quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Mark Serwotka

São estimulantes os franceses que defendem os mercados e os ingleses que o criticam. Ao contrário do que se pensa, numa visão muito rígida da vida, tanto a França tem uma longa tradição de defesa do liberalismo económico (Say, a Monarquia de Julho, por exemplo), como o Reino Unido tem uma longa tradição da sua crítica (o fabianimo, muito do pensamento das elites escocesas). Não se trata de um país ser mais ou menos liberal, mas antes de dar mais ou menos audiência ao liberalismo económico.

No que me respeita, este estado de coisas revela dois aspectos que seria curioso analisar em geral. Por um lado, a ideia de que o verbo “ser” é visto como produto congelado pelas classes mais desfavorecidas (entenda-se, opinion makers e quejandos). A Inglaterra “é”, a França “é”. Não se perguntam, o quê, quando, como, em que medida, em que aspecto. A ideia de que as coisas mudam assusta-os e por isso gostam de dizer que os franceses “são” e os ingleses “são... seja o que for.

Em segundo lugar, a importância das minorias, pelo menos das minorias visíveis. As maiorias nem sempre são silenciosas, mas muitas vezes não têm arautos. As minorias de pensamento (não as outras) são frequentemente obrigadas a muito maior cuidado na sua fundamentação, a maior isenção nas suas análises.

Por isso um Mark Serwotka, anti-trabalhista, líder de um sindicato não filiado no partido trabalhista, socialista despudorado, é uma personagem francamente interessante. Que desenfado em relação ao expectável e em relação à litania laudatória do mercado.


http://www.bbc.co.uk/iplayer/episode/b00d68lt/
http://en.wikipedia.org/wiki/Mark_Serwotka
http://www.guardian.co.uk/society/2004/oct/27/interviews.politics
http://www.personneltoday.com/articles/2007/03/06/39523/personnel-today-interviews-mark-serwotka-general-secretary-pcs.html
http://www.marxismovivo.org/bill6port.html



Alexandre Brandão da Veiga

(mais)

De Praga a Abbey Road

Há 40 anos, Praga passava directamente da Primavera a um penoso Inverno. Há provas. Veja-se uma, acima.
Um ano depois, os Beatles descobriam, em Abbey Road, a perfeita e sombria doçura do Outono.


(mais)

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O carmesim da obscenidade

"Lolita, light of my life, fire of my loins. My sin, my soul." É com esta frase que Vladimir Nabokov começa o romance que mais fama e mais proveito lhe deu em toda a sua carreira.
A tradução portuguesa, na versão que tenho, editada pela Teorema em 1987, acompanha com correcção o exaltado garbo com que Nabokov tratou a língua inglesa, e cito: “Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade. Meu pecado, minha alma.” Reconhece-se o honesto esforço, mas escapa-lhe a cadência da aliteração do original e, tratando-se do que se trata, é pena que a tradução portuguesa tenha associado o fogo que emana da visão de Lolita a uma conceptual “virilidade”, quando em inglês o mesmo fogo abrasa com precisão anatómica os “loins” que são o pecado e a alma do narrador.

Se falo de “Lolita”, o romance de Nabokov que Graham Greene foi o primeiro a louvar e Stanley Kubrick o primeiro a adaptar ao cinema, não é para exercitar dotes de crítico literário que não tenho.

Recordo apenas que, neste 2008 em curso, faz 50 anos que o romance viu a luz do dia nos Estados Unidos da América. Antes, quatro editores tinham recusado o livro com receio – melhor, com medo – da controvérsia. Não era caso para menos. Por mais voltas que lhe possamos dar, “Lolita” é a história de um pedófilo. Narrada com admirável estilo – ou não tivesse Nabokov dito do seu narrador, Humbert Humbert: “É sempre de esperar num assassino uma prosa de estilo caprichoso” – continua ainda assim a ser a história de um pedófilo. Tratada com brilho literário, a monstruosidade não deixa de ser monstruosidade, a perversão tem sempre o leve cheiro a esgoto da perversão.

As fantasias desviantes de Humbert Humbert acabaram por ser acolhidas em livro, pela primeira vez, em França. O facto é tão irónico como justo. Afinal, Humbert Humbert, o protagonista de “Lolita”, é um parisiense, especialista em literatura francesa. E fora em França que se animara à inclinação para as ninfitas (ou ninfetas?) que constitui o centro do que virá a ser o seu périplo americano, “depois de um Inverno de tédio e pneumonia em Portugal”.

A publicação em França foi pacífica e discreta. Seguiu-se o escândalo da edição inglesa, em 1956. Dois anos depois, o livro foi editado nos Estados Unidos. Surpresa: sem polémica e com vendas astronómicas.

