quarta-feira, 9 de julho de 2008

Museu Fundação Oriente

Esta semana, a “Time Magazine” fala de Portugal. E fala bem. Na pg. 60, com o título “Sails and Acquisitions”, a “Time” anuncia que o “legado artístico da presença marítima de Portugal na Ásia encontrou finalmente uma casa de acolhimento permanente”. Referem-se, é claro, ao Museu Fundação Oriente.
A “Time”, para além de atribuir a Portugal o papel de país globalizador avant la lettre, resultante da descoberta por Bartolomeu Dias e Vasco da Gama da rota atlântica das especiarias, valoriza o espólio do novo museu e anuncia como trunfo extraordinário a propriedade da colecção Kwok On. Para a “Time”, esta é, entre todas as colecções de máscaras teatrais asiáticas, o mais valioso dos tesouros. Se forem ao museu, verão que às máscaras se juntam trajes, instrumentos musicais, acessórios, teatros de sombras e de marionetas
O artigo, que é simples, directo e bem informado, fez-me reviver a sensação de ter passado num exame com distinção. Já não estava nada habituado a que alguém falasse bem de nós.
O Museu do Oriente está de parabéns.

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Velhos são os trapos II



Ao contrário do JP Guimarães, nunca joguei râguebi em novo nem tenciono começar a fazê-lo agora que vou para velho. De resto até hoje ainda ninguém conseguiu convencer-me que o desporto não faz um mal danado à saúde. Mas as nossas divergências acabam aqui. É certo que não vou ao ponto de dizer, como dizia outro amigo, que só leio livros com mais de cinquenta anos. Mas ouso, na linha da defesa que o JP fez das virtudes da «sagesse», fazer duas sugestões para um fim-de-semana mais geriátrico: na Sexta vão até à Cinemateca «ouvir» «O vento» do eterno Sjostrom. No Sábado dêem um salto ao Optimus Alive para «ver» o intemporal Neil Young.
Vão à confiança. Sempre quero ver se alguém tem coragem para dizer que este país não é para velhos!

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III. “Carpe diem” e power point

Quais são os elementos deste pensamento de Horácio?

Em primeiro lugar, o nosso uso do tempo não é garantido. Mas mais que isso; não é legítimo. É pomar que se nos apresenta e de que podemos roubar os frutos, mas não é propriedade nossa nem nosso usufruto sequer. Nem somos locatários do século. Apenas seus salteadores.

Em segundo lugar, somos impotentes. Contamos com a incerta generosidade de um deus ignorado para que as coisas voltem ao seu sítio. Curiosa ideia. A nossa época, a mesma que propala o “carpe diem”, diz que não há sítio certo para as coisas. Mas Horácio, o criador da expressão, sabia bem mais que o homem da rua actual. Se se deve “carpere diem” é porque se sabe que as coisas não estão no seu sítio. Ou seja, existe um sítio devido para as coisas, e a sua ordem natural está abalada. Não é a falta de referências que impera, mas a quebra de ligação com essas referências. O ser humano deixa de ser passageiro para ser náufrago sem bússola. Não é por isso que não existe Norte. Apenas perdemos o sentido de orientação. Não estamos mais sábios por termos descoberto que não haveria ponto de referência. Estamos mais pobres porque o ignoramos.

Em terceiro lugar, toda a nossa apropriação é ilegítima. Gozamos os frutos do tempo como o salteador goza do fruto do seu saque. À noite, longe da vida aberta. A fruição passa sempre às escondidas, é rápida e aflita. O mundo transforma-se em sala de urgências. Apenas há tempo para salvar o doente, não para cuidar dele. O nosso objectivo deixa a ser a qualidade de vida, mas apenas o assustado aproveitamento de uma ocasião.

Em quarto lugar, temos de usar violência, temos de roubar, para fruir. É o mesmo Horácio que em várias odes conta como se salvou de uma potencial morte pela queda de uma árvore numa sua propriedade, que lhe havia sido oferecida por Mecenas. A árvore que cai é como o símbolo da guilhotina, ou a tesoura das Parcas que nos corta o fio da vida. Mas esse fio deixou de ser condutor. Não que ele não exista. Estamos apenas perdidos perante ele. Por isso o cultor do “carpe diem” vive no meio da violência e usa da violência.

Em quinto lugar, tudo é incerteza (“fortasse”, talvez). É evidente. A incerteza foi inventada para ser um estado temporário. Quando o ser humano inventou o “talvez” pensou aplicá-lo à hesitação, não à caça. O talvez é uma pausa, uma preparação que um momento a que se deve seguir uma impulsão. O caçador põe-se de cócoras antes de agir. Tem uma finalidade, essa pausa. Mas quando deixa de ter finalidade, e deixa de ser uma pausa, para ser o fundamento, o ponto estático da vida humana, o cultor do “carpe diem” mostra qual a sua posição: vive de cócoras.

