Museu Fundação Oriente
O artigo, que é simples, directo e bem informado, fez-me reviver a sensação de ter passado num exame com distinção. Já não estava nada habituado a que alguém falasse bem de nós.
O Museu do Oriente está de parabéns.

Ao contrário do JP Guimarães, nunca joguei râguebi em novo nem tenciono começar a fazê-lo agora que vou para velho. De resto até hoje ainda ninguém conseguiu convencer-me que o desporto não faz um mal danado à saúde. Mas as nossas divergências acabam aqui. É certo que não vou ao ponto de dizer, como dizia outro amigo, que só leio livros com mais de cinquenta anos. Mas ouso, na linha da defesa que o JP fez das virtudes da «sagesse», fazer duas sugestões para um fim-de-semana mais geriátrico: na Sexta vão até à Cinemateca «ouvir» «O vento» do eterno Sjostrom. No Sábado dêem um salto ao Optimus Alive para «ver» o intemporal Neil Young.
Vão à confiança. Sempre quero ver se alguém tem coragem para dizer que este país não é para velhos!
Como se pode depreender do video acima hoje acordei levemente masoquista.

... Está em debate hoje no CCB. A questão já não é saber se faz ou não sentido investir em redes de nova geração. A questão é saber quando e como. Portugal em fibra óptica, casa a casa: eis (um)a infra-estrutura decisiva para Portugal.

O doutor Francisco Louçã realizou este fim de semana mais uma acção de campanha integrada na estratégia publicitária do seu Partido, desta vez subordinada ao tema: «Esquerda e Cultura – o futuro já não é o que era». Aí, falando sobre a grave crise que atravessamos, que considerou ser o fruto de uma política quase exclusivamente entregue aos interesses dos grandes patrões, criticou duramente as remunerações auferidas pelos administradores de várias empresas (BCP, TAP, Águas de Portugal...), cuja ganância se constitui como a causa profunda da crise em que nos encontramos: «Esta ganância – diz Louçã – tem sido uma forma de governar o país e quando ouço o Compromisso Portugal defender que haja mais desemprego, mais austeridade, mais crise, percebemos bem que há dois pesos e duas medidas e isso é profundamente contrário à responsabilidade democrática em Portugal.»
Ora, também eu defendo, como julgo que quase todos, a igualdade de oportunidades e, nesse sentido, uma desejável e progressiva aproximação (familiar, económica, social e política) entre ricos e pobres. Mais do que isso, choca-me a pobreza, que, sob todas as suas formas, deve ser social e politicamente combatida. Nesse sentido, não posso deixar de concordar com o Bloco de Esquerda na afirmação de que a crescente disparidade de condições e de remunerações laborais entre pessoas de uma mesma empresa, de uma mesma cidade, de um mesmo país, de um mesmo continente e de um mesmo mundo, é um sinal claro de uma situação de injustiça que é preciso combater.
Discordamos, no entanto, na maneira de enfrentar estes problemas, sendo disso que, de algum modo, aqui quero falar, ainda que sob a proposta – que se vai tornando urgente – de instauração de um processo geral de desilusão relativamente ao Bloco de Esquerda. E aviso desde já que essa desilusão tem ser dupla, nomeadamente quanto à pretensa ingenuidade irreverente do discurso e quanto à também pretensa inofensibilidade dos propósitos.
Quero com isto dizer, em primeiro lugar, que não nos devemos iludir com a pretensa falta de lógica no discurso do doutor Louçã, porque o discurso do Bloco de Esquerda, formalmente criado nos tempos da ovelha negra do PSR, não pretende ser coerente, mas divertido – lógica segundo a qual, aliás, tem crescido entre a juventude com uma eficácia assinalável. Isto implica, em segundo lugar, que não nos devemos iludir com a suposta cientificidade subjacente a esse mesmo discurso, porque, na verdade, o que se esconde sob esse discurso aparentemente adolescente e divertido é um projecto profundamente moralista e/ou religioso, relativamente ao qual faremos bem em estar atentos.
É o que podemos ver a partir do exemplo acima citado. Em primeiro lugar, porque o discurso não é lógico. Com efeito, não faz sentido dizer que os patrões são os causadores desta crise na qual estão de algum modo interessados em prejuízo dos trabalhadores, porque, havendo certamente quem lucre com a crise, é óbvio que a maioria dos patrões não a quer e é prejudicada por ela. Do mesmo modo, não é lógico identificar patrões e administradores – pois que obviamente não são a mesma coisa –, nem opor administradores e trabalhadores – como se os primeiros não trabalhassem –, nem dar exemplos que confundem empresas públicas e empresas privadas – como se tivessem naturezas semelhantes –, etc. Tudo isto, porém, é divertidamente comunicado, sem nunca demorar nos argumentos e por meio de uma sucessão de imagens que, sendo conhecidas de todos (Compromisso Portugal, BCP, TAP, etc.), permitem acompanhar despreocupadamente o discurso, à maneira de quem folheia uma revista.