Não admira. Há coisas que baralham o mais pudico e resistente dos leitores: “Lolita”, a história de um pedófilo francês envolvido com uma ninfeta americana, é superiormente escrita em inglês por um autor russo. Depois de tão nebuloso e improvável puzzle, o leitor está pronto para enfrentar alguma lascívia, que é como quem diz, o carmesim da obscenidade.

Com a devida vénia, do Pnet Homem

(mais)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Briseida, a pelada

A escrava atravessou o acampamento usando o longo pesado véu negro. Seguindo o rei, passou pelos guardas, entrou na tenda. O rei parou, olhou para Briseida e voltou a saír.
Ela deu alguns passos até ao centro da divisão. O grande cão cinzento deitado aos pés da cama do dono levantou a cabeça.
" - Ash, ash" - Disse Briseida que, criada com aqueles cães de pastor, sossegou o animal.
O dono estava encovado na cama. Não se parecia com Aquiles, o guerreiro.
O corpo entrapado cheirava a unguento e miséria. Tinha chagas nas pernas e nos pés, onde as unhas apodreciam.
Tirou-lhe as ligaduras, limpou-o, aplicou-lhe as ervas moídas, fez-lhe novos curativos. Retirou-se, sem que Aquiles abrisse os olhos.
No segundo dia quando Briseida entrou na tenda o cão não levantou o focinho. Aproximou-se da cama. Aquiles virou a cabeça, de olhos abertos:
"- Quem és tu?" - Indagou.
" - Chamo -me Briseida " - Retorquiu ela, enquanto tratava o ferido.
" - Ontem sonhei que duas águias negras me levavam, passando por rios e montanhas, até chão sagrado."
" - Águias ou abutres?" - Perguntou Briseida.
Aquiles não respondeu. Quando falou foi para dizer:
" - Com que defeito te asinalaram os deuses que te trazem coberta?"
" - Pelada, senhor".
Briseida acabou o tratamento e saíu.
( continua)

(mais)

domingo, 17 de agosto de 2008

Two Shots of Happy

Quando Frank Sinatra fez 80 anos, alguns dos melhores cantores de língua inglesa prestaram-lhe homenagem. Bono escreveu para ele esta canção, magnífica, que nunca mais, acho eu, voltou a cantar. É pena. "Two Shots of Happy, One Shot of Sad” é o mais perfeito fato à medida que alguém podia ter feito e oferecido ao velho Frank.

Ouçam e se vos apetecer cantar a letra segue depois do vídeo.




Two shots of happy, one shot of sad
You think I'm no good, well I know I've been bad
Took you to a place, now you can't get back
Two shots of happy, one shot of sad

Walked together down a dead end street
We were mixing the bitter with the sweet
Don't try to figure out what we might of had
Just two shots of happy, one shot of sad

I'm just a singer, some say a sinner
Rolling the dice, not always a winner
You say I've been lucky, well hell I've made my own
Not part of the crowd, but not feeling alone

Under pressure, but not bent out of shape
Surrounded, we always found an escape
Drove me to drink, but hey that's not all bad
Two shots of happy, one shot of sad

Guess I've been greedy, all of my life
Greedy with my children, my lovers, my wife
Greedy for the good things as well as the bad
Two shots of happy, one shot of sad

Maybe it's just talk, saloon singing
The chairs are all stacked, the swinging's stopped swinging
You say I hurt you, you put the finger on yourself
Then after you did it, you came crying for my help

Two shots of happy, one shot of sad
I'm not complaining, baby I'm glad
You call it a compromise, well what's that
Two shots of happy, one shot of sad

Two shots of happy, one shot of sad

(Happy birthday, Frank)

(mais)