Em sexto lugar, as coisas não estão no seu sítio. O mundo não está instalado. Já não é cada coisa que perdeu o Norte. Ou melhor, em relação à qual perdemos o Norte. É o próprio mundo que se mostra como inacabado, hostil. Visão realista, dirão uns. O problema é que esta postura nada tem de realista. O ser humano, que tem um ciclo de vida certo, no meio de tanto incerto episódio, esquece o ciclo, esquece o certo, e julga-se instalado numa barraca. O mundo passa a ser um imenso acampamento militar do qual se tem de sair quando a oportunidade surge. Não é peregrino, nem sequer fugitivo, porque não tem para onde fugir, por a morte não ser forçosamente descanso.

E em sétimo lugar: temos de nos calar. Falamos demais. Ou melhor o discurso, a palavra, a comunicação são vãos no essencial. Suprema ironia num artista da palavra como Horácio. Mas triste realismo da nossa época. O inepto da palavra apropria-se do espaço público. Impede os outros de articular e afirma que a articulação não é possível. Não gosta de comparações, porque todas elas o desfavoreceriam. E quer o silêncio igualmente por outra razão que não pode confessar, porque para ele o mais fundo da vida é sempre inconfessável. Tanta ânsia mostra apenas uma imensa nostalgia da estabilidade. O cultor do “carpe diem” é alguém que aspira a ser conservador e não o consegue. Proclamar o seu fim seria pôr a nu o ridículo dos seus meios.

É evidente que podemos fazer mil interpretações sobre até que ponto as guerras civis constantes da República Romana lhe influenciaram o pensamento. Mas por mais que isso possa eventualmente explicar (sempre parcialmente) o pensamento de Horácio, não explica por que razão a nossa época dá tanto assento à sua frase do “carpe diem”. Se o divulga, se o usa, se carece desta exortação é porque tem o mesmo tipo de pensamento triste, sem ter a mesma capacidade de enunciação. Até para definir um modo de ver precisou de roubar a autor antigo a expressão da sua angústia.

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When things get tough... chamem um Professor Doutor

Parece de propósito. Eu a discutir com o Alexandre e a Sofia (aqui) a importância que o nosso país atribui aos académicos e a tendência para recorrer à sua "autoridade" para evitar decisões difíceis e a notícia do dia confirma isto mesmo (a ver aqui). Em Portugal não se confia nas soluções institucionais, na autonomia privada ou no Estado. Confia-se num Professor Doutor! É a única forma de readquirir credibilidade.
Disclaimer: eu sou Professor Doutor (logo, não se atrevam a criticar o que eu digo…) e não nos culpem a nós pela importância que nos dão. Já agora: aproveito para desejar boa sorte ao Professor Freitas do Amaral e ao Dr. Pedro Machete. Vão precisar dela….

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Masoquismo



Como se pode depreender do video acima hoje acordei levemente masoquista.

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terça-feira, 8 de julho de 2008

II. “Carpe diem” e power point

Vejamos agora o “carpe diem”. A expressão é de Horácio numa sua Ode.

Horácio é dos artistas mais consumados que a História já viu. Estranho destino a de um imenso artista, cheio de ideias artísticas e tão vazio de quaisquer outras. É dos raros casos que conheço em que a ideia em si mesma é banal e apenas a forma artística que assume lhe confere força. Nesse sentido legitimou uma tendência latina do artista pouco enriquecedor no campo das ideias. Tem a vantagem no entanto sob tantos outros de ter sido genial. Efectivamente genial.

A ideia por detrás do “carpe diem” cruza-se entre a mais elaborada filosofia (em versão vulgata, mais uma vez) da impermanência da vida, e a verificação trivial de todo o ser humano que foi colocado no mundo e que o seu poder de decisão em relação ao tempo tem fortes limites. Em si não seria grave. Mas é o próprio Horácio, pouco filosófico, mas nada idiota, que tem consciência do fundo deste “carpe diem”.

A exortação é convite ao roubo, à apropriação, mesmo que indevida. Apanha nas ruas os pedaços que o dia te dá, este dia. Não o segundo, que se evapora, não a semana, que é longo demais. O dia, que os romanos contam desde o cair da noite, é um convite em si mesmo ao nocturno. Cada noite que começa percebe que é mais um dia que surge para capturares. Para a caça e a pesca.

Nunca vi referido algo que para mim sempre foi evidente. A inconsistência lógica desta exortação. Em si mesma é um plano para o futuro, quando o que afirma é a recusa de quaisquer planos para o futuro.

O “carpe diem” aparece na Ode I, 11, 7-8:
dum loquimur, fugerit inuida
aetas: carpe diem quam minimum credula postero.
(enquanto falamos eis que o tempo cioso fugiu: colhe o dia, sem te fiar em nada no dia seguinte).

