quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Crise? Qual crise?



Eu não sou economista – apesar de saber inglês! No entanto, não me parece muito difícil explicar a actual crise económica mundial.
Há pelo menos 30 anos o mundo decidiu viver a crédito. Este movimento começou no chamado mundo ocidental com a ideia de que, desta forma, era possível transformar os proletários de ontem nos burgueses de amanhã, sem pôr em causa os poderes instituídos.
As ideologias, porém, poderiam deitar tudo a perder. Mas socialistas e liberais têm mais em comum do que se pensa (nomeadamente a mesma ideia de que a economia é a base da vida humana em sociedade e de que a ciência e a técnica são os instrumentos que permitem dominá-la), pelo que conjuntamente se empenharam nesta mesma tarefa, deste modo diferindo os problemas do presente para o futuro.
Ora, neste moderno mundo da comunicação, que dizem ser o nosso, uma boa ideia não consegue ficar muito tempo escondida, pelo que logo se resolveu aplicá-la a todo o mundo. Claro que, aqui, passadas as fronteiras do confortável canto ocidental, o presente põe problemas bem maiores – as guerras, as doenças, a pobreza, a fome, o isolamento, a ignorância… – e, nesse sentido, mais difíceis de iludir.
Nada, porém, que a poderosa aliança entre políticos e capitalistas, operando de modo global, não consiga fazer, entretendo os povos num contínuo teatro mediático, no qual os indivíduos, espectadores e consumidores passivos da produção desta realidade, têm a noção de participar activamente.
É claro que tudo isto funciona com um equilíbrio muito instável, de onde resulta um terrível e constante medo das crises. Socialistas e liberais, aliás, também aqui sempre estiveram de acordo, pelo que, nos dois extremos, prometendo o fim da história, prometeram sempre o fim das crises. Em conjunto, portanto, continuaram a trabalhar.
O problema, como eu dizia, parece-me, assim, muito simples. Todos sabemos que, ao comprarmos qualquer coisa com um cartão de crédito, temos algo no presente pelo que só iremos pagar no futuro. Isto implica, obviamente, que alguém nos emprestou esse dinheiro, o qual haveremos de pagar com juros.
Ora, foi esta última premissa que, na verdade, desapareceu. Porque aplicando este sistema à economia global, temos que viver a crédito significa ter agora um conjunto de coisas pagas com dinheiro que resulta da produção de coisas que ainda não aconteceu, isto é, o dinheiro que nos emprestam ainda não existe.
É claro que nada disto tem importância se o tal equilíbrio se mantiver: os pobres e os proletários participam hoje mesmo nas delícias dos ricos e capitalistas e estes garantem que no futuro continuarão a ser ricos e capitalistas. O problema está nas crises. Porque elas obrigam a que o dinheiro, que só existe no futuro, seja pago agora. E aí é que são elas. Os pobres ficam sem as coisas, os ricos sem o seu dinheiro, e os governos são obrigados a tomar uma decisão (é, aliás, o que significa a palavra crise).
E todos temos visto os Bancos estatais a tentarem controlar a inflação e a injectarem dinheiro nas economias. Todos temos visto os governos a intervirem na gestão das instituições financeiras e a comprarem empresas em risco de falência. Mas ninguém quer mudar o discurso, porque ninguém quer mudar o estado das coisas. Se tudo correr bem, a tempestade vai passar e tudo ficará como dantes. Sem crises, sem história, sem ideologias.
Mas é difícil não reparar numa cada vez maior intervenção dos Estados nas economias, com a imediata conotação ideológica que isso tem. Com a agravante de que, perante a actual diminuição dos poderes dos Estados, essa maior intervenção caberá cada vez mais a entidades mais distantes dos cidadãos e dos seus representantes directos, que, deste modo, menos as controlarão e mais serão controlados por elas.
A estratégia, no entanto, para já, continua a ser pôr uma almofada sobre a cabeça e esperar que a tempestade passe, pelo que ninguém parece muito interessado em meditar no facto do governo dos Estados Unidos da América ter hoje nacionalizado uma Companhia de Seguros! Mas já ninguém deve ter ilusões: o século XXI será de novo um século de crises, de história e de ideologias. Para o bem e para o mal. Ora, o mal já aí está (nomeadamente a associação totalitária entre políticos e capitalistas). Cabe-nos agora preparar o bem.