Ter 115 anos não é sexy

Mae West: um reclinado conforto
Ter 115 anos não é sexy. Se estivesse viva, Mae West festejaria hoje esse aniversário. Temo que a ideia a encantasse.
Nascida em Queens e criada em Brooklyn, rosto redondo e corpo rectangular, com os qualificativos a valerem o que menos a uma mulher e à maior parte dos homens lhes interessa que valham, o certo é que Mae West se converteu num sex-symbol.
Começou cedo no teatro e cedo chegou à prisão. Em 1927, estreou Sex em Nova Iorque, acabando condenada a 10 dias de prisão por atentado à moral. Durante a penosa reclusão exigiu usar sempre roupa interior de seda. O director do estabelecimento, compreensivo e com inclinações artísticas, levou-a ao cinema todos os dias, menos dois, os que, por bom comportamento, já não cumpriu.
Hollywood, seduzida pela controvérsia, convidou-a para o cinema com a improvável idade de 38 anos. Não fez muitos filmes e talvez nenhum deles seja uma obra-prima. Mas com “She Done Him Wrong“ e “I’m no Angel” firmou uma reputação. Para mim bastaria a voz. Mas há quem, nela, veja outros altos valores. Por exemplo: os caracóis louros, o olhar malicioso, o corpo que talvez seja muito menos rectangular do que eu disse e muito mais próximo do reclinado conforto duma “chaise-longue” (o reclinado conforto é ideia minha, a “chaise longue” emprestou-ma o ensaísta David Thomsom) .
Repito, a mim bastar-me-iam as coisas que disse e a rouca maneira como as disse. Cito três das suas mais famosas réplicas:
“Tens uma pistola no bolso ou estás apenas contente por me voltar a ver?”, frase dela que o olhar discreto e baixo confirmava em “She Done Him Wrong”, parece ter sido o que, na vida real, disse ao polícia que, em L.A. a foi escoltar no regresso duma viagem.
Intraduzível (digo eu por timidez), é o que ela sugere a Cary Grant, no primeiro filme que fizeram juntos: “Come up and see me some time.”
“Quando sou boa, sou muito boa, mas quando sou má, sou muito melhor” constitui o momento mágico de “I’m No Angel”.
Estas réplicas, ditas como ela as disse, deram pela primeira vez substância à palavra libido, até aí um termo inútil.
Constrangida, Hollywood inventou o divertido Código Hays, que determinava o que se “podia” e o que “não se podia” fazer, fingir que se fazia ou dizer. Mae West reagiu bem: “Acredito na Censura. Fiz uma fortuna à conta disso.”



(mais)

sábado, 16 de agosto de 2008

( continuação)

O rei ficou sentado olhando o horizonte que ainda ardia da refrega. Levantou-se, caminhou até a uma tenda isolada. Os guardas afastaram-se para Aga passar. Na penumbra, mulheres e crianças dormiam aconchegadas, tomados todos, seus escravos. O rei olhou em volta. A um canto, viu o dorso de uma mulher. Deitada de lado, parecia de estatura mediana, de ossos compactos. Tinha o cabelo negro, crespo, que lhe descia até à cinta, a pele não era branca como a sua, mas amarelada. O rei Aga, ficou ali de pé. Saíu, sem lhe ver o rosto.
A mulher virou-se lentamente, mas só se quando teve a certeza que o homem saíra.
Pela aurora, o rei deu ordem para que a trouxessem.
Vinha suja e desgrenhada. Presa pelo tornezelo, caminhava direita. O rosto era anguloso, com feições definidas. Os olhos eram grandes, escuros.
O rei lembrava-se de ter visto grandes gatos selvagens com olhos daqueles, com impertinência. Sentado, olhou-a e disse: " - Não és Helena...mas servirás."
Deu ordem para que a lavassem, vestissem e perfumassem. De noite, quando as fogueiras do horizonte se começavam a extinguir, trouxeram-na à presença do rei. A um sinal, saíram todos. Aga levantou-se, deu dois passos até ficar perto dela. A mulher vestia túnica e na sua pele amarela refulgia ouro.
" - Tens nome?"
" - Briseida." - Disse a mulher
" - O maior guerreiro que já viveu precisa das tuas mãos para fazer a passagem. Sabes cuidar de feridos?" - Perguntou o rei.
" - Cuidei de meu pai e irmãos." - Respondeu-lhe ela.

O rei colocou-se à sua frente. Tinha cabelo castanho claro, media mais dois palmos do que a escrava. Tinha olhos de pedra, a boca era uma linha fina, apertada. Disse:" Entrarás na tenda de Aquiles sempre coberta por este véu negro que jamais tirarás. Se o tirares, mato à tua vista, os dois irmãos que trazes contigo."

(mais)

O magnânimo imperador

Depois de ler este riquíssimo post da Sofia Galvão, embora não tendo voz na matéria, por ser pobre ao pé dos ricos e rico ao pé dos pobres, a coisa ficou a moer-me. Lembrei-me de que a minha mãe me dizia, e felizmente ainda me diz, que tanto é pecado roubar dinheiro, como não se cuidar e proteger o que é legitimamente nosso.
Sabe Deus porquê – que Ele sabe, sabe, mas que Ele não me diz o que sabe, não me diz – deparei-me com uma ancestral prática chinesa que remonta à dinastia Yuan: aqueles que rasgassem as notas de dinheiro em papel eram vergastados com 100 bem aplicados golpes de cana de bambu. Pela simples e irredutível razão de que rasgar dinheiro era o equivalente a destruir documentos com o selo imperial.
Ora faz hoje, a 16 de Agosto de 2008, exactamente 624 anos, que o primeiro imperador Ming – depois de destronar a corrupta dinastia Yuan – teve um gesto de piedade. Trouxeram-lhe um casal que, no meio de desavença doméstica, rasgara as preciosas e imperiais notas. O magnânimo Hongwu ouviu as partes e concluiu que a paixão fora o motor da disputa: as notas tinham sido rasgadas sem intenção. O claro objectivo do casal era dilacerarem-se um ao outro. Pela primeira vez, na China imperial, o crime foi perdoado.
O que fazer, por isso, aos nossos mais e verdadeiramente ricos que, deixando-se empobrecer, empobrecem o país? Cana de bambu ou magnânimo e socrático perdão?