Horácio conhecia a sua métrica e a semântica do latim muito melhor que nós. Não é por acaso que escolhe o verbo “carpo, is, ere, carpsi, arptum”: colher ,arrancar, separar, roer, pastar, pôr-se a caminho. É um tema que tem lados positivos, como se vê em “karpos” em grego – fruto. Mas o fruto, quando nos lembramos da sua história, é sempre algo que traz um percurso de violência. É o que é arrancado à árvore. Horácio poderia ter escolhido outro verbo. As suas capacidades métricas em nada o impediram. Se escolheu o verbo “carpo” não o fez por acaso. Salientou que a acção de colher o tempo não é a da simples recolecção, mas a de um arrancar violento.

O pensamento de Horácio não é meramente episódico. Descobre-se melhor comparando com a epode XIII. Nos seus versos 3-4:
“rapiamus, amici,
Occasionem de die”

(aproveitemos amigos a ocasião deste dia)
E na mesma epode nos seus versos 7-9:
“cetera mitte loqui: deus haec fortasse benigna
reducet in sedem uice”

(quanto ao resto, abstenhamo-nos de falar. Talvez um deus, por um generoso retorno das coisas, colocá-las-á no seu sítio.)

Mais uma vez Horácio não escolhe por acaso as palavras. “rapio, is, ere, rapui, raptum”: arrebatar, levar com violência o ímpeto, arrastar, puxar, levar alguém ao suplício, à morte, tomar, roubar, pilhar, saquear, apressar, aproveitar. Escolhe um verbo violento. O tempo não nos é dado. Apenas nos aparece por vezes à disposição. A ocasião é o que cai. O que nos cai em cima ou ao lado. É coisa cuja origem desconhecemos e de que apenas padecemos o destino.

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Velhos são os trapos




















Há duas semanas atrás estive a jogar rugby com veteranos de toda a Europa num evento denominado EGORF – European Golden Oldies Rugby Festival.

É um festival e não um torneio, com jogos bem disputados mas sem que haja um vencedor final. Tem lugar de dois em dois anos num país diferente. Este ano foi em Portugal – mais concretamente na Madeira – numa excelente organização dos veteranos do Porto Old Greens (a quem presto homenagem na fotografia acima).

Reúne gente que não quer pendurar as botas e que acredita no poder redentor do jogo e da amizade. Aliás, a ênfase está, como se pode ler no respectivo site, em “Fun, Friendship, Fraternity and Family”.

Os veteranos são ex jogadores com mais de 35 anos que jogam em dois níveis: competitivo (em principio, até aos 50 anos) e “fun” (com a maioria dos jogadores acima dos 50).

Nesta modalidade (fun) - e devido à idade mais avançada - alguns dos jogadores ostentam orgulhosamente calções encarnados indicando que não podem (nem querem!) ser placados enquanto outros, ainda mais “experientes”, vestem galhardamente calções amarelos (golden, para ser exacto) não podendo, praticamente, ser importunados pelos jogadores adversários.
E ainda bem. Homens com mais de 70 anos corriam - e divertiam-se! - e mostravam como a idade não é (ou não tem que ser) um obstáculo.
Vem isto (também) a propósito de uma notícia de imprensa deste fim-de-semana intitulada “Os Novos Velhos” fazendo, em particular, referência a Luís Aragonês, o treinador espanhol campeão da Europa.

E em boa hora. Numa altura em que tanto se parece subestimar a experiência dos (mais) velhos e a importância que esta tem, estes exemplos (como o de Aragonês) nunca são de mais.
Recordo (numa adaptação livre) um provérbio (julgo que) árabe que recomenda a quem precisar de conselhos que escolha a experiência sobre a escolaridade.

Numa altura em que a esperança de vida não pára de aumentar este é, sem dúvida, um tema para pensar.


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A infra-estrutura decisiva para Portugal...

... Está em debate hoje no CCB. A questão já não é saber se faz ou não sentido investir em redes de nova geração. A questão é saber quando e como. Portugal em fibra óptica, casa a casa: eis (um)a infra-estrutura decisiva para Portugal.

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segunda-feira, 7 de julho de 2008

Os académicos ao (no) poder?