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Briseida, a pelada ( continuação)

" - És bela tu, podia dizer-te que te deitasses comigo uma hora, mas não é nada disso que tu queres, pois não?" - Repetiu Aquiles.
Estavam sentados de frente. Aquiles tinha puxado bruscamente um banco para pousar as pernas. Briseida estava sentada com as costas direitas, a cabeça baixa, olhava as mãos. Via o queixo dele apontado na sua direcção e dois olhos de ferro.
Quando ela ouviu de novo a mesma frase, levantou a cabeça e disse:
" - Que é isso, uma hora?"
" -É o tempo que levam os Deuses a piscar os olhos" - respondeu Aquiles a rir.
Briseida ouviu a resposta em silêncio, depois levantou-se. Aquiles levantou-se também. Briseida virou-se para saír, ficando à distância de um sopro dele. Olharam um para o outro. Aquiles sorriu. Briseida saíu em passo apressado. De narinas dilatadas e cabeça levantada, aquele homem lembrava-lhe um cavalo que o pai tinha no estábulo.

Por ora, a nossa história fica assim. Retorna com o solstício. Veremos o que faz Briseida com um ano inteiro.

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terça-feira, 16 de setembro de 2008

Divórcio ou Morte!

Onde é que está Mr. Abubakar?
Entre a morte e o divórcio, Mr. Abubakar, um líder religioso nigeriano, escolheu o divórcio.
Casado com 86 mulheres, Mohammadu Bello Abubakar foi condenado à morte, a menos que aceitasse resignar-se à lei islâmica que lhe dá de barato ter apenas quatro mulheres. Mr. Abubakar ainda tentou litigar, sustentando que não há no Corão ponto, ponta ou versículo que penalize quem, para além das quatro relações canónicas (as quatro de avanço), se atire a compromissos sexuais mais ambiciosos.
Invocou também o facto de já estar casado com as suas 86 mulheres há mais de 30 anos. E reclamou resultados abonatórios: todas elas têm filhos seus. Cerca de 170, já que a contagem final se revelou incerta.
O tribunal, apostado na vigorosa e profunda reintrodução da Sharia, não se comoveu e, parafraseando o grito lânguido de Sierra Maestra, atirou-lhe com um “Divórcio ou Morte” irredutível. Mr. Abubakar aceitou. Não sem um lamento elegíaco: “Como é que estes sábios sacerdotes podem esperar que eu consiga deixá-las em dois dias?!
Para ser franco, há uma razão que me leva a simpatizar com as sacerdotais razões dos juízes islâmicos. Que, e autorizo-me a viril cumplicidade do primeiro nome, Mohammadu andasse feliz e contente, quem duvida? Mas poderá dizer-se o mesmo das mulheres de Mohammadu?
Admito que Mohammadu, de quem todos somos indefectíveis admiradores, conseguisse diariamente distribuir miminhos, húmidos beijos e suados abraços, para a seguir deslizar pela pista levantando glorioso e ruídoso vôo com uma das parceiras amadas. Admito mesmo que o infatigável Mohammadu repetisse diariamente a proeza com outra esposa.
Os números não mentem. Ainda assim, cada uma das 86 esposas teria motivos de plena satisfação apenas de 43 em 43 dias. Vá lá, um mês se, sempre em pé, Abubakar arrebatasse e fosse arrebatado por três amantes ao dia.
O adultério poderia ser a solução para elas, se o apedrejamento até à morte não cortasse cerce a ousadia. Outras modernices? O ambiente, em open space imagino, não seria o mais propício. Não se lhes conhecendo queixa, e atendendo ao longo conúbio de 30 anos, temo que a única legítima conclusão seja a de que esta amostra de 86 mulheres nos obriga a pensar, de outra e mais modesta maneira, a maneira como e quanto o sexo interessa às mulheres. Dir-se-ia que lhes interessa pouco.
Só lhes interessa de 43 em 43 dias? Vá lá, uma vez por mês? Mr. Abubakar, deixe-me que lhe diga, ao dar-lhes vida fácil, tornou a nossa muito mais difícil.
O Pnet Homem anuncia grandes mudanças. Como se pode ver, nesta transcrição feita com a devida vénia