(mais)

Briseida, a pelada

- Aga, meu rei, vencemos?

- Vencemos sim. Os Deuses estiveram connosco. E tu estiveste com eles hoje, Aquiles.

- Não sei se vivo ou se morro...

- Viverás, para glória do teu rei e dos Aqueus.

- Morro pela glória, vivo pelo meu rei...


O rei Aga saíu da tenda deixando Aquiles deitado e gravemente ferido. Caminhou por entre os seus homens, que embriagados, dormiam abandonados, soltos e saciados à luz das fogueiras. A batalha tinha-se prolongado por muitos dias, os homens mereciam o seu descanso.

O rei caminhou até ao limite do acampamento. Sentou-se, enquanto se lembrava do dia em que tinha conhecido Aquiles, há muitos anos. Tornaram-se inseparáveis. O rei Aga não suportava a ausência do amigo, que sendo belo, dotado e veloz, o fazia sentir errante, terreno e mortal.


Recordaria sempre esse dia, porque esse foi o último dia feliz da sua vida.


( A continuar. Que me perdoem os deuses pela ousadia, já que respondi afirmativamente ao desafio do Gonçalo )

(mais)

Gregos e Troianos (II)



Continuava ainda a pensar no quanto andamos distraídos da liquidez dos nossos caminhos (nós, que construímos sobre naves as igrejas e os centros comerciais; nós que abarcamos cientificamente a realidade; nós que pusemos no céu os astronautas; nós, que navegamos na internet; etc.), quando, relendo, ao acaso, a «Odisseia» (que a «Ilíada» não a tinha à mão), os meus olhos repararam no Canto IX, que começa assim:

«Quando a nave deixou o curso do rio Oceano e atingiu as ondas do mar de muitos caminhos, depois da ilha de Eeia, onde reside com seus coros a Aurora, que nasce de manhã cedo, onde se ergue Hélio, encalhámos logo à chegada a nau sobre as areias e saltámos para terra por entre a arrebentação do mar. Em seguida adormecemos esperando pela brilhante Aurora.»*

O texto continuava, entre o mar e a terra, a noite e o dia, a vida e a morte, falando-nos do caminho que somos chamados a fazer. Ia eu meditando estas coisas quando surgiu a Sofia Rocha, instando-nos, em nome da igualdade de género, a que escrevêssemos sobre gregas e troianas. Pediu mesmo ao Manuel, de belas palavras, que falasse do amor de Aquiles e Briseida, e de como era diferente do amor que ele tinha com Pátroclo, desafiando-nos a todos a falar da bela Helena, motivo da guerra de Tróia. Desprevenido, como sempre estão os homens ante os pedidos das mulheres, voltei ao texto, que dizia:

«Ela disse, e o nosso coração viril obedeceu-lhe. Assim, ao longo do dia, até ao pôr-do-Sol, ali ficávamos, repartindo entre nós carnes em profusão e doce vinho. Posto o Sol e sobrevindas as trevas, os meus homens foram dormir junto das amarras; mas Circe, tomando-me pela mão, obrigou-me a sentar-me longe deles, deitou-se a meu lado e interrogou-me sobre todos os pontos. Eu contei-lhe tudo, como devia. E a augusta Circe dirigiu-me então estas palavras: “Eis portanto esta prova cumprida até ao fim. Tu, escuta tudo o que te vou dizer; aliás, um deus em pessoa te fará recordá-lo. Chegarás primeiro à terra das Sereias, cuja voz seduz qualquer homem que caminhe para elas. Se algum se aproxima sem estar prevenido e as ouve, jamais a sua mulher e os seus filhos pequerruchos se reúnem em torno dele e festejam o seu regresso; o canto harmonioso das sereias cativa-o. Elas habitam num prado, e a toda a volta a margem está cheia das ossadas de corpos que se decompõem; sobre os ossos disseca-se a pele. Passa sem te deteres; amassa cera doce com mel e tapa as orelhas dos teus companheiros, para que nenhum deles as possa escutar. Quanto a ti, ouve, se quiseres; mas que sobre a tua rápida nau te atem as mãos e os pés, erguido junto ao mastro, e a ele te prendam por meio de cordas, a fim de que gozes o prazer de ouvires a voz das sereias. E, se tu suplicares e instares a tua gente para que te soltem, que eles dêem nós ainda mais numerosos. Depois, quando eles tiverem ultrapassado as sereias, já não te direi com precisão qual das duas rotas deverás seguir; cabe-te a ti deliberar em teu coração.»*