No Financial Times de hoje Wolfgang Münchau atribui parte da responsabilidade pela actual crise económica à excessiva importância dos professores de Economia na formulação das políticas económicas… Citando Bhagwatti, recorda uma frase de Kenneth Galbraith a propósito de Milton Friedman: "o azar do Milton foi terem experimentado as suas políticas". A tese de Münchau é que quando os académicos se tornam políticos ou policymakers eles correm um duplo risco na sua reputação quando se enganam, tornando-se muito mais difícil que mudem de opinião e corrijam o rumo.
Isto recordou-me uma conversa recente com um político a propósito da relação entre políticos e académicos. Ele dizia-me que nunca tinha obtido nenhuma ideia útil vinda de um académico. Eu respondi-lhe que frequentemente os políticos não pretendem ouvir novas ideias mas sim que lhes reforcem as suas. Se os políticos se queixam da falta de utilidade dos académicos, acusados de ignorar a realidade política, os académicos queixam-se da falta de coragem dos políticos para implementar as suas boas ideias. Isto acontece mesmo quando o académico se torna político e vice-versa…
Este cepticismo mútuo é, em boa medida, saudável. Os discursos da política e da ciência não devem confundir-se, até para evitar os riscos de que fala Münchau. Se, como dizia um poeta francês, não se devem dar fósforos aos intelectuais para brincar, os académicos também não devem aceitar instrumentalizar a ciência à política. No entanto, é, igualmente, importante que isto não se transforme num diálogo de surdos. Só será um diálogo útil se cada um compreender o contexto em que o outro opera e o valor acrescentado que lhe pode trazer. Os políticos não devem esperar realismo mas originalidade dos académicos. Se querem ideias novas têm de estar disponíveis a pensar para lá do status quo. É aos políticos que compete converter as boas ideias dos académicos em propostas políticas realistas. Os académicos não devem presumir que sabem mais que os políticos e que os podem instrumentalizar às suas ideias. Sobretudo, não devem esquecer que a legitimidade política pertence aos políticos. A este respeito, não deixo de notar que em Portugal parece existir uma tradição de excessiva autoridade do discurso académico sobre outros discursos sociais, incluindo a política. Um dia voltarei a escrever sobre isto..

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Bem prega frei Louçã...


O doutor Francisco Louçã realizou este fim de semana mais uma acção de campanha integrada na estratégia publicitária do seu Partido, desta vez subordinada ao tema: «Esquerda e Cultura – o futuro já não é o que era». Aí, falando sobre a grave crise que atravessamos, que considerou ser o fruto de uma política quase exclusivamente entregue aos interesses dos grandes patrões, criticou duramente as remunerações auferidas pelos administradores de várias empresas (BCP, TAP, Águas de Portugal...), cuja ganância se constitui como a causa profunda da crise em que nos encontramos: «Esta ganância – diz Louçã – tem sido uma forma de governar o país e quando ouço o Compromisso Portugal defender que haja mais desemprego, mais austeridade, mais crise, percebemos bem que há dois pesos e duas medidas e isso é profundamente contrário à responsabilidade democrática em Portugal.»
Ora, também eu defendo, como julgo que quase todos, a igualdade de oportunidades e, nesse sentido, uma desejável e progressiva aproximação (familiar, económica, social e política) entre ricos e pobres. Mais do que isso, choca-me a pobreza, que, sob todas as suas formas, deve ser social e politicamente combatida. Nesse sentido, não posso deixar de concordar com o Bloco de Esquerda na afirmação de que a crescente disparidade de condições e de remunerações laborais entre pessoas de uma mesma empresa, de uma mesma cidade, de um mesmo país, de um mesmo continente e de um mesmo mundo, é um sinal claro de uma situação de injustiça que é preciso combater.
Discordamos, no entanto, na maneira de enfrentar estes problemas, sendo disso que, de algum modo, aqui quero falar, ainda que sob a proposta – que se vai tornando urgente – de instauração de um processo geral de desilusão relativamente ao Bloco de Esquerda. E aviso desde já que essa desilusão tem ser dupla, nomeadamente quanto à pretensa ingenuidade irreverente do discurso e quanto à também pretensa inofensibilidade dos propósitos.
Quero com isto dizer, em primeiro lugar, que não nos devemos iludir com a pretensa falta de lógica no discurso do doutor Louçã, porque o discurso do Bloco de Esquerda, formalmente criado nos tempos da ovelha negra do PSR, não pretende ser coerente, mas divertido – lógica segundo a qual, aliás, tem crescido entre a juventude com uma eficácia assinalável. Isto implica, em segundo lugar, que não nos devemos iludir com a suposta cientificidade subjacente a esse mesmo discurso, porque, na verdade, o que se esconde sob esse discurso aparentemente adolescente e divertido é um projecto profundamente moralista e/ou religioso, relativamente ao qual faremos bem em estar atentos.
É o que podemos ver a partir do exemplo acima citado. Em primeiro lugar, porque o discurso não é lógico. Com efeito, não faz sentido dizer que os patrões são os causadores desta crise na qual estão de algum modo interessados em prejuízo dos trabalhadores, porque, havendo certamente quem lucre com a crise, é óbvio que a maioria dos patrões não a quer e é prejudicada por ela. Do mesmo modo, não é lógico identificar patrões e administradores – pois que obviamente não são a mesma coisa –, nem opor administradores e trabalhadores – como se os primeiros não trabalhassem –, nem dar exemplos que confundem empresas públicas e empresas privadas – como se tivessem naturezas semelhantes –, etc. Tudo isto, porém, é divertidamente comunicado, sem nunca demorar nos argumentos e por meio de uma sucessão de imagens que, sendo conhecidas de todos (Compromisso Portugal, BCP, TAP, etc.), permitem acompanhar despreocupadamente o discurso, à maneira de quem folheia uma revista.
Perguntar-me-ão, então, como pode conciliar-se esta superficialidade do discurso com o seu carácter pretensamente científico? Pois o facto é que pode, justamente porque ele é pretensamente científico. As soluções apresentadas pelo Bloco de Esquerda, na verdade, não convencem pela sua solidez científica, mas pela graça do slogan que as faz permanecer no ouvido. A pretensão da cientificidade do discurso, bem ao contrário, advém do reconhecimento geral dos seus líderes como homens e mulheres de ciência (é espantoso, aliás, sobretudo se a comparamos com a dos líderes dos restantes Partidos políticos, a informação difundida em torno do percurso científico e académico dos líderes do Bloco de Esquerda). A sua ciência, no entanto, é marcadamente positivista, isto é, absolutamente materialista, pelo que invariavelmente surge - mais ou menos claramente - com um pendor moralista e religioso. Assim se percebe que a explicação dada pelo Bloco de Esquerda para a actual crise seja a maldade dos patrões, particularmente assumida sob a forma da ganância, pecado mortal que só pode ser erradicado do coração do nosso povo por inspiração da acção irrepreensivelmente santa do seu líder, tanto temporal quanto espiritual, Francisco Louçã. É caso para dizer: «Valha-nos Deus!».