Perguntar-me-ão, então, como pode conciliar-se esta superficialidade do discurso com o seu carácter pretensamente científico? Pois o facto é que pode, justamente porque ele é pretensamente científico. As soluções apresentadas pelo Bloco de Esquerda, na verdade, não convencem pela sua solidez científica, mas pela graça do slogan que as faz permanecer no ouvido. A pretensão da cientificidade do discurso, bem ao contrário, advém do reconhecimento geral dos seus líderes como homens e mulheres de ciência (é espantoso, aliás, sobretudo se a comparamos com a dos líderes dos restantes Partidos políticos, a informação difundida em torno do percurso científico e académico dos líderes do Bloco de Esquerda). A sua ciência, no entanto, é marcadamente positivista, isto é, absolutamente materialista, pelo que invariavelmente surge - mais ou menos claramente - com um pendor moralista e religioso. Assim se percebe que a explicação dada pelo Bloco de Esquerda para a actual crise seja a maldade dos patrões, particularmente assumida sob a forma da ganância, pecado mortal que só pode ser erradicado do coração do nosso povo por inspiração da acção irrepreensivelmente santa do seu líder, tanto temporal quanto espiritual, Francisco Louçã. É caso para dizer: «Valha-nos Deus!».
A Critical Software celebrou dez anos. Lembro-me como se fosse hoje do final da Escola de Verão de Empreendedores, organizada no âmbito da Academia dos Empreendedores que lancei, na ANJE, nos tempos de Fernandes Thomaz. João Carreira apresentou aí o plano de negócios da empresa que iria criar, com os seus colegas Gonçalo Quadros e Diamantino Costa. Focada no desenvolvimento de software para sistemas críticos, um dos seus primeiros clientes foi a NASA. “Coimbra, a última descoberta da NASA” foi o tema da capa da revista “Ideias & Negócios” desse mês.
Há empresas que mudam uma cidade, resgatando-as de declínios anunciados. Tal como Michaell Dell (Austin), Bill Gates e Jeff Bezos (Seattle), o trio de fundadores da Critical foi decisivo no renascimento de Coimbra.
Dez anos atrás, Coimbra era uma cidade triste e parada no tempo. Rodeada de empresas a fechar, virada para as glórias do passado - “Coimbra Cidade Monumental”, anunciava (e bem) a placa na auto-estrada. Nos últimos anos, deu um salto de gigante. A Critical inspirou outros, os seus fundadores tornaram-se “role models” para muitos recém licenciados da Universidade de Coimbra. Nascem novas empresas como a Bluepharma, a ISA, a Crioestaminal e muitas outras.
O número de incubadas no Instituto Pedro Nunes, liderado por um empreendedora notável (Teresa Mendes), disparou. Um Presidente da Câmara (Carlos Encarnação), que investe em patentes. Um Reitor (Seabra Santos), com visão, corajoso e pragmático, que soube apostar numa equipa jovem e aguerrida. Um Pró-Reitor, Fernando Guerra, com rasgo, energia e capacidade empreendedora únicas, apostado no fomento do empreendedorismo e na criação de redes internacionais. Um centro de transferencia de tecnologia exemplar (liderado por Jorge Figueira). (Há três semanas, promoveram ambos o Medtech Forum, que levou a Coimbra 150 líderes europeuas na área da investigação, investidores e peritos do sector da Saúde e Tecnologias Médicas).
Um cientista empreendedor (Carlos Faro), que, com rasgo e determinação, se alia a um autarca visionário (Jorge Catarino, Cantanhede e seu sucessor, João Moura) para criar o primeiro parque de biotecnologia, Biocant.
Um capitalista de risco (Roberto Branco, Bioventures e Beta Capital) sem medo de apostar em “start ups”, onde acrescenta muito valor para além do capital. Um lider associativo visionário (Almeida Henriques) que, a partir do Conselho Empresarial do Centro (CEC), lança pontes, mobiliza vontades (o “Pacto para a Nova Centralidade”) e cria um capital social raro, muito raro, em Portugal. Um empreendedor académico (Borges Gouveia) que, a partir da Agência de Inovação e da Universidade de Aveiro, reforçou a componente inovação do “Pacto para a nova Centralidade”. (O Pacto – ver doc aqui - assenta em ideias simples e mobilizadoras: Reforçar a capacidade de inovação das empresas. Fomentar uma ligação dinâmica entre o sistema cientifico e tecnológico e as empresas. Criar condições para o desenvolvimento e crescimento das microempresas. Apoiar ao empreendedorismo centrado numa lógica de rede. Explorar formas alternativas de financiamento, como factor diferenciador. Aproveitamento dos recursos naturais, ambientais e energéticos. Tornar a região mais atractiva ao investimento directo internacional.)