Dito isto, decidi seguir o meu caminho, que pelos deuses me parece estar já traçado, ainda que não saiba onde vai dar. Mas à Sofia, de sábios conselhos, relanço o próprio desafio, para que se junte a nós, «infelizes, que entramos vivos na morada de Hades e que morremos duas vezes, quando todos os outros homens não se finam senão uma»*, e aqui nos conte a sua visão da bela Helena. Ou de Andrómaca, ou de Penélope; ou de Calipso, a ninfa de belos caracóis, a augusta deusa que, na sua ilha, quis prender Ulisses, ao qual amava, mas cuja vida doce, que ali tinha, «corria em pranto pelo perdido regresso.»**


Quadro de: John William Waterhouse,Ulysses and the Sirens, 1891
* Odisseia, Canto XII (Ed. Europa-América, Mem Martins, s/d, págs. 133-134)
** Odisseia, Canto V (Ed. Europa-América, Mem Martins, s/d, pág. 63)

(mais)

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Show Them To Me

Nunca é tarde para descobrir que, com um toque de humildade e uma pitada de gentileza, ainda há quem, graciosamente, faça o que lhe é pedido.
O vídeo é ligeiramente mais brejeiro do que a generalidade das propostas do "Geração de 60", mas tem a necessária elevação patriótica.

P.s. - Para que conste, a country music nunca foi a minha chávena de chá! Creio que vou proceder a uma revisão histórica.

(mais)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Ricos


A constatação de que os mais ricos estão menos ricos não traz nada de bom. E só pode alegrar pelas piores razões.

O objectivo é que os pobres sejam menos pobres, convém não esquecer. Mas, para isso, é fundamental que haja riqueza para distribuir. Como será decisivo que a distribuição dessa riqueza seja progressivamente mais justa.

Mas o que hoje se sabe é que, em Portugal, os mais ricos estão menos ricos, sem que os pobres estejam menos pobres. Pelo contrário, os mais ricos estão menos ricos na mesma altura em que os pobres estão mais pobres.

A notícia do empobrecimento dos ricos é, pois, linearmente a expressão do empobrecimento do País. Ricos menos ricos e pobres mais pobres, sem que nada indicie mudança da tendência.

A merecer reflexão especial, os mais ricos dos mais ricos. Razão directa entre negócios e poder?

(mais)

O Calcanhar de Aquiles

A propósito da teoria da escolha que o Miguel elaborou aqui, e por causa deste post do Gonçalo, segue este post scriptum ao meu post anterior:
A tragédia de Heitor, o nobre troiano, é a de não ter escolha: a ele, e só a ele, compete defender a sua cidade e a sua comunidade.
A tragédia do glorioso e colérico Aquiles é a de que pode escolher entre dois destinos: uma vida longa e obscura e uma vida breve e heróica.

(mais)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Aquiles dos pés velozes

Este post do Gonçalo desarrumou-me a noite. Acabei a trocar os Jogos Olímpicos pela minha velhinha edição da “Paideia”, de Werner Jaeger, e pela “Hélade” e “Estudos de História da Cultura Clássica”, da admirável Professora Maria Helena da Rocha Pereira.
A verdade é que para dialogar com o Gonçalo precisava de ajudas. E de grandes livros. Mas o que escrevo a seguir é teoria minha (ou será só preconceito meu). Foi o que ficou das horas de pouco e desordenado estudo que consegui encaixar nos anos de vida pouco recomendável em que coincidi passar pelos bancos da douta Academia.
O que escrevo não é, também, resposta ao Gonçalo cuja argumentação, convergindo para o Uno, não contesto, antes admiro. É só um diálogo de que saímos cada um por seu caminho.
Fiquei a pensar no que o Gonçalo escreveu: “não vejamos Aquiles e Heitor como dois – mas como um só!” Pensei, e depois de algumas peripatéticas voltas, a minha conclusão é sempre a mesma: na “Ilíada”, Aquiles não é um, é dois.
A sua origem é divina. Semi-deus, filho de um rei e da nereida Tétis, tão central como ausente na narrativa, Aquiles é o herói modelo. Nobre e corajoso, ele é o exemplo da areté (virtude) guerreira.
Mas Aquiles, o Aquiles que Homero nos apresenta é, desde o primeiro momento, humano, tragicamente humano. “Canta, ó deusa, a cólera de Aquiles...” Aí está o homem: colérico, furioso e vingativo.
Aquiles é mesmo duas vezes vingativo: contra Agamémnon que lhe rouba Briseida, a escrava que recebera como troféu de guerra; contra Heitor que matou o seu fiel Pátroclo. O rancor de Aquiles contra Agamémnon é mais forte do que a obrigação de lutar ao lado dos seus guerreiros que, impávido, deixa perecer às mãos sangrentas dos troianos que os deuses, instados por sua mãe, agora protegem.
Mais tarde, regressado ao campo de batalha e movido por uma vingança desabrida, Aquiles arrasta o cadáver de Heitor à volta do túmulo do Pátroclo, o amigo (“arrastei para aqui Heitor, para os cães o comerem cru;”), sob o olhar desfeito e agónico de Príamo, o pai do nobre vencido. Ímpio, recusa-lhe depois sepultura.
Se em Homero (ou no poema das múltiplas vozes que o seu nome recobre) Aquiles dos pés velozes (mas de frágil calcanhar) era duplo – deus e humano, tão nobre e corajoso como colérico e vingativo – nos séculos que se seguiram os poetas deram-lhe variadas máscaras. Foi personagem de Ésquilo numa trilogia perdida. Píndaro atribui-lhe uma infância maravilhosa. Shakespeare transforma-o num monstro de vaidade em “Tróilo e Créssida”. Goethe, como na “Ilíada”, mostra-o consciente de que terá vita brevis.
Nesta pluralidade, de rostos resplandecentes e armaduras faiscantes, reside a beleza que me atrai e o consolo que procuro. Nenhuma síntese, mesmo verdadeira, me dará tanto som, tanta fúria.