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I. “Carpe diem” e power point

É uma mesma época que cultiva o “powerpoint” e proclama, em versão vulgata de filme americano, o “carpe diem”. Duas realidades simultâneas podem não ter uma causa comum, mas têm sempre forçosamente um fundo comum. É esse que eu gostaria de fazer compreender.

O “slide”, o meio audiovisual, pode ser muito útil numa exposição. Dar História de Arte sem imagens poderá ser algo complicado. Em certas circunstâncias a apresentação de esquemas é igualmente importante. Mas uma moda pedagógica que tem múltipla origem e antiguidade levou a sobrevalorizar o boneco como forma pedagógica.

Hoje em dia vemos com frequência apresentações em “powerpoint” em que o orador nada diz, não nos dá nem mais uma ideia, que não esteja contida no diapositivo. A coisa torna-se duplamente enfadonha. Já sabemos a informação em imagem, sem ênfase, sem contacto humano, e eis senão quando nos aparece o contacto humano, geralmente monocórdico, a dar a informação que já tínhamos absorvido.

No limite, o diapositivo é uma muleta. Em vez de ser um auxílio, é o apoio fundamental. O orador não confia em si como fonte de autoridade, mas está no fundo a dizer-nos que o que afirma é credível porque o boneco já o disse antes dele. O orador deixa de incarnar o discurso. Avisa que o discurso está fora dele e por isso mesmo – por vezes, mesmo só por causa disso mesmo – é credível. O boneco falou por ele. Quanto à autoridade, abdicando dela ou temendo não a ter, diz que o desenho e a bolinha estão lá para mostrar a consistência do que diz.

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É destes "role models" que eu gosto




A Critical Software celebrou dez anos. Lembro-me como se fosse hoje do final da Escola de Verão de Empreendedores, organizada no âmbito da Academia dos Empreendedores que lancei, na ANJE, nos tempos de Fernandes Thomaz. João Carreira apresentou aí o plano de negócios da empresa que iria criar, com os seus colegas Gonçalo Quadros e Diamantino Costa. Focada no desenvolvimento de software para sistemas críticos, um dos seus primeiros clientes foi a NASA. “Coimbra, a última descoberta da NASA” foi o tema da capa da revista “Ideias & Negócios” desse mês.
Há empresas que mudam uma cidade, resgatando-as de declínios anunciados. Tal como Michaell Dell (Austin), Bill Gates e Jeff Bezos (Seattle), o trio de fundadores da Critical foi decisivo no renascimento de Coimbra.
Dez anos atrás, Coimbra era uma cidade triste e parada no tempo. Rodeada de empresas a fechar, virada para as glórias do passado - “Coimbra Cidade Monumental”, anunciava (e bem) a placa na auto-estrada. Nos últimos anos, deu um salto de gigante. A Critical inspirou outros, os seus fundadores tornaram-se “role models” para muitos recém licenciados da Universidade de Coimbra. Nascem novas empresas como a Bluepharma, a ISA, a Crioestaminal e muitas outras.
O número de incubadas no Instituto Pedro Nunes, liderado por um empreendedora notável (Teresa Mendes), disparou. Um Presidente da Câmara (Carlos Encarnação), que investe em patentes. Um Reitor (Seabra Santos), com visão, corajoso e pragmático, que soube apostar numa equipa jovem e aguerrida. Um Pró-Reitor, Fernando Guerra, com rasgo, energia e capacidade empreendedora únicas, apostado no fomento do empreendedorismo e na criação de redes internacionais. Um centro de transferencia de tecnologia exemplar (liderado por Jorge Figueira). (Há três semanas, promoveram ambos o Medtech Forum, que levou a Coimbra 150 líderes europeuas na área da investigação, investidores e peritos do sector da Saúde e Tecnologias Médicas).
Um cientista empreendedor (Carlos Faro), que, com rasgo e determinação, se alia a um autarca visionário (Jorge Catarino, Cantanhede e seu sucessor, João Moura) para criar o primeiro parque de biotecnologia, Biocant.
Um capitalista de risco (Roberto Branco, Bioventures e Beta Capital) sem medo de apostar em “start ups”, onde acrescenta muito valor para além do capital. Um lider associativo visionário (Almeida Henriques) que, a partir do Conselho Empresarial do Centro (CEC), lança pontes, mobiliza vontades (o “Pacto para a Nova Centralidade”) e cria um capital social raro, muito raro, em Portugal. Um empreendedor académico (Borges Gouveia) que, a partir da Agência de Inovação e da Universidade de Aveiro, reforçou a componente inovação do “Pacto para a nova Centralidade”. (O Pacto – ver doc aqui - assenta em ideias simples e mobilizadoras: Reforçar a capacidade de inovação das empresas. Fomentar uma ligação dinâmica entre o sistema cientifico e tecnológico e as empresas. Criar condições para o desenvolvimento e crescimento das microempresas. Apoiar ao empreendedorismo centrado numa lógica de rede. Explorar formas alternativas de financiamento, como factor diferenciador. Aproveitamento dos recursos naturais, ambientais e energéticos. Tornar a região mais atractiva ao investimento directo internacional.)


