias.

A título de exemplo, vários estudos europeus apontam já no sentido se permitir que aqueles que atinjam o número de anos necessário para a reforma possam continuar a trabalhar, se essa for a a sua vontade - o que se compreende face à questão da sustentabilidade do sistema de segurança social.

Relativamente à quarta idade, a assistência, por vezes necesária, faz nascer empresas e novos profissionais.

Ao mesmo tempo que estudos de marketing apontam como um grupo específico de consumo, aquelas pessoas com mais de 55 anos se encontram já reformadas/aposentadas, com poder de compra e disponibilidade de tempo e dinheiro.

Vem isto a propósito de uma recente campanha que vi passar na tv chamada " Portugal maior" da responsabilidade do Ministério da Economia e da Inovação.

Vi sempre o mesmo spot ( não sei se é o único, ou se haverá mais). Mas não gostei daquele que vi.

Vi praias, sol e dois manequins, lindos, magros e bronzeados. Com aquela beleza que alguns têm a sorte de possuir quando, com vinte anos, vão acampar para o Alentejo.

Num tempo de crise em que vivemos, não me parece que seja um par de namorados com vinte anos que vá passear e conhecer Portugal.

Quem é o público alvo daquela campanha? Não serão casais de trinta ou quarenta anos com filhos pequenos, não serão séniores, a terceira idade, não serão pessoas interessadas em conhecer a cultura, a gastronomia, não serão jogadores de golfe?

Conheço bem a fixação da publicidade e do marketing com a "qualidade aspiracional" ( isto era o que me diziam na grande distribuição alimentar), mas será que algum destes públicos alvo se revê naquela campanha?

Penso que não e, desse ponto de vista, uma campanha que não cumpre o seu propósito, muito por causa de uma ideia serôdia de umas agências,de uns assessores e de um Ministério.

Por oposição,chamo a atenção para uma foto que anda aí nas revistas de que gosto e não consegui encontrar para aqui colocar, de um produto de uma seguradora ( Zurich, passe a publicidade). Dois velhotes, ele de fato de mergulho, ela de fato-de-banho e máscara, a fazerem mergulho.

Cool, não?

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Aspirational Living: Annie Hall (Woody Allen 1977)

Copio aqui esta pérola que - confesso - não sei onde fui buscar.
Sob o titulo de Aspirational Living estarão todos as preferências de um blogger (agora desconhecido) tal como as encontrou no magnifico Annie Hall. Aliás, mais do que preferências estamos face a um estilo de vida.
Presta-se a mais um "faça você mesmo o seu Aspirational Living".
Afinal todos devemos ter um.

WRITING FOR TELEVISION


TENNIS


INTERIOR DESIGN


KHAKIS AND SAFARI JACKETS


ARGYLES & PLAIDS


PHOTOGRAPHY


ADULT CHILDREN


MOVIEGOING


BERGMAN


POST APOCALYPTIC COUTURE


BOOKS AND BOOKSTORES


CABARET








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quinta-feira, 19 de março de 2009

A revolução política da Europa

Sem mudança de regras ou alterações de Tratado, hoje a natureza política da Europa mudou. O anúncio público pelo PPE de que apoia a recandidatura de Durão Barroso a Presidente da Comissão Europeia (ver aqui) pode alterar significativamente a política na Europa. Pela primeira vez, os eleitores europeus vão votar num líder do executivo europeu. Se os outros agrupamentos políticos europeus também apresentarem candidatos vamos ter umas eleições europeias semelhantes às eleições nacionais: uma competição política entre projectos políticos europeus alternativos que são representados por diferentes líderes políticos, todos candidatos a presidentes do "governo" europeu. Talvez seja possível ter finalmente umas eleições europeias sobre a Europa… A outra consequência é que o Presidente da Comissão que resultar desta competição eleitoral terá uma legitimidade política que nenhum outro líder das instituições europeias alguma vez teve: na prática, ele não será escolhido pelos governos nacionais (na "intimidade" do Conselho) mas sim "eleito" pelos povos europeus.