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II. Ti Manel e Ti Jaquina

É evidente que o Ti Manel e a Ti Jaquina são analfabetos ou quase, mas têm uma grande sabedoria de vida. É bom de se ver. Porque a sabedoria de vida neste sistema pressupõe exactamente o analfabetismo. O escritor está-se a defender a si mesmo. Apenas isso. Justifica a sua ignorância, mostrando que pessoas ainda mais ignorantes que ele podem ser sábias. Aliás, apenas podem ser sábias por nada saberem de culturalmente estruturado. O problema é que este tipo de paradigma destrói o próprio valor da literatura. Alguém que escreve, e afirma quem nem sabe escrever é melhor que ele, está a lançar as sementes para que o próprio acto de escrever se torne coisa menor. E tem razão. E gosto de lhe dar razão no que lhe respeita. Faz arte menor. A arte dos Tis.

Julgava que estava em vias de extinção. Mas infelizmente renasce a todo o tempo. Repare-se que a arte vinda do povo nem sempre é arte popular, no sentido folclórico, estafado e enfadonho que geralmente tem. Hesíodo elevou-se por si mesmo à aristocracia da vida. Assumiu os valores aristocráticos, incorporou-os numa visão da vida e num modo e sentir popular e conduziu-se até à criação dos deuses. Se a sua intenção foi a ultrapassar Homero quanto à qualidade seria temerário dizer, mas ultrapassou-o geneticamente. Escavou até ao fundo o meio que conhecia. A terra. Subiu até ao maior cimo que conhecia. O céu. E neles desvelou a origem dos deuses. A sua formação.

Arte feita pelo povo, quando assume os valores aristocráticos, os faz descer à terra e os eleva até aos céus levando-nos até à origem dos deuses, sem dúvida essa é arte maiúscula. Mas arte popular que nem parte nem chega ao povo, porque dele nunca saiu, é apenas exercício de bairro. Acanhado. Isto tanto mais quanto esse povo é apenas ficcional, mera origem do autor. O escritor, hoje em dia burguês por inevitabilidade, quer assentar em terreno firme. Para ele, esse terreno é o povo. A classe que contribuiu para fazer desaparecer. Assenta em mortos em cujo homicídio participou e inventa por isso figuras em que até os nomes estão truncados. Ti Manel, Ti Jaquina.

Para dizer o quê? Que sendo pessoas de pouco banho e pouco lustre, são eles os verdadeiros, os ilustres representantes da raça humana. Eles devem ser o paradigma. Quando escava a terra apenas fica com lama. Quando sobe aos céus parte as pernas. E quando procura a origem dos deuses apenas encontra – Tis Maneis e Tis Jaquinas. Que Deus lhes perdoe, que outras coisas me ocupam neste momento.


Alexandre Brandão da Veiga

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Diet Coke or New Coke?


Escrevo de uma executive suite da Harvard Business School (sem cedilhas nem acentos), que apesar do pomposo nome, e’ um espartano quartinho com aguas quentes e frias no coracao do campus universitario e onde nao tenho sequer uma televisao onde possa presenciar ao serao o espectaculo vivo que este curioso pais chamado Estados Unidos da America proporciona aos seus cidadaos. Cidadaos esses, que hoje observam estupefactos e esperemos de forma particularmente humilde o colapso das algumas das suas mais queridas e aparentemente ate' aqui inabalaveis instituicoes privadas. Estou aqui reunido com lideres da industria farmaceutica e na companhia de alguns professores da HBS faculty (pagos de forma absolutamente obscena) procurando perceber como salvar esta industria dos horrores do inverno que se aproxima.

Sem televisao dizia, decidi pois entreter-me folheando o “The Harbus”, orgao oficial de comunicacao dos estudantes independentes desta universidade e que apresenta como artigo de fundo – “Sarah Palin – Diet Coke or New Coke? “

Deste maravilhoso e perfido artigo que se desenvolve ao estilo de um verdadeiro HBS case study, destaco os paragrafos de abertura e conclusao:

“This year's 2008 election is starting to look a lot like a certain RC strategy case: Cola Wars. There is the election's Coca-Cola, a historic and trusted brand, in John McCain. There is Pepsi, a youthful and fresh new brand, in Barack Obama. And there is Sarah Palin, John McCain's brand extension - his Diet Coke...”

“In the end, who knows? But one thing is for sure. Selecting a woman like Sarah Palin to be your running mate in this election year has little to do with politics. It is just damned good marketing.”

Considerando que as encomendas feitas ao distribuidor Americano dos oculos que usa a Palin, quadruplicaram desde o fecho da convencao republicana, os diligentes estudantes de Harvard estao aquilo que se podia dizer “right on the mark”!

Para quem estiver interessado(a), os ditos oculos sao made by Kazuo Kawasaki. Cabeleiras Palin Style podem tambem ser encomendadas on-line em Wigsalon.com

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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

João Luis Ferreira

Descobri, com a ajuda de um ilustre amigo meu, esta plataforma, Archis, e esta revista, Volume. Se há alguém, na "Geração de 60", habilitado a falar do tema, creio (estou absolutamente seguro) ser o João Luis que já não nos brinda com a sua inteligência (e ironia) há séculos. Peço-lhe um favor e faço-lhe um desafio: leia este trecho e mostre-nos como é que se sai do labirinto.

"Our society seems to be locked into a position in which the user’s and voter’s choices determine how we shall live in the future. A disturbing collective urban life in a giant Big Brother House looms, a material and social world in which sensationalistic media and its commercial translation dominate.
Our sense of what is real and what is quality is on the verge of collapse. The practice and education of the engineers of this society is determined by short-term effect instead of long-term social responsibility. Culture becomes little more than a market, politics its façade and the city its stage.
Instead of reviving old school high modernist social engineering or claiming the need for an intellectual junta, we solicit new forms of social engineering. Where shall this lead?"

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Chef Guerrieri

Hi Chef,


How come that you didn't invite the all "Geração de 60" bunch to Mezzaluna Madonna's dinner?!!! I'm happy - I guess all the bloggers are - that you got her. But now, you know, you've a story to tell.
At the next blog party: no rules, great stories.
Pois é, o Chef Guerrieri foi mesmo o anfitrião da Madonna no Mezzaluna. Grande escolha. Quem é que duvida que é este o melhor restaurante italiano de Lisboa?!

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I. Ti Manel e Ti Jaquina

Julgava que este tipo de literatura já tinha acabado. Uma em que as personagens são Ti Manel e Ti Jaquina. O dito realismo português consagrou muitas destas personagens, muitas vezes com bom estilo, mas mais vezes ainda com alguma tacanhez. Não é realismo. Apenas miserabilismo.

O argumento é bem conhecido. O escritor X aparentemente fala apenas do seu bairro mas o seu bairro é uma metáfora para o mundo, e é pois da humanidade inteira que fala. Falso. Se fala apenas do seu bairro é porque nada mais conhece. O espécime que reconhece é apenas extrapolado e de forma arbitrária. A diversidade da experiência humana é-lhe desconhecida. O seu espírito é imperialista. Pretende impor à humanidade inteira como paradigma o seu bairro.

Vivia na ilusão que já tinha desaparecido este tipo rotineiro de literatura. Para um texto ser literário teria de ter Tis (masculino) e Tis (feminino). É evidente que o realismo francês do século XIX tinha vários “pères”, o mais famoso o “Père Goriot”. Há mesmo quem tenha transformado a experiência popular em epopeia, como Visconti, que criou o realismo no cinema, para rapidamente o deixar a figuras amantes da repetição.

O problema não é o de meter Tis na literatura. Já se meteram coisas bem piores e com algum efeito e sentido. O problema é que se acha que a literatura necessita, exige, não vive sem Tis. Além de imperialista esta literatura é impositiva. De modo escondido, traficado, normativa. O Ti não é sinal de liberdade, mas um lugar comum imposto.

Nada tenho contra elementos normativos na literatura. A grande literatura não vive sem elas. A criação humana não se põe em pé sem regras. O problema é a qualidade das regras e a maestria do seu uso. O Ti como paradigma em vez de Apolo terá sempre um pequeno problema. Respira ar menos elevado e é menos bonito. Para quem gosta e para quem lhe basta tanto melhor. Citando a boa da rainha Cristina da Suécia: “non mi bisogna e non mi basta”.

Qual é o paradigma de vida destes cultores de Tis? Ti Manel, Ti Jaquina. Faltam letras, é bom de se ver. Porquê? Porque estes autores alimentam-se delas. Parca dieta para parcimoniosos resultados. Se é certo que a literatura sempre foi mais feita por quem tem a barriga saciada, nem sempre isso é assim. Mas também não deixa de ser verdade que, mais ou menos esfomeado que seja o escritor, se é bom, percebe que é frutificador de letras e não seu predador. Se vive de as comer errou na vocação.

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domingo, 14 de setembro de 2008

Ramalho Eanes

Acabo de ler o que João Gonçalves escreveu aqui. Ramalho Eanes foi prejudicado por uma decisão ad hominem de Mário Soares. Reparada a injustiça, poderia ter recebido mais de um milhão de euros. Recusou o dinheiro.
Vale a pena ler a notícia e o comentário no Portugal dos Pequeninos. Pode gostar-se mais ou menos do que Eanes tenha sido como estadista. Mas esta luva branca já ninguém lha tira. Poetic justice!

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O casamento do Sr. Sulu.




Hoje, enquanto meia América se deleita, rendida, com a retórica de cabeleireira de uma «quase-Miss Alaska» fã de criacionismo que trocou as voltas à eleição presidencial, casa-se o Sr. George Takei com o seu companheiro de 21 anos. É verdade, Mr. Sulu himself, aproveita a lei aprovada em Maio passado na California e põe a vidinha em ordem. A boda, rezam as crónicas, será abrilhantada pela presença do amigo de sempre, o meio-vulcano, meio-humano, Mr. Spock.

Não tenho, ao contrário do PS de Sócrates, nenhuma obsessão «politicamente correcta» com o casamento dos homossexuais. Está longe de me parecer a maior prioridade da nação e desconfio sempre muito da defesa de «agendas fracturantes» feita com base nos méritos do seu carácter ... «fracturante». Mas também é verdade que, nestes tempos de trevas, em que o Mundo corre o risco de vir a ser governado por uma criatura tão extraordinária como a Srª. Palin, confesso que me dá algum alento saber que há toda uma outra América, tolerante e liberal, que nunca se reverá na agenda religiosa e ultraconservadora da governadora do Alaska.

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130 mil empregos

Parece que dos 130 mil empregos criados pelo governo de Sócrates, cerca de 30 mil são no estrangeiro. Parece que alguns comentadores consideram o facto uma enorme perversão e se preparam para precipitar o primeiro-ministro nas mais duras penas do Inferno. A penas, enxofre e alcatrão.
Presumo que deve ser inveja. Emprego e no estrangeiro? Longe deste inglório e ingovernável jardim? Longe da qualidade de vida canalha de Lisboa? Está visto, por mais anjos que passem por eles, estes comentadores nunca saberão reconhecer a felicidade.

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Sealed With a Kiss

Os membros deste blog bem podem agradecer ao “sealed with a kiss” do vídeo abaixo terem chegado a ver a luz do dia e ameaçarem, mais dia, menos dia, virem a governar o país.
Em 1962, cantava-se assim, dançava-se como na foto acima, e amava-se de Verão em Verão, sem vontade de dizer adeus, com cartas ardentes fechadas com um beijo.
Ouçam, descontando o péssimo som do video, e depois encomendem o cd: “Teenage Crush, volume 1”.
Atendendo ao ritmo coleante, palpita-me que é um cd muito mais Tower Records do que Virgin.




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sábado, 13 de setembro de 2008

Le parole sono importanti

Tenho vindo a rever alguns filmes do Nanni Moretti e como verifico que o "Politically correct" nao e' caracteristica deste Geraçao de 60, nao podia deixar pois de partilhar este momento muito alto do seu cinema (incluindo a estalada a' jornalista claro!). Para os que nao viram ou nao se lembram de "Palombella Rossa", Michele Apicella (alter-ego de Moretti e que aparece pela primeira vez no filme "Ecce Bombo" de 1978), cansado da luta politica que vem a desenvolver como membro do partido comunista, encontra-se aqui neste longo dia a jogar uma partida de polo aquatico depois de um pequeno acidente de automovel durante a manha. Um acidente que o faz perder a memoria e esquecer o conteudo de uma polemica entrevista que teria dado na noite anterior a um programa politico televisivo e que e' reputada por todos os que o encontram de absolutamente memoravel e reveladora do estado do PCI.....

O uso da expressao "politically correct" que penso nao se usasse muito em 1989 quando este filme foi feito daria direito seguramente a uma muito merecida estalada do Nanni. Pensemos nisso quando enriquecemos (empobrecemos) as nossa frases com coisas do genero....

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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Às armas


Às armas!

No Pnet Homem - um sítio muito duvidoso, onde 7 cavalheiros que afinal são 6 escrevem artigos ululantes para competir com o Pnet Mulher onde 7 Evas dançam com alegre volúpia - o Pedro Marta Santos, o nosso Pedro Marta Santos, foi vítima de ataque soez.

É preciso pôr esta gente na ordem.

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The Cricket

O Geracao (quem me dera ter, neste canto do Mundo onde me encontro perdido, uma singela cedilha ou um esvoacante til) contratou mais uma estrela internacional. Desta vez fomos "pescar" a Milao e asseguramos os servicos de Vasco "The Cricket" Grilo. A biografia oficial garante que "Vasco Holds an MBA from SDA Bocconi in Milan, a Masters in Manufacturing Systems Engineering from Lehigh University, PA in the US and an Engineering degree from Instituto Superior Tecnico in Lisbon, Portugal". Pelo sim, pelo nao, prefiro nao por as maos no fogo pela veracidade de tao brilhante curriculo. Quando a esmola e grande, o pobre desconfia. O que posso garantir e que, com o seu humor corrosivo, o Geracao nunca mais sera o mesmo.
Bem vindo Vasco!

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Aznavour

Por mais estima que eu tenha pela canção francesa, e tenho alguma, do que eu gosto mesmo é de Charles Aznavour. Gosto muito mais de Aznavour do que de Gilbert... ó mas que é que isso interessa. Gosto muito mais do Charles do que de Yves... ó deixa lá isso. Gosto muito mais dele do que do Serge .... ó poupa-me.
Neste concerto em Nova Iorque, no Carnegie Hall, Aznavour está por cima, muito lá por cima, da sua plenitude. Já nem precisa de ser muito bom. Basta-lhe ser gentil e sem remorsos. Certo na melodia. Infalível no tempo.


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O Fundamentalismo

... detecto neste olhar um sentido de indevida apropriação...
A este post sobre Sarah Palin, a Inês Dentinho respondeu aqui com garra e frontalidade. Demarcou-se de Palin (“nada contra e muito menos a favor”, disse Inês) e apontou espingardas ao politicamente correcto (“porque é que não é visto como um fundamentalismo?”).
Obrigou-me, por isso, a consultar os meus botões e saíu-me isto.
Entre instinto e razão, entre sonhos e pesadelos, tenho algumas coisas contra Palin e outras a favor.
Digamos que não aprecio da mesma maneira o que nela é acção e o que nela é reflexão. Indeciso e inconstante, não consigo é saber o que aprecio ou o que detesto.
Ah, mas sei o que odeio no politicamente correcto, e dou exemplos:

· a apropriação monopolista dos meios de contestação;
· a acumulação primitiva da mais-valia da queixa;
· a liminar exclusão dos adversários como praxis científica e revolucionária;
· mas sobretudo, sobretudo, pensarem que Lukács é uma marca de lâmpadas de 15 watts.

Ai Sarah, Sarah, que o teu fervor não derreta os gelos do Alaska.

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Será o Domingo?




E aqui o desenvolvimento.

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O pragmatismo como princípio

Não resisto a sugerir a leitura deste artigo de Cass Sunstein (um dos melhores constitucionalistas americanos e amigo de Obama) sobre a filosofia política de Obama. A tese fundamental é a seguinte: aquilo que alguns têm entendido como mudanças de posição ou contradições ideológicas por parte de Obama, conduzindo a acusações de oportunismo político é, na verdade, reflexo de uma forma particular de conceber a política como necessariamente aberta às posições contrárias e procurando sempre um consenso socialmente alargado.
Esteja-se ou não de acordo com a tese de Sunstein ela é muito bem construída e particularmente interessante por duas razões. Primeiro, porque transforma o pragmatismo numa posição de princípio: não são razões de estratégia e oportunismo que motivam as aparentes contradições ideológicas de Obama mas sim uma filosofia política de constante abertura à posição contrária e de busca do consenso social. Segundo, porque reconstrói a personagem política de Obama de forma semelhante à auto-representação de McCain. Também este se apresenta como um homem de consensos (acima dos partidos) e cuja a heterodoxia o torna difícil de catalogar em termos ideológicos. Só que, enquanto em Obama isso nos aparece como uma consequência do seu intelecto, em McCain isso é apresentado como produto da sua história de vida.
A seguir nos próximos capítulos…

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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

As Ideias Perigosas

...Regressando do terreno das amarguras nórdicas, onde a glória pessoal (três golos, um de improvável trivela) se perde na errância patriótica, aos pés torpes desses misséis altos, de cabelo loiro - perdoem-lhes, porque eles só têm a sorte e Hans Christian Andersen.

Regressando às ideias que ameaçam: "Grandes Ideias Perigosas" (Tinta da China, Maio de 2008) é a tradução do original norte-americano de 2007, uma resenha da pergunta lançada pelo psicólogo de Harvard, Steven Pinker, no âmbito de um "think tank" progressista - mesmo para os padrões do ocidente europeu - chamado "Edge" (edge-org, vale a pena uma consulta periódica na Net), que há uns anos vem defendendo, de forma despretensiosa, a chamada Terceira Cultura, a saber: os intelectuais do mundo pós-moderno, moldados na ressaca dos anos 70, cristalizaram-se na desconstrução da linguagem e na reavaliação do quadro de pensamento antes conhecido por Artes e Letras, esquecendo a importância crítica da reflexão científica.
No fundo, trata-se de um regresso ao passado: de Da Vinci a Richard Feynman, os homens que pensam verdadeiramente o seu tempo - e as consequências desse tempo no futuro - são os que integram a cultura "artística" na cultura "científica".
Na minha modesta opinião (a madrugada permite-me escrever isto com sinceridade), os notáveis subscritores desta célula altamente desestabilizadora ( Pinker, Richard Dawkins, John Brockman, Rupert Sheldrake, Matt Ridley, Daniel Dennett, Craig J. Venter - esse mesmo, o geneticista herético) só pecam por defeito: O FUTURO DO PENSAMENTO QUE IMPORTA É EXCLUSIVAMENTE CIENTÍFICO - desde que praticado por homens e mulheres que compreendam emocionalmente Vermeer e Martin Luther King...
Ainda as Ideias Perigosas: estas agoras publicadas em Portugal resultam da pergunta colocada ao grupo em 2006 por Steven Pinker: "A história da ciência está cheia de descobertas que, na sua época, foram consideradas social, moral ou emocionalmente perigosas: as revoluções concretizadas por Copérnico ou por Darwin são as mais óbvias. Qual é a sua ideia perigosa? Uma ideia em que tem meditado (não necessariamente uma ideia sua, original) e que acha que é perigosa, não porque se presume que é falsa, mas porque pode ser verdadeira?

Dois exemplos retirados do livro:
- "O nosso planeta não está em perigo". Oliver Morton, redactor principal da "Nature", defende que as - grandes - crises ambientais sempre foram uma parte crucial da história da Terra. Depois de tremendas flutuações da temperatura, glaciações severas, fortes impactos de asteróides e cometas, a Terra, continua aqui, incólume. E continuará, tomando conta de si própria, alheia a flutuações alarmistas. (O que não significa que deixemos de cuidar dela o melhor possível).
- "A gramática moral universal é imune à religião". Para Marc Hauser, existe uma larguíssima diversidade de juízos morais imunes a variações demográficas ou culturais, entre os quais o enquadramento religioso (concordo).

Acho que os nossos estimados cúmplices (do 1 ao 100 000) gostariam de saber qual é a Ideia perigosa de muitos de vocês. Que Ideia Perigosa têm para 2008?

Deixo a minha: "A plena compreensão do fenómeno da consciência é impossível".

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