A revolução silenciosa que se vive no Centro significa que nada é impossivel quando um punhado de mulheres e homens ambiciosos e sérios conjugam vontades.
Desde há três anos, a pedido da Câmara, a Brisa mudou a placa da A1. Coimbra passou a ser, “Coimbra, Cidade do Cidade do Conhecimento”. Coimbra não é Cambridge, mas está a mudar – e essa mudança é já visível.
Estes exemplos não são casos isolados. Por esse País fora, há mais Portugal empreendedor do que parece. Cavaco Silva não se têm casado de dizer (e reiterou neste fim-de-semana): Portugal precisa de apostar em empresas capazes de exportar bens transaccionáveis. Essa é a única resposta possivel à globalização: mudar de modelo, ou seja: mais inovação nas empresas e mais empresas a inovar. Empresas cuja vantagem comparativa não vem das relações com Estado, mas dos seus produtos e serviços, capazes de vencer no mercado mundial. Só assim se exporta mais e com mais valor. Só assim de cria emprego qualificado e se atrai talento.
Parabéns, Gonçalo Quadros, Diamantino Costa e João Carreira (hoje a viver em New Jersey, na liderança da Critical Links, um spin-off da Critica Software).
O mais bonito destes dez anos é constatar que os fundadores da Critical cresceram, mas não mudaram no que é essencial. Não se deixaram deslumbrar, não tornaram novos ricos, continuam a ser quem eram: gente séria e trabalhadora, apaixonada pelo que faz, sempre com sede de aprender e de empreender. É destes "role models" que eu gosto.
(A bonita foto em cima, do grupo fundador, cedida pelo João Carreira (sentado), faz lembrar a imagem lendária de Bill Gates e Paul Allen com o grupo fundador da Microsoft, em 1975...)
Elle est retrouvée.

A história de Metropolis de Fritz Lang dava, ela própria, um filme. Rodado entre 1925 e 1926, com os seus milhares de figurantes tratados como escravos (alguém chegou a dizer que o desemprego que então minava a Alemanha «era uma bênção» para Lang), com actores dirigidos como «marionetas», com proezas técnicas nunca tentadas e sobretudo com os seus cenários grandiosos, Metropolis é um hino à desmesura, ao excesso, à megalomania. Mas se a rodagem se fez de desastres e peripécias, a pós-produção foi uma saga de cortes e recortes que desaguaram na mítica versão que em 1927, em Berlim, estreou sob a forma de um «sonoro» fracasso que quase levou a poderosa UFA à falência. E sublinho mítica, não porque estreou, mas porque desapareceu sem deixar rasto durante mais de 80 anos. Que foram os anos necessários para que uma cópia preciosa do original de 27, levada para a Argentina em 28, fosse encontrada nos poeirentos arquivos do Museu de Cinema Pablo Ducrós Hicken, de Buenos Aires.
Trocando as voltas ao tempo, Metropolis vai voltar a estrear. Com 25 preciosos e perdidos minutos que o Mundo não voltou a ver desde aquela longínqua noite de Berlim. Vamos à estreia?
"Gracias al Ejército mío, de mi patria Colombia, gracias por la impecable operación, la operación fue perfecta".La impecable operación, la operación perfecta.
A Agência Portuguesa de Revistas foi, para uma série de gerações, o equivalente à Biblioteca Nacional. Tenho até a impressão de que deveria ser um “case study”. Pela diversidade de oferta, pela definição correcta de público-alvo, pela “cross-promotion” que soube inventar.
O direito penal ocupa-se dos crimes.
E o que são crimes? A disciplina de direito penal, que dura um ano inteiro, ensina-nos que é uma ACÇÃO - dois meses para ver mesmo o que é uma acção por oposição a uma omissão,por ex, estando nisto até ao Natal...
TÍPICA, ou seja, que essa acção esteja previamente à prática da acção prevista como tal - que é uma das maiores garantias do cidadão num estado de direito democrático - mais dois meses,lá para os lados do Carnaval.
ILÍCITA,i.é, que não existam causas que excluam a ilicitude, isto já por volta da Páscoa.
Finalmente, que seja CULPOSA, saber se, apesar de tudo, a pessoa é culpada ou se existem causas que excluam a culpa, isto quando a cidade já se preparava para a queima das fitas.
Hoje vi o noticiário da TVI, vi a pivot, antes de fazer a pergunta disparar pronta, com um ar entendido: " - Estive a ler o código penal antes, e tal tal...". Ela leu o código.
É crime. Há uma acção, eu estava sentada em frente ao televisor com um comando na mão; é típica, porque é o final da semana e eu estou cansada; é ilicíta porque deixei de fazer outras coisas mais importantes; e culpada sou eu que fiquei a ver este espectáculo degradante.