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A vida secreta dos intelectuais

Há vários anos que assino a New York Review of Books. Muitos conhecem certamente esta revista de recensões literárias e artigos políticos, científicos e filosóficos. Presunção à parte pode ser descrita como uma revista de intelectuais. Mas só agora reparei que a New York Redview of Books também tem uma secção de anúncios pessoais, incluindo "personal services". Fica-se assim a saber o tipo de serviços pessoais que atraem os intelectuais. O mais divertido é a forma como as prestadoras ou prestadores de tais serviços adaptam a sua publicidade ao mercado alvo… Três exemplos:
"Erotic Explosion. Let me blow your mind, you ultimate erogenous zone. Provocative talk with educated beauty. No limits"
"Erotic, Intelligent, Imaginative Conversation. Uninhibited exploration of your sexual fantasies"
"Sacred Erotic…The Incredible Lightness of Touch"

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quarta-feira, 18 de março de 2009

Uma "Quadratura do Círculo" empírica III

No dia 18 de Fevereiro, a líder do PSD, apresentou no Novohotel em Setúbal um pacote de vinte medidas para as PME.

Vi chegarem os jornalistas dos jornais e das televisões, e depois os políticos. Pareceu-me um ambiente distendido e informal aquele do bar do hotel, todos se conheciam e falavam entre si.

Numa sala não muito grande, sentei-me. Ao meu lado sentou-se um jornalista, que reconheci por apresentar noticiários, de uma estação de televisão.

Depois de todos estarem nos seus lugares, e já a Dra. Manuela Fereira Leite discursava, vi ser distribuido um documento com várias páginas sobre o tema que estava a ser apresentado.

À medida que falava, o jornalista ía lendo o documento e sublinhando certas passagens no texto e dialogando com o técnico que o acompanhava e que filmava.

Já na parte final da intervenção, foram apresentadas medidas especificamente pensadas para a aquisição de bens e serviços pelo Estado e da solução então proposta de criar uma quota para as PME, ou seja que sempre que o Estado adquirisse bens ou serviços, uma parte fosse sempre adquirida às PME. Coisa que não sucede actualmente em que estas têm acesso escasso a esse mercado, desde logo porque desconhecem as regras de funcionamento do mesmo. Situação que se inverteria se soubessem que poderiam ser efectivamente fornecedoras do Estado.

Foram apresentadas vinte medidas. Algumas não conhecia, a outras não lhe conheço o impacto, nem os estudos em que se basearam. Também porque não tenho formação específica na área económica que me permita perceber o alcance de todas.Todavia as medidas que dizem respeito ao acesso das PME ao mercado público são necessárias e já estão a ser tomadas noutros países europeus.

No entanto, o jornalista ao meu lado deu ordens expressas ao camera para não filmar essa parte final da intervenção.

Voltei para casa e assisti aos noticiários das 20.00. Um fez o elenco das medidas, outro convidou um economista para discutir a bondade das propostas.

O noticiário do canal do jornalista referido, colocou no ar uma peça, narrada em off.
O conteúdo foi o seguinte: a líder do PSD sugeria a abolição do PEC que havia sido da sua autoria (e nem mais uma palavra sobre as medidas).
Quanto à forma,filmaram o documento e a voz off do jornalista disse: "20 medidas que poderão nunca saír do papel".

Pergunto ao jornalista:
Entendeu todas as medidas?
Como fez a triagem das mesmas?
Deve o jornalista dizer das medidas propostas "poderão nunca saír do papel"?
Porque é que o diz?
Porque acha que o PSD não vai ganhar as eleições?
Porque acha que a uns meses das eleições, não é possível que o Governo entenda aplicar alguma dessas medidas?
Ou simplesmente não acredita em nada do que um líder político diga?
Se for este o caso, deverá terminar qualquer peça, entrevista ou apresentação política, de um líder, PM, ou PR comentando "poderá nunca saír do papel".