A revolução silenciosa que se vive no Centro significa que nada é impossivel quando um punhado de mulheres e homens ambiciosos e sérios conjugam vontades.
Desde há três anos, a pedido da Câmara, a Brisa mudou a placa da A1. Coimbra passou a ser, “Coimbra, Cidade do Cidade do Conhecimento”. Coimbra não é Cambridge, mas está a mudar – e essa mudança é já visível.


Estes exemplos não são casos isolados. Por esse País fora, há mais Portugal empreendedor do que parece. Cavaco Silva não se têm casado de dizer (e reiterou neste fim-de-semana): Portugal precisa de apostar em empresas capazes de exportar bens transaccionáveis. Essa é a única resposta possivel à globalização: mudar de modelo, ou seja: mais inovação nas empresas e mais empresas a inovar. Empresas cuja vantagem comparativa não vem das relações com Estado, mas dos seus produtos e serviços, capazes de vencer no mercado mundial. Só assim se exporta mais e com mais valor. Só assim de cria emprego qualificado e se atrai talento.

Parabéns, Gonçalo Quadros, Diamantino Costa e João Carreira (hoje a viver em New Jersey, na liderança da Critical Links, um spin-off da Critica Software).

O mais bonito destes dez anos é constatar que os fundadores da Critical cresceram, mas não mudaram no que é essencial. Não se deixaram deslumbrar, não tornaram novos ricos, continuam a ser quem eram: gente séria e trabalhadora, apaixonada pelo que faz, sempre com sede de aprender e de empreender. É destes "role models" que eu gosto.

(A bonita foto em cima, do grupo fundador, cedida pelo João Carreira (sentado), faz lembrar a imagem lendária de Bill Gates e Paul Allen com o grupo fundador da Microsoft, em 1975...)

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Sexo mandarim e cantonês (uma iniciação)

As melhores cenas de sexo dos últimos anos não são proeza fácil.
É frequente os realizadores de cinema hesitarem no relatório das suas qualidades quando chega à figuração do sexo. Quase todos apontam dificuldades, fáceis de entender: o intimismo cutâneo do sexo é difícil de simular e reproduzir (e não estamos a discutir as complexidades do orgasmo feminino), e poucos foram os cineastas a consegui-lo. Claro que há os mestres do coito elíptico - perdoem-me a crueza -, como Hitchcock (as "pernas de frango" de "A Casa Encantada", o jantar interrompido na varanda de Copacabana em "Difamação", o fogo de artifício e as rolhas de champanhe a saltar em "Ladrão de Casaca"), Lubitsch (portas que se fecham, janelas que se abrem), Wilder (basta ver "Kiss Me Stupid"), Kazan ( a sexualidade tão precoce como fúnebre de "Esplendor na Relva"). Mas sexo à séria, crú ou incandescente, em cena, "in camera", acção e sensação, há poucos que o façam bem (como na vida, desculpem nova rudeza).