(mais)

O que tem o Presidente da TAP a ver com os dois sequestradores brasileiros?

Jornal da Noite na SIC. Longa entrevista com o Presidente da TAP sobre o futuro da empresa e do transporte aéreo. Entrevista interessante até à pergunta final que, no mínimo, qualificarei de infeliz: Sendo o senhor brasileiro que comentário lhe merece o sequestro do BES? O Presidente da TAP, provavelmente surpreendido com a mudança de tema, lá responde as banalidades necessárias e manifesta o seu choque com a acção dos seus compatriotas…
Questiono-me de como me teria sentido eu, ou qualquer outro português, se, encontrando-me nos EUA nessa altura, me tivessem pedido, a despropósito, para comentar a violação por quatro portugueses de uma Americana em Newark (que deu azo a um famoso filme com Jodie Foster). Ou, vivendo eu no Luxemburgo, se de cada vez que há um crime cometido por um português me viessem pedir para o comentar? É que implícito na pergunta está a ideia de que se trata de um tema relativo a comunidade brasileira e não apenas um crime cometido por dois brasileiros (diferente seria se a pergunta pedisse ao presidente da TAP, enquanto "representante" destacado da comunidade brasileira em Portugal, para comentar o impacto que algumas reacções públicas ao crime poderiam ter na relação entre as comunidades brasileira e portuguesa ou até se a pergunta fosse precedida de dados indicando que uma percentagem desproporcional da criminalidade está associada aos imigrantes brasileiros o que as estatísticas, aliás, negam). No fundo a pergunta assume como legítima e natural a associação entre os dois criminosos brasileiros e os brasileiros. Como se os últimos tivessem de justificar ou explicar o comportamento dos primeiros. Que outra justificação existe para transformar um crime cometido por dois brasileiros numa pergunta à comunidade brasileira? Não creio que o jornalista tivesse más intenções mas é este tipo de associação irreflectida que conduz facilmente à xenofobia…
PS: No Público de hoje, Rui Tavares conta que no dia seguinte ao sequestro foi depositada uma coroa de flores que dizia "Em memória de Milton Sousa, morto neste local por ser brasileiro". Escusado será dizer que tal frase é igualmente xenófoba. Nada indica que o comportamento da policia seria diferente se se tratassem de portugueses.

(mais)

Quem vê cara não vê voz...


Já não chegava o doping desportivo agora também temos o doping artístico nas olimpíadas:
http://dn.sapo.pt/2008/08/13/desporto/pequim_falsificou_cerimonia_abertura.html

(mais)

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Gregos e Troianos (I)