Pergunto aos partidos políticos:
Fará sentido fazer uma apresentação a meios de comunicação generalistas, que pressupõe conhecimentos técnicos especializados e tempo de estudo, a duas horas dos jornais da noite?
Como deve um partido comunicar as suas ideias e propostas, nomeadamente as mais técnicas?
Se o fizer aos canais generalistas deve ter preocupações acrescidas?
Deve simplificar o discurso?
Nesse caso, não cairá no simplismo?

Pergunto aos Media:
Não estaremos a assistir a uma generalização extrema da profissão?
Não deveria existir maior especialização por temas?
Mesmo tendo abandonado o dogma da objectividade, poderá um jornalista, nessa condição, caír no mais puro subjectivismo?

Em Portugal parece que todos podem ser políticos ou jornalistas. Parece que ambas as actividades se baseiam no mais puro casuísmo. Assentes no "bitaite", no "achismo",e veiculadas na net e nas novas redes sociais.

Se assim for, ficam a perder o público em geral e os bons políticos e jornalistas que ainda há.

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terça-feira, 17 de março de 2009

O Leitor



O melhor filme da temporada.

Como dizer isto de outra maneira?

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Anónimos vão à Praia


Março segue quente e por isso muitos Anónimos decidiram dar um salto à Praia.

Então não é que, nestes dias quentes de Março, até na cidade da Praia, Cabo-Verde, se lê o Geração de 60?

Quem quiser confirmar basta ir a Feedjit-live Traffic Map.

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O que seria dos EUA sem jornais?




Num comentário ao post da Inês Dentinho sobre a manifestação da CGTP, CCInêz (presença assídua e valorizadora deste blog), teceu duras críticas aos media, terminando, inclusivé, a sua intervenção dizendo: «Graças a Deus também que os (estes, que merecem o r) "me(r)dia", estão a ir à falência com a Internet».
Não me fica bem - por ser evidente o conflito de interesses - usar este espaço em defesa dos media. Muito menos dos media portugueses.
Mas não resisto a publicar este excerto de um artigo do «The New York Times»:

«Over the last few weeks, the newspaper industry has entered a new period of decline. The parent of the papers in Philadelphia declared bankruptcy as did the Journal Register chain. The Rocky Mountain News closed and the Seattle Post Intelligencer, owned by Hearst, will almost certainly close or only publish online. Hearst has said it will also close The San Francisco Chronicle if it cannot make massive cuts at the paper. The most recent rumor is that the company will fire half of the editorial staff. That action still may not be enough to make the property profitable.
24/7 Wall St. has created its list of the ten major daily papers that are most likely to fold or shut their print operations and only publish online. The properties were chosen based on the financial strength of their parent companies, the amount of direct competition that they face in their markets, and industry information on how much money they are losing. Based on this analysis, it is possible that eight of the fifty largest daily newspapers in the United States could cease publication in the next eighteen months. (Read: "The Race for a Better Read")
1. The Philadelphia Daily News. The smaller of the two papers owned by The Philadelphia Newspapers LLC, which recently filed for bankruptcy. The parent company says it will make money this year, but with newspaper advertising still falling sharply, the city cannot support two papers and the Daily News has a daily circulation of only about 100,000. The tabloid has a small staff, most of whom could probably stay on at Philly.com, the web operation for both of the city dailies.
2. The Minneapolis Star Tribune has filed for Chapter 11. The paper may not make money this year even without the costs of debt coverage. The company said it made $26 million last year, about half of what it made in 2007. The odds are that the Star Tribune will lose money this year if its ad revenue drops another 20%. There is no point for creditors to keep the paper open if it cannot generate cash. It could become an all-digital property, but supporting a daily circulation of over 300,000 is too much of a burden. It could survive if its rival the St. Paul Pioneer Press folds. A grim race.
3. The Miami Herald, which has a daily circulation of about 220,000. It is owned by McClatchy, a publicly traded company which could be the next chain to go into Chapter 11. The Herald has been on the market since December, and but no serious bidders have emerged. Newspaper advertising has been especially hard hit in Florida because of the tremendous loss in real estate advertising. The online version of the paper is already well-read in the Miami area and Latin America and the Caribbean. The Herald has strong competition north of it in Fort Lauderdale. There is a very small chance it could merge with the Sun-Sentinel, but it is more likely that the Herald will go online-only with two editions, one for English-speaking readers and one for Spanish.
4. The Detroit News is one of two daily papers in the big American city badly hit by the economic downturn. It is unlikely that it can merge with the larger Detroit Free Press which is owned by Gannett. It is hard to see what would be in it for Gannett. With the fortunes of Detroit getting worse each day, cutting back the number of days that the paper is delivered will not save enough money to keep the paper open.
5. The Boston Globe is, based on several accounts, losing $1 million a week. One investment bank recently said that the paper is only worth $20 million. The paper is the flagship of what the Globe's parent, The New York Times, calls the New England Media Group. NYT has substantial financial problems of its own. Last year, ad revenue for the New England properties was down 18%. That is likely to continue or get worse this year. Supporting larger losses at the Globe will become nearly impossible. Boston.com, the online site that includes the digital aspects of the Globe, will probably be all that will be left of the operation.
6. The San Francisco Chronicle. Parent company Hearst has already set a deadline for shutting the paper if it cannot make tremendous cost cuts. The Chronicle lost as much as $70 million last year. Even if the company could lower its costs, the northern California economy is in bad shape. The online version of the paper could be the only version by the middle of the 2009.
7. The Chicago Sun Times is the smaller of two newspapers in the city. Its parent company, Sun-Times Media Group trades for $.03 a share. Davidson Kempner, a large shareholder in the firm, has dumped the CEO and most of the board. The paper has no chance of competing with The Chicago Tribune.
8. NY Daily News is one of several large papers fighting for circulation and advertising in the New York City area. Unlike The New York Times, New York Post, Newsday, and Newark Star Ledger, the Daily News is not owned by a larger organization. Real estate billionaire Mort Zuckerman owns the paper. Based on figures from other big dailies it could easily lose $60 million or $70 million and has no chance of recovering from that level
9. The Fort Worth Star Telegram is another one of the big dailies that competes with a larger paper in a neighboring market - Dallas. The parent of The Dallas Morning News, Belo, is arguably a stronger company that the Star Telegram's parent, McClatchy. The Morning News has a circulation of about 350,000 and the Star Telegram has just over 200,000. The Star Telegram will have to shut down or become an edition of its rival. Putting them together would save tens of millions of dollars a year.
10. The Cleveland Plain Dealer is in one of the economically weakest markets in the country. Its parent, Advance Publications, has already threatened to close its paper in Newark. Employees gave up enough in terms of concessions to keep the paper open. Advance, owned by the Newhouse family, is carrying the burden of its paper plus Conde Nast, its magazine group which is losing advertising revenue. The Plain Dealer will be shut or go digital by the end of next year.»


E não resisto a perguntar: alguém verdadeiramente acredita que a democracia americana fica mais sólida se se confirmar o desapareceimento destes títulos?

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domingo, 15 de março de 2009

200 mil a favor de Sócrates


A manchete de um dos diários de hoje é eloquente: «200 mil contra Sócrates». Acreditamos. Mas gera o efeito contrário. Nas notícias da televisão, as imagens mostram, simultaneamente, um Primeiro-Ministro imperturbável, consciente dos assuntos do Estado e do lugar de Portugal no mundo Lusófono. Hoje em Cabo Verde, 24 horas depois de ter representado o mesmo papel como anfitrião do Presidente angolano.

Sócrates continua a correr nas avenidas marginais, oito quilos mais gordo pelo sacrifício a que se propôs de deixar de fumar quando foi apanhado a desrespeitar uma lei restritiva que impôs a todos os outros. «É de homem!», pensará o espectador.

Há três dias a TVI descobria que o mesmo Primeiro-Ministro não terá declarado os seus rendimentos entre 1999 e 2002. Fê-lo numa hora em que tantos empresários fecham portas e despedem milhares de trabalhadores, entre outras razões, por não conseguirem cumprir as suas obrigações fiscais. Passado um comunicado lacónico e insuficiente, Sócrates continuou a correr em frente com uma turma de seguidores sombrios.