Ang Lee é um desses casos singulares. Em "Lust, Caution", há dias lançado no mercado de aluguer DVD (fugiu-me da rede quando estreou), Lee trata o sexo como muito do sexo é: de uma urgência visceral, combativo, negociado, carregado de subtextos, à beira da violência, uma infinita viagem à psique do parceiro (a) - ou (a) adversário (a) de circunstância.
Ao reproduzir visualmente o sexo num erotismo que quase clama pela pornografia (a contínua insinuação da genitália, a proximidade do suor, o tom urgente, à beira da morte - que finalmente chegará ), Lee aproxima-se da violência ética de "O Império dos Sentidos" de Oshima, da notável (e célebre) intimidade da sequência entre Donald Shuterland e Julie Christie no "Aquele Inverno em Veneza" de Nicolas Roeg - Donald, amante de Christie à época, insinuou que o sexo aconteceu mesmo na rodagem -, do verismo dos amantes de "Red Road" de Andrea Arnold, do destempero desesperado, eficazmente "sleazy", de Tilda Swinton e Ewan McGregor em "Young Adam" de David McKenzie.
O sexo, trave mestra do cinema do auto-exilado Ang Lee (exílio geográfico, cultural, sentimental), é a forma que um dos mais interessantes realizadores contemporâneos encontrou para reproduzir a sua preocupação de sempre: o sentimento de não pertencer.
Todos os filmes de Lee falam da procura de uma família que vai escapando, de um lugar de integração que foge, e do pressentimento físico e psicológico de que a vida nos vai afastando dessa plenitude que só a integração e a pertença poderiam trazer.
A integração e a pertença é o que procuram - quase sempre sem sucesso - o casal homossexual de "O Banquete de Casamento", os cowboys gay de "Brokeback Mountain", os miúdos imersos na disfuncionalidade dos pais no fabuloso "A Tempestade de Gelo", o anti-super-herói de "Hulk", (a mais adulta das fitas do género, se bem que pintada em grossos traços psicanalíticos), a renegada Zhang Ziyi de "O Tigre e o Dragão".
Em "Lust, Caution", rapidamente despachado pela crítica em virtude de uma putativa fixação no academismo (pretensamente salva pelas explosões de sinceridade erótica...) é um cuidadoso e belo capítulo no ideário Ang Lee: Wong Chia Chi (Wei Tang, uma estrepitosa descoberta) é uma jovem orfã que procura o seu lugar numa sociedade em desintegração, a China de Shanghai e Hong-Kong durante a ocupação japonesa da 2ª Grande Guerra. Seduzida a integrar a resistência, a tarefa que lhe dão - mas que ela, em grande medida, encontra para si própria - é montar a cilada a um chefe policial do regime colaboracionista, Mr Yee (interpretado pelo sempre excelente Tony Leung). Por breves momentos, o jovem e idealista grupo de estudantes onde Wong Chia Chi se integra revela-se a família que nunca teve - infantil, ríspida, doce, egoísta, como todas as famílias. Mas o enraizamento é efémero, e a conquista da identidade irá revelar-se cada vez mais complexa, já que ela terá de se tornar amante do homem que deseja destruir - ou desejará?
Esta permanente contradição - e o jogo da pertença que essa contradição implica - não é mais do que uma nova súmula do trabalho de Ang Lee, agora acrescido de uma pulsão física inesperada, agressiva, ardente. O melhor sexo em cinema dos últimos anos.
E para vocês, onde está o melhor sexo no cinema? E na pintura? E na literatura?
Não me ocorre melhor pensamento estival.

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domingo, 6 de julho de 2008

A eternidade

Coucher de soleil sur la mer, Fernand Puigaudeau
Elle est retrouvée.
Quoi ? - L'Éternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.
Estes versos pertencem a um poema, L'eternité, de Jean-Arthur Rimbaud. Escreveu-o em Maio de 1872. Dois anos depois, retocou-o, escrevendo mêlée onde antes dissera allée.
Diminuirá a transcendência que exalam se soubermos que a razão prosaica que os inspirou foi a paixão de Rimbaud por Verlaine, a quem queria convencer a sair de casa, deixando a jovem mulher, para vir viver com ele? Um mês depois Verlaine deixou Mathilde. Mêlée onde antes estava allée.

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Vamos à estreia?




A história de Metropolis de Fritz Lang dava, ela própria, um filme. Rodado entre 1925 e 1926, com os seus milhares de figurantes tratados como escravos (alguém chegou a dizer que o desemprego que então minava a Alemanha «era uma bênção» para Lang), com actores dirigidos como «marionetas», com proezas técnicas nunca tentadas e sobretudo com os seus cenários grandiosos, Metropolis é um hino à desmesura, ao excesso, à megalomania. Mas se a rodagem se fez de desastres e peripécias, a pós-produção foi uma saga de cortes e recortes que desaguaram na mítica versão que em 1927, em Berlim, estreou sob a forma de um «sonoro» fracasso que quase levou a poderosa UFA à falência. E sublinho mítica, não porque estreou, mas porque desapareceu sem deixar rasto durante mais de 80 anos. Que foram os anos necessários para que uma cópia preciosa do original de 27, levada para a Argentina em 28, fosse encontrada nos poeirentos arquivos do Museu de Cinema Pablo Ducrós Hicken, de Buenos Aires.