Fui inspirado pelo Manuel Fonseca, em diálogo que tivemos abaixo, a escrever algumas notas sobre textos dos antigos gregos. As minhas muitas limitações, porém, para além das que são próprias deste espaço, não o tornam tarefa fácil. Vou, portanto, precisar de ajuda (e não só do Manuel, que sei de bom grado a dará, mas também do Miguel Maduro, que assim nos poderá ir introduzindo na sua anunciada «Teoria da Escolha»). Dito isto, neste primeiro post, começo por uma afirmação e uma advertência.
A afirmação é de Paul Grenet, que no seu livro «Le Thomisme», julgo que logo na primeira página (mas pode bem ser na segunda), dizia que a questão fundamental em torno da qual se desenvolveu a inteligência grega foi a da relação entre o uno e o múltiplo. Vê-lo-emos expressamente num outro post – assim o espero –, ao visitarmos o «Rei Édipo», de Sófocles. Para já, porém, continuemos a ler a «Ilíada», na qual poderemos ver a verdade desta asserção, primeiro, e fazer a tal advertência, depois.
«Canta, ó deusa, a ira do Peleio Aquiles...» Assim começa esta história dos homens protagonizada em Tróia pelo grego Aquiles, filho do rei Peleu e da deusa Tétis e o mais corajoso de todos os guerreiros. Essa ira, que concretamente nos é mostrada a partir das desavenças e dos desamores do herói Aquiles, é o extremo brutal com que os seres humanos reagem perante a consciência trágica da sua própria condição (o outro extremo é o amor), obrigados que estão a escolher entre uma morte eterna e uma vida mortal (é aqui, aliás, que se joga o contributo da filosofia para a «Teoria da Escolha» do Miguel) – questão que Tétis irá expressamente colocar ao seu filho: morrer na guerra de Tróia e ser eternamente lembrado ou reinar longamente em Ftia e logo a seguir ser esquecido. Devemos lembrar, porém, que a narração da «Ilíada» acaba, muitos cantos à frente, no palácio do rei Príamo, com a pacífica celebração do esplêndido banquete fúnebre de Heitor, o herói troiano, o domador de cavalos, cujo corpo, depois de aplacada a sua ira, Aquiles finalmente entrega àquele destroçado pai.
Ora, o que aqui quero propor, a partir da afirmação de Paul Grenet e em íntimo diálogo com o Manuel Fonseca, é que não vejamos Aquiles e Heitor como dois – mas como um só! Aquiles e Heitor, na verdade, são dois aspectos sempre concorrentes numa mesma vida – e numa mesma morte. Tal como o corpo e o espírito; tal como o povo e o herói. Um não se dá sem o outro. Daí a guerra; daí a paz (esta é especialmente para o Manuel). É esta a nossa experiência: a de sermos um que é muitos; a de sermos muitos num.
No nosso tempo, porém, isto já não pode ser: Aquiles é um; Heitor outro... Não há relação entre os dois. Daí a minha propalada advertência. Ao poderoso mito do sólido, que hoje vale absolutamente, dizendo que só é aquilo que se vê com os olhos e que se agarra com as mãos, quero contrapor aquela pequena expressão da Ilíada, várias vezes repescada pelos poetas, segundo a qual os gregos viajavam pelos «líquidos caminhos»...
A moderna inteligência, de facto, científica, cartesiana, põe-se uma identidade firme a partir da qual se quer depois lançar à vida – como se esta não tivesse morte. O seu paradigma é o sólido; o seu fim a manipulação. No seu mundo o amor não tem lugar. E a ira, que, na sua crueza, surge na falta de um amor que houve e que há-de haver, não vai já além do ressentimento – que é a falta de um amor que não houve, não há e não vai haver!
Os antigos gregos, porém, viajavam pelos «líquidos caminhos», nos quais iam encontrando a terra firme. O sólido era sobre as águas, governadas por Poseidon, que com os deuses e os homens tinha guerra e tinha paz. Depois da tempestade, por isso, vinha a bonança. E uma não era sem a outra. E uma era na outra. E nós éramos entre uma e outra e elas eram também em nós. Por isso estas palavras já há tanto tempo escritas ainda hoje nos fazem chorar. Porque mergulham dentro de nós (que, ao que parece, também somos água), trazendo-nos a esse mar revolto e manso onde, escolhendo, cumprimos o nosso destino.

(mais)

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Pedido de Casamento

Para se casarem, há homens dispostos a tudo.

Há quem faça pedidos de casamento aos microfones de um avião em pleno vôo. Consta que um cavalheiro, na inequívoca posse das faculdades mentais, alugou um cavalo, vestiu armadura medieval e, a trote, avançou pelo jardim público à conquista da amada.

Um anel, um ramo de flores, o joelho no chão, já nada disso basta aos intrépidos amantes. Agora, por um “sim”, um simples “sim”, lançam-se de pára-quedas ou mergulham nas profundas dos oceanos. São desvarios que têm consequências. E custos. Mais de dois milhões de euros por dia é o preço que Portugal paga por esse deslumbramento emocional.

Explico-me: a paragem cerebral não é irreversível, os sujeitos recuperam a lucidez e o divórcio é a terapia milagrosa. Para todos? Menos para o Banco de Portugal que atribui um terço dos incumprimentos no crédito à imparável vaga de divórcios. Ao todo, no último ano, mais de 800 milhões de euros de dívidas incobráveis resultaram de precipitados arroubos amorosos que culminaram em rupturas caloteiras. Moral da história: emprestar dinheiro a apaixonados é mais alto risco do que emprestá-lo a doentes ou desempregados.

O meu sentido cívico obriga-me a dar uma pequena ajuda aos mais incautos. Um “não”, um rotundo “não”, pode evitar-vos problemas com o vil e espúrio crédito. Mulheres de Portugal: um “não” pode ser tão bom como um “sim” e garantir aos irreflectidos proponentes mais fama e posteridade.