Sócrates dá a mensagem de que os cães ladram e caravana passa. Os cães ladram uma licenciatura manhosa; um CV «corrigido secretamente» no Parlamento; inenarráveis licenciamentos forjados no anonimato de uma Câmara do interior; um apartamento estranhamente comprado por um preço abaixo da média; e a alucinante desafectação da reserva ecológica dos terrenos do Freeport, no dia limite de um Governo de Gestão, quando se divulgam «fumaças» de lobbying familiar e financeiro.

200 mil contra Sócrates geram 200 mil a favor de Sócrates. Os que sonham ser como ele: com rumo fixo e resultados garantidos. Imunes perante a adversidade. A proliferação das descobertas de irregularidades sobre José Sócrates parece legitimar a capacidade de resistência do Primeiro-Ministro mais do que a sua incapacidade de cumprir as regras a que todos nos sujeitamos.

Ora, em tempo de crise, o seu exemplo é pernicioso. Porque é nesta altura que o respeito pelos outros e pelas regras comuns deve ser mais instigado. E é nesta altura que expedientes tortuosos podem gerar maiores injustiças numa sociedade que luta pela sobrevivência. «Faz como Sócrates; vê como ele tem sucesso; por acaso parou de correr?; viu o Parlamento dissolvido? considerou os arrufos do Presidente da República? desceu nas sondagens? faz como ele e atingirás a meta em primeiro lugar».

Mas antes dos inteligentes, considero os heróis. E antes destes, os santos.

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as correntes da memória

A Eugénia Vasconcellos, que recentemente descobri e cuja escrita tem o toque trémulo e cristalino de que gosto – e por isso recomendo – desafia-me para entrar numa rede (ou corrente) de afectos. Já se falou do tempo, do medo e da fé. A mim, o que me deslumbra são recordações. As mesmas que um poeta menos conhecido, Gil Nozes de Carvalho, num livrinho de 40 páginas, intitulado Aboiz e publicado na Regra do Jogo, nos expôs assim:

Barba Azul

Diante das mulheres,
o sol, discreto,
corta nos homens
o hábito do rosto.

Levantada uma vez,
a ponte, tudo
permance no seu lugar,
excepto a chave na
mão fresca da menina.
Com ela há-de abrir
a vulva às recordações.
E posto isto, para que a vaga prossiga, desafio a Tânia, do blogue De Olhos Bem Fechados, a mergulhar na corrente.

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sexta-feira, 13 de março de 2009

Para quem talvez não tenha existido e de escrita só se lhes conhece uns rabiscos na areia, Jesus e Maomé têm alta influência

Não resisto a responder a este post - e aproveito para juntar, a este diálogo com o Gonçalo, um cartoon que nos mostra o que poderia acontecer se Jesus e Maomé se encontrassem na barra de um bar e fossem servidos por uma barmaid.
Dito isto, Gonçalo, é mais do que um diálogo, o nosso. Entoamos a melodia em uníssono. O que eu disse é que foi sobre "estas" figuras (de Homero a Shakespeare, passando por Jesus e Maomé) que edificámos a(s) nossa(s) civilização(ões). E depois, recuperando a labiríntica lógica borgesiana, fiz notar duas coisas:
1. que os nomes que demos a algumas dessas figuras fundadoras não correspondem a ninguém real (alguns nem sequer existiram e em relação a outros temos dúvidas) ;

2. ou que não pertencem a esses nomes os "textos" que lhes atribuímos (alguns nunca escreveram uma linha, e o que com o nome deles foi assinado provocar-lhes-ia um susto maior do que a nós a voz de trovão de Jeová, se agora lhe desse para falar).

Quanto ao resto, Gonçalo - e o resto é o sentido da vida, o centro filosófico do mundo, a verdade do espírito ou da carne - só sei que nada sei. Com pena minha, porque gostava de saber um bocadinho mais de matemática e um tudo nada de neurociências. É o que dá ter andado meia vida de Paideia às costas e hermenêutica em riste.