Trocando as voltas ao tempo, Metropolis vai voltar a estrear. Com 25 preciosos e perdidos minutos que o Mundo não voltou a ver desde aquela longínqua noite de Berlim. Vamos à estreia?

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Gracias al Ejército mio...

"Gracias al Ejército mío, de mi patria Colombia, gracias por la impecable operación, la operación fue perfecta".
Esta é, sobretudo vinda de quem vem, a frase chave de Ingrid após o resgate. Respondo, por valer mesmo muito a pena, ao post da Inês que elegia “A Dios primero...” como chapéu teológico desta libertação.
Deus, a quem não me atrevo a culpar do rapto, e que na sua imóvel omnipotência ignora a selva colombiana, foi, é e será sempre uma excelsa figura de retórica da humanidade perdida que somos. Deixemos aos humanos o negócio dos humanos e reservemos a Deus o papel de dramatis persona que lhe advém de ser a magnífica criação dos nossos melhores poetas, dos nossos mais bizarros pensadores, dos nossos momentos de mais pungente sofrimento ou de mais destemperada alegria.



La impecable operación, la operación perfecta.

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sábado, 5 de julho de 2008

Mundo de Aventuras

A Agência Portuguesa de Revistas foi, para uma série de gerações, o equivalente à Biblioteca Nacional. Tenho até a impressão de que deveria ser um “case study”. Pela diversidade de oferta, pela definição correcta de público-alvo, pela “cross-promotion” que soube inventar.
Já vos falei das “Mãos de Fada”. Reparem agora na “tag line” que o dream team da APR inseriu nessa celestial revista feminina:
Para V. Exª Mãos de Fada. Para seus filhos O Mundo de Aventuras, a melhor revista para crianças”.
O “Mundo de Aventuras”, que conheci já em edição de tamanho mais reduzido (redução que ditou o seu sucesso, e prova acabada de que o tamanho conta), em 4 páginas litografadas a uma cor, oferecia aventuras de Rip Kirby, Brick Bradford, Cisco Kid, Flash Gordon, Dick Tracy,Sargento Preston, Tarzan ou Davy Crockett. Ainda há exemplares à venda, aqui.



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Mãos de fada

A Agência Portuguesa de Revistas publicava, naqueles tempos, esta revista, "As Mãos de Fada". Fosse crochet ou ponto cruz, as mãos eram assim qualificadas por serem orientadas, e cito, "por um forte querer activo que se dirige o mais possível para o bom e o belo".

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«A Dios primero»

«A Dios primero», disse Ingrid Betancourt, em acção de Graças, quando pisou o chão da liberdade.
Mais do que o encontro com os filhos ou o sorriso aberto; mais do que a coesão do grupo resgatado ou as palavras de convite à regeneração dos homens das FARC; mais ainda do que a beleza de uma cara gasta pela selva e não pela amargura da prisão; mais do que tudo comoveram-me as palavras de Betancourt - a Dios, primero - quando quis agradecer aos que procuraram salvá-la.
Lembrei-me de um artigo escrito no Expresso por António Pinto Leite, em Maio de 1982, quando João Paulo II veio pela primeira vez a Portugal e rezou uma missa aos jovens no Parque Eduardo VII. As imagens de cor e de entusiasmo daquele mar de gente nova impressionaram Pinto Leite que lamentava não conseguir sentir, nessa altura, a mesma intensidade na Fé.
São minhas as suas palavras. Mas como preferia que fossem as de Betancourt.

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sexta-feira, 4 de julho de 2008

É crime

O direito penal ocupa-se dos crimes.
E o que são crimes? A disciplina de direito penal, que dura um ano inteiro, ensina-nos que é uma ACÇÃO - dois meses para ver mesmo o que é uma acção por oposição a uma omissão,por ex, estando nisto até ao Natal...
TÍPICA, ou seja, que essa acção esteja previamente à prática da acção prevista como tal - que é uma das maiores garantias do cidadão num estado de direito democrático - mais dois meses,lá para os lados do Carnaval.
ILÍCITA,i.é, que não existam causas que excluam a ilicitude, isto já por volta da Páscoa.
Finalmente, que seja CULPOSA, saber se, apesar de tudo, a pessoa é culpada ou se existem causas que excluam a culpa, isto quando a cidade já se preparava para a queima das fitas.
Hoje vi o noticiário da TVI, vi a pivot, antes de fazer a pergunta disparar pronta, com um ar entendido: " - Estive a ler o código penal antes, e tal tal...". Ela leu o código.

É crime. Há uma acção, eu estava sentada em frente ao televisor com um comando na mão; é típica, porque é o final da semana e eu estou cansada; é ilicíta porque deixei de fazer outras coisas mais importantes; e culpada sou eu que fiquei a ver este espectáculo degradante.

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