Foi o que aconteceu a Oscar Wilde. Em 1881, o escritor pediu em casamento Charlotte Montefiore. Sabe-se lá se por sensatez ou pulsional desconfiança, Charlotte disse-lhe que “não”. Com mais ironia do que despeito, Wilde escreveu-lhe uma carta: “Lamento a decisão. Com o seu dinheiro e os meus miolos, tenho a certeza de que teríamos chegado longe.” Foram felizes os dois, longe um do outro.

Por mais apaixonados que estejam, sugiro-vos que vejam o mundo com o mesmo véu negro que Kafka, tendo em conta o episódio que se segue, deve ter colocado em frente aos seus desorbitados olhos. Apaixonado por Felice, que só vira uma vez em Berlim e a quem mandava 50 cartas por mês, Kafka acabou a escrever-lhe um insólito pedido de casamento: “Casa-te comigo e vais arrepender-te. Não te cases comigo e vais arrepender-te. Casa-te comigo e não te cases comigo, em ambos os casos arrepender-te-ás.” Felice resolveu o dilema buscando amparo em braços mais consoladores. Kafka vingou-se com o labiríntico e tormentoso “O Processo”.

Dois rotundos “nãos”: ficou a ganhar a literatura e o Banco de Portugal não se queixa.
Publicado, agora mesmo, no Pnet Homem

(mais)

domingo, 10 de agosto de 2008

De Homero a Campolide

Ainda a propósito (e se calhar já a despropósito) do sequestro e morte matada no BES de Campolide, eu escrevi isto e o Gonçalo respondeu-me assim. No fim, dizia que a nota dele era só um pequeno esclarecimento que eu certamente lhe perdoaria. Para que conste: ao Gonçalo eu não perdoo, agradeço. O comentário dele era muito melhor do que o post contestado e abriu-me o apetite para dar corda ao meu acrisolado espírito de contradição.
E onde é que o Gonçalo discorda de mim?! Simples e claro: rejeita a minha leitura dos poemas homéricos enquanto cantos de natureza violenta e cruel. Propõe, antes, que eles sejam uma filosófica síntese do ser na qual julgo reconhecer matriz platónica.
Discordamos? Não sei. Sei sim que temos, pelo que leio, uma relação emocional distinta com esses poemas primordiais. O que me interessa nos poemas homéricos é o luxo dos pormenores e da linguagem. Os adjectivos e as litúrgicas descrições. A Ilíada e a Odisseia são um faustoso e superlativo continente de factos e de personagens.
Talvez seja possível encerrá-las numa síntese ética ou filosófica. Algumas das mais brilhantes mentes de vários séculos de Ocidente fizeram-no. Pois, mas também se pode pôr Maradona, Eusébio ou Pelé a jogar xadrez. O espectáculo deve ser virtuoso, não creio é que seja exaltante. Por isso me parece que quem melhor leu essas narrativas fundadoras foram alguns poetas, de Alexander Pope e Butler (que as traduziram) a Borges que ironicamente as comentou. Das melhores traduções inglesas de Homero disse Borges: “Discursos e espectáculo: esse é Pope. Também é espectacular o ardente Chapman, mas o seu movimento é lírico, não oratório. Butler, em troca, demonstra a sua determinação de eludir todas as oportunidades visuais e de resolver o texto de Homero numa série de notícias tranquilas”.
Nesse espectáculo "homérico", às vezes delirante, outras vezes anacrónico, de batalhas e de traições, nas fabulosas invenções e charme de espírito, eu vejo uma poética do conflito. Cada um dos heróis da Ilíada é, por si só um campo de batalha. Poucos heróis há, no cânone ocidental, tão vilões como Ulisses. E quantos poetas, depois de Homero, o voltaram a utilizar – Virgílio, Ovídio, Dante, Shakespeare – propondo diferentes combinatórias da sua argúcia e perfídia, convertendo-o numa figura transgressiva.
Imoral? Amoral, diria eu. Como os jovens brasileiros, gentis com a vizinhança, um deles filho extremoso, ambos crentes, como Agamémnon, de que é possível roubar a escrava a Ulisses, sem com isso deixar de ser agathos, qualificativo que, na linguagem de Homero, quer dizer, o que é corajoso, ágil, poderoso na guerra e na paz. Ou seja, aquele que é bom.

(mais)

A benfiquização da nossa participação olímpica

Com este post é que o Manuel não estará de acordo de certeza…:
Podem ler aqui a consequência das recentes "aquisições" benfiquistas de algumas das nossas esperanças olímpicas: foram transformados em estrelas ainda antes de ganharem alguma coisa e tendo perdido a culpa é dos árbitros…
Prefiro o meu modelo sportinguista que encontra sempre um motivo de esperança no fracasso! .

(mais)