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Jesus está vivo. E Maomé também...



O título deste post pode, talvez, soar a qualquer tipo de publicidade feita à Igreja Universal do Reino de Deus. Mas não. Escrevo-o em diálogo com este outro post do nosso querido Manuel Fonseca (que, em rigor, já teria começado aqui), ao qual, sem querer, de modo nenhum, retirar da sua natural condição de "alinhado", gostaria, no entanto, de dizer alguma coisa.
A primeira é que Homero é apenas um personagem cujo nome individual representa todo o povo grego. Os "seus" poemas contam essa mítica viagem que, atravessando as civilizações minóica e micénica, foi feita pelos aqueus, desde o Médio Oriente até à Europa, passando pela labiríntica ilha de Creta. E já na europeia Hélade, onde, por volta do século VIII a. C. (a que Karl Jaspers chamou a idade axial), fomos definitivamente iluminados pela apolínea razão que nos faz ver, sem que a vejamos, permanece essa fundacional mentalidade homérica, que desde a parte mais vegetal das nossas almas nos informa ainda o que sentimos e o que pensamos.
Quanto a Sócrates, o verdadeiro (a quem a mulher, de nome Xantipa, constantemente recriminava por não aproveitar a sua fama para alcançar poder e honras), a frase que tomou como lema, ou como cruz, da sua vida (gnótis autón: conhece-te a ti mesmo), não era sua. Estava escrita no oráculo de Delfos, nesse centro, ou umbigo, da terra, a partir do qual os deuses comunicavam com os homens, indicando-lhes enigmaticamente os seus caminhos. Foi esse mesmo oráculo, aliás, que afirmou que Sócrates era o homem mais sábio da terra – justamente ele, que sabia quanto é humilde e limitado o que sabemos.
Quanto a Jesus Cristo, ninguém duvida da sua existência humana, hoje historicamente comprovada, tanto quanto pode comprovar-se este disperso pó que somos. É a sua existência divina aquilo que sempre é posto em causa. E, justamente, deve sê-lo, porque, tal como dissemos em relação a Apolo, o divino é o que, iluminando, não se vê. Temos, assim, que procurá-lo, a partir do que, no nosso caminho, ele nos mostra.
Maomé, do mesmo modo, por cá andou, de Meca para Medina e de Medina para Meca, cumprindo os desígnios do Senhor.
Ora, o meu ponto, querido Manuel, é este: estas não são figuras ausentes. Muito pelo contrário: são pessoas absolutamente presentes! Com efeito, são justamente os que nada escreveram, os que nada tiveram – numa palavra, os que não se objectivaram –, aqueles que permanecem duradoiramente na história com a qualidade de verdadeiros sujeitos.
É que a maior força que experimentamos nesta vida é, na verdade, a do espírito. Isto é um facto verificável. Com efeito, quem age hoje por causa de Júlio César e de todo o poder que ele teve? Quem determina a sua vida por causa do poder dos Medici? Quem quer agradar ao poder e ao dinheiro que passou?
No entanto, aqueles que viveram a sua vida de acordo com um poder que não se vê, mas que ilumina, ainda hoje determinam interiormente, transformando-a, a vida de cada um e de todos nós. Confúcio, Buda, Sócrates, Jesus, Maomé, São Francisco, Madre Teresa e os mais em que queiramos pensar. Mil anos passados, movem, de facto, montanhas.
A questão, assim, como a propósito da quaresma, num outro post, mais atrás, já tinha posto, é a da ordem que escolhemos para a nossa vida. Quem está no centro do mundo: o homem, ou Deus?
A resposta, dada nesse maior e melhor centro do mundo que é o nosso coração, continua a ser aquela que, respeitando a nossa liberdade, foi há mais de dois mil firmada por Jesus Cristo - e que nós lembramos por intermédio de São Mateus: «Onde tiveres o teu tesoiro, aí estará o teu coração